A lesão medular apresenta-se
como uma grave síndrome incapacitante, que pode causar alterações motoras,
sensitivas e autônomas, tendo como principal etiologia a lesão traumática,
devido à agressão mecânica, na medula espinhal (FREITAS et al, 2006). Quanto ao nível da lesão, os pacientes podem ser
classificados em tetraplégico, quando a lesão é acima de T1 e paraplégico,
quando a lesão é abaixo deste nível (BORGES, 2005).
Esta síndrome incapacitante, compromete a função da medula espinhal em
graus variados de extensão. A lesão é completa quando não existe movimento
voluntário abaixo do nível da lesão e é incompleta quando há algum movimento
voluntário ou sensibilidade abaixo do nível da lesão (ANDRIGHETTI, 2009).
A incidência desse tipo de lesão é bastante variada nos diferentes
países, e ainda não é bem definida no Brasil por não ter uma notificação eficaz
dos casos e pela escassez de estudos epidemiológicos significativos. A
literatura descreve predomínio no sexo masculino, na faixa etária jovem (entre
15 e 40 anos), causando grande impacto socioeconômico por atingir
preferencialmente pessoas em idade produtiva (CUSTÓDIO et al, 2009).
Quanto à etiologia podem ser classificadas em traumáticas (Fraturas, armas de fogo) e não-traumáticas (tumores, infecções). A lesão medular é muito
incapacitante pelo acometimento múltiplo (incontinência urinária, fecal e
disfunção sexual) e está sempre associada às complicações: ossificação
heterotópica, úlceras de pressão, hipotensão postural, disfunções sexuais, entre
outras (LUCARELI, 2009).
A atuação profissional do fisioterapeuta em relação ao tratamento de
pessoas portadoras de lesão medular até pouco tempo atrás, estava restrita à
reabilitação. Com o aumento da expectativa de vida desses pacientes, o
fisioterapeuta assume seu papel não apenas na reabilitação, mas também na
promoção e atenção à saúde desses pacientes englobando medidas restauradoras,
preventivas e de reabilitação, visando preservar, restaurar ou desenvolver
funções com o propósito de melhorar a qualidade de vida do paciente lesado.
O objetivo deste trabalho é realizar um levantamento na literatura
disponível que aborde todas as informações necessárias para o conhecimento profundo
da lesão medular, bem como as intervenções fisioterapêuticas necessárias no
tratamento de pessoas portadoras desta lesão.
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Conceito
A Lesão medular é definida pela American
Spinal Injury Association (ASIA) como sendo uma diminuição ou perda da
função motora e/ou sensorial, podendo ser classificada como lesão completa ou
parcial devido ao trauma dos elementos neuronais dentro do canal vertebral
(FILHO et al, 1994).
Ela é uma das formas mais graves dentro das síndromes incapacitantes,
sendo um desafio para a reabilitação, pois a medula espinhal é uma via de
comunicação entre diversas partes do corpo com o cérebro e também um centro
regulador, que controla importantes funções como respiração, circulação,
bexiga, intestino, controle térmico e atividade sexual. A gravidade do quadro
depende do local acometido e do grau de destruição das vias medulares aferentes
e eferentes. Quanto mais alto o nível e maior a extensão da lesão, menor será a
massa muscular disponível para a atividade física e, portanto, menor será a
aptidão física e a independência funcional (GIANINI et al, 2006).
2.2
Considerações Anatômicas
A medula espinhal é representada por um segmento cilíndrico ligeiramente
achatado no sentido antero-posterior, de mais ou menos 45 cm de comprimento e que se
estende do forame magno do occipital, até a borda inferior da 1ª vértebra
lombar. É externamente envolta pelas meninges, que são três membranas de tecido
conjuntivo, as quais recobrem todo o sistema nervoso central: dura-máter,
aracnóide-máter e pia-máter (CASTRO, 1995).
A medula espinhal está dividida em segmentos e as raízes nervosas que
emergem da medula no nível de cada segmento são designadas por algarismos que
se referem ao nível de sua saída. Trinta e um pares de nervos espinhais originam-se
da medula espinhal: 08 cervicais, 12 torácicos, 05 lombares, 05 sacrais e 01
coccígeo. Cada raiz nervosa recebe informações sensitivas de áreas da pele
denominadas de dermátomos e, similarmente, cada raiz nervosa inerva um grupo de
músculos denominados de miótomos (DEFINO, 2006).
Se fizermos um corte transverso na medula espinhal, observaremos que ela
é constituída de substância branca por fora e substância cinzenta por dentro. A
substância cinzenta forma um H, tendo os dois ramos verticais o aspecto de
meia-lua com a convexidade voltada para a linha mediana. A extremidade posterior
dessas meia-luas, mais afilada, recebe o nome de corno posterior e a extremidade anterior, mais volumosa e
arredondada, é denominada corno anterior.
O corno lateral está situado na
direção do braço horizontal do H, ou seja, entre os dois precedentes. O corno anterior é motor, o corno posterior é sensitivo e o lateral se refere à parte simpática do
sistema autônomo (vegetativo) (CASTRO, 1995).
2.3 Incidência
Atualmente, o trauma raquimedular é responsável por 3% das admissões de
urgência em serviços de atendimento ao politrauma. As estatísticas
internacionais estimam uma ocorrência de 40 a 50 novos casos por milhão de
habitantes/ano, o equivalente no Brasil a 6000 novos casos por ano. Este tipo
de lesão acomete principalmente aos homens (65%), com média de idade de 25
anos, dos quais 70% tornam-se paraplégicos e 30% tetraplégicos (FIGUEREDO et al, 2006).
A lesão da medula espinhal (LME) ocorre em cerca de 15 a 20% das fraturas da
coluna vertebral e a incidência desse tipo de lesão apresenta variações nos
diferentes países. Estima-se que, na Alemanha, ocorram anualmente dezessete
(17) casos novos por milhão de habitantes, nos EUA, essa cifra varia de trinta
e dois (32) a cinqüenta e dois (52) casos novos anuais por milhão de habitantes
e, no Brasil, cerca de quarenta (40) casos novos anuais por milhão de
habitantes, perfazendo um total de seis (06) a oito (08) mil casos por ano
(DEFINO, 2006).
2.4
Classificação Etiológica
A causa mais comum de lesão raquimedular são acidentes com veículos
motorizados (41%), seguida por quedas e atos de violência, principalmente
acidentes com projéteis de arma de fogo (PAF). Nos últimos 25 anos, a proporção
de lesões associadas a colisão de veículos e atividades de laser ou esportivas
diminuiu, enquanto aquelas relacionadas a quedas aumentou. O consumo de bebidas
alcoólicas é relatado como extremamente alto em 96% dos pacientes que sofreram
lesão raquimedular (UMPHRED, 2007).
Saraiva et al (1995)
classificam a lesão medular quanto à etiologia em traumáticas e não traumáticas:
- Traumáticas: Ocorrem devido a fraturas, luxações e outras causas que produzam secção ou compressão medular devido a acidentes automobilísticos, ferimentos por arma de fogo, mergulho em águas rasas, queda de altura e outras.
- Não - Traumáticas:
- Tumorais: ósseas, meníngeas, do SNC;
- Infecciosas: osteomielites, abcessos, mielites;
- Vasculares: aneurismas, tromboses, embolias;
- Malformações: agenesias, mielomeningocele;
- Degenerativas: esclerose múltipla;
- Outras: hérnia discal, de canal vertebral, estenose, entre outras.
2.4.1 Tipos de Lesão Traumática
No Choque medular há
ausência total de sensibilidade nos dermátomos inferiores ao processo, assim
como da motricidade voluntária dos grupos musculares inervados por nervos
espinhais situados caudalmente. Posteriormente, em um tempo que varia entre
dias e algumas semanas, inicia-se uma evolução para um quadro de liberação
piramidal, com espasticidade, hiperreflexia, sinal de Babinski, sem haver,
entretanto, recuperação dos movimentos voluntários ou da sensibilidade. É
possível uma recuperação do controle esfincteriano fecal e urinário. O quadro
de choque medular pode ocorrer em alguns traumatismos raquimedulares sem
transecção medular. Nestes casos, após o período inicial o paciente apresenta
uma recuperação das alterações clínicas (MENESES, 1999).
Na Lesão Medular Incompleta há
alguma função motora ou sensitiva abaixo do nível da lesão (GESSER et al, 2002). Porém, na Lesão Medular Completa não existe função
motora ou sensorial abaixo do nível da lesão. Os pacientes apresentarão
musculatura espástica assim como em lesões encefálicas (MASCHIO, 2009).
2.5 Mecanismo de
Lesão
Diferentes mecanismos,
geralmente em combinação, produzem lesões da medula espinal. A LM ocorre com
maior frequência devido a forças indiretas produzidas pelo movimento da cabeça
e do tronco, e menos frequentemente devido às lesões indiretas a uma vértebra.
Mecanismos comuns operando na LM incluem flexão, compressão, hiperextensão e
flexão-rotação. Essas forças resultam em fraturas e/ou luxação. A coluna
demonstra vários graus de susceptibilidade à lesão. Algumas áreas são
inerentemente mais vulneráveis devido à sua alta mobilidade e relativa falta de
estabilidade em comparação com outros segmentos da coluna. As áreas que
demonstram a frequencia mais alta da lesão estão entre C5 e C7 e entre T12 e L2
(O’SULLIVAN & SCHMITZ, 2004).
2.6 Formas Clínicas de Apresentação das Lesões Medulares
As lesões medulares se apresentam das seguintes formas clínicas:
- Síndrome de Secção Total: Após o trauma medular, ocorre perda total da sensibilidade e motricidade abaixo do nível da lesão (SARAIVA et al, 1995).
- Síndrome da Cauda Eqüina: Ocorre por lesão das raízes nervosas lombossacras no canal vertebral. Como a cauda eqüina é parte do sistema nervoso periférico, ocorre uma lesão motora com arreflexia (UMPHRED, 2007).
- Secção Medular Posterior: É extremamente rara. Há preservação da função motora, e sensação de dor e toque leve, com perda de propriocepção e sensações epicríticas (discriminação entre dois pontos, estereognosia) abaixo do nível da lesão (SARAIVA et al, 1995).
- Secção Medular Anterior (Síndrome de KAHN): Preserva a sensibilidade profunda abaixo da lesão (quando a lesão é cervical o envolvimento motor é mais acentuado nos membros inferiores). Ex.: lesão medular pelo vírus da Poliomielite (SARAIVA et al, 1995). Os tratos mais dorsais que são responsáveis pela propriocepção mantêm-se preservados, enquanto os mais anteriores, responsáveis pela função motora, são afetados de forma variável (UMPHRED, 2007). Geralmente a propriocepção, cinestesia e percepção vibratória ficam preservados (O’SULLIVAN & SCHMITZ, 2004).
- Secção Centro medular (Síndrome de SCHNEIDER): É uma destruição da parte central da substância cinzenta; inicialmente há tetraplegia e aos poucos há recuperação da motricidade nos membros inferiores. Pode haver recuperação dos membros superiores, mas dificilmente das mãos. Há caracteristicamente envolvimento neurológico mais grave nos membros superiores do que nos membros inferiores. Ocorrem graus variáveis de comprometimento sensorial, sendo menos grave que os déficits motores. Os pacientes normalmente recuperam a habilidade de deambular com alguma fraqueza distal remanescente no braço (SARAIVA et al, 1995).
- Hemissecção Lateral (Síndrome de BROWN-SÉQUARD): Lesões produtoras de secção de uma metade da medula. Os sintomas resultantes da secção dos tratos que não se cruzam na medula aparecem do mesmo lado da lesão e dos tratos cruzados aparecem do lado oposto. No lado Ipsolateral da lesão, há uma perda de sensibilidade do dermátomo correspondente ao nível da lesão, diminuição de reflexos, ausência de reflexos superficiais, Babinski positivo, perda de propriocepção, cinestesia e percepção vibratória. No lado contra-lateral à lesão haverá perda da sensação de dor e temperatura (O’SULLIVAN & SCHMITZ, 2004).
2.7 Classificação quanto ao nível
da lesão
O nível da lesão descreve o
paciente funcionalmente no que se refere ao nível segmentar da medula espinhal
em que a função permanece e não o nível comprometido (UMPHRED, 2007). Quanto ao
nível da lesão, os pacientes podem ser classificados em tetraplégicos, quando a
lesão é acima de T1 e paraplégico, quando a lesão é abaixo deste nível (BORGES,
2005).
Paraplegia
refere-se à deficiência ou perda de função motora e/ou sensorial nos segmentos
torácico, lombar ou sacral da medula espinhal. A função dos membros superiores
é preservada, mas o tronco, os membros inferiores e os órgãos pélvicos podem
ficar comprometidos (STOKES, 2000).
O termo tetraplegia refere-se à perda da função motora e/ou sensitiva nos
segmentos cervicais da medula espinhal devido à lesão dos elementos neuronais
no interior do canal vertebral. A tetraplegia resulta em alteração das funções
dos membros superiores, tronco, membros inferiores e órgãos pélvicos, não sendo
incluídas nessa categoria de lesão, as lesões do plexo braquial e nervos
periféricos fora do canal vertebral (CAVENHAGUI et al, 2005).
2.8 Quadro
Clínico
Embora o quadro clínico varie de
pessoa para pessoa, dependendo do nível e da extensão da lesão, as
características que se seguem são comuns. Dentre elas, podemos citar: perda
motora, comprometimento dos músculos respiratórios, perda sensorial,
espasticidade, disfunção intestinal, vesical e sexual, disreflexia autonômica ou
hiperreflexia autonômica, dor, entre outras (UMPHRED, 2007).
Lesões em nervos C 1-C3 o paciente
não apresentará função abaixo do nível da cabeça e é necessário um ventilador
mecânico para manter a respiração caso contrário é fatal. Em C4-C5 há
respiração, mas o paciente é quadriplégico e não há função nos membros
superiores e inferiores. C6-C8 o paciente apresenta perda de função da mão e um
grau variável de perda da função do membro superior e pode ser capaz de se
alimentar. T1-T9 o paciente é paraplégico e o controle de tronco é variável de
acordo com a altura da lesão. T10-T11 o paciente apresenta alguma contração dos
músculos da coxa o que pode permitir a marcha com órteses longas de coxa. L2-L3
o paciente tem preservado a maior parte da musculatura dos membros inferiores e
para deambular pode ser necessário apenas órteses curtas (MASCHIO, 2009).
2.9 Complicações
O traumatismo da coluna vertebral que gera a lesão medular irá danificar
uma rede neural complexa implicada na transmissão, modificação e coordenação
motora e sensorial, além do controle autônomo dos sistemas e órgãos. Perda dos
mecanismos homeostáticos e de adaptação faz parte da disfunção pós-lesional que
leva a consequências socioeconômicas desfavoráveis para o paciente, sua família
e a sociedade em geral (MAROTA, 1997).
As complicações frequentemente encontradas em lesados medulares são:
·
Úlceras de pressão: As úlceras de pressão
são uma séria complicação clínica, uma causa importante de retardo na
reabilitação, e podem mesmo levar à morte. Além disso, está entre as
complicações clínicas mais freqüentes após uma lesão medular espinhal (SCHMITZ,
1993). A intervenção mais importante para eliminar o aparecimento e
desenvolvimento de úlceras de pressão é a prevenção, sendo muito mais
importante que sua cura. Visto que o seu tratamento é complicado e em muitos
casos demoram meses para a cura ou nunca chegam a ser totalmente curadas. Para
isso são realizadas mudanças de decúbito e descarga assimétrica de peso (O’SULLIVAN
& SCHMITZ, 2004).
·
Osteopenia: Osteopenia é o termo
utilizado na literatura para a perda óssea (desmineralização), porém sua causa
ainda não está bem esclarecida, ocorre no primeiro ano após a lesão com pico no
4o-6o mês de lesão, acometendo as regiões proximais e
distais dos ossos preferindo primeiro a camada trabecular e depois a camada
compacta (RODRIGUES & HERRERA, 2004). Recursos como a estimulação elétrica
funcional, ortostatismo e a deambulação tem sido usados pela fisioterapia na
tentativa de diminuir a desmineralização, sendo a deambulação o recurso mais
eficaz (OLGIVIE et al, 1993).
·
Trombose Venosa Profunda (TVP): Segundo
O´sullivan & Schmitz (2004), o principal fator contributivo para o
desenvolvimento da TVP, pós-lesão medular, é a perda do mecanismo “bombeador”
propiciado pela contração ativa da musculatura dos membros inferiores. Este
quadro pode ser minimizado quando realizados os movimentos de dorsiflexão e
flexão plantar do tornozelo, a contração ativa dos músculos dos membros
inferiores diminui as concentrações de substâncias pró-coagulantes, evitando a
formação de trombos. Algumas medidas preventivas são: mudança de decúbito, para
evitar pressão sobre vasos calibrosos; exercícios passivos de amplitude de
movimento; meias elásticas de sustentação e posicionamento dos membros visando a
facilitação do retorno venoso.
·
Disfunções sexuais: As alterações
decorrentes do trauma podem desencadear uma desorganização no complexo
mecanismo neuro-psico-endócrino-vascular, podendo vir a ocasionar uma disfunção
sexual (PEIXOTO et al, 2003). A lesão medular não danifica o impulso
sexual, porém pode permanecer oculto no desequilíbrio emocional proveniente da
lesão (ALVES et al, 1999). Segundo De
Forge et al apud (ALBUQUERQUE, 2007) Alguns
estudos abordam os benefícios de eletro-estimuladores sacrais como meio de
sustentação da ereção, contudo existem controvérsias entre os autores.
·
Hipotensão Postural: É uma queda na
pressão sanguínea, ocorre quando o paciente é deslocado da posição horizontal
para vertical. É provocada pela perda do controle simpático de vasoconstricção,
podendo haver diminuição do fluxo sanguíneo cerebral e cardíaco. Para um
reajuste do sistema cardiovascular, a intervenção fisioterapêutica consiste em
um posicionamento gradativo do paciente para a posição vertical, inicialmente
com a elevação da cabeça, progredindo para uma cadeira reclinável, uso de uma
mesa inclinável e por último o posicionamento prolongado de pé. A utilização de
meias compressivas e de faixas abdominais também ajuda a minimizar os efeitos (O´SULLIVAN
& SCHMITZ, 2004).
·
Ossificação heterotópica: É o processo de
formação óssea anormal de etiologia multifatorial. Knight et al apud (ALBUQUERQUE, 2007) descreveram em 2003 algumas
intervenções fisioterapêuticas em pacientes com OH, o tratamento consistia
basicamente em manobras para alinhamento postural, uso de talas, exercícios
ativos utilizando a amplitude de movimento, mobilização de músculos encurtados,
técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva e hidroterapia para
diminuição do tônus.
2.10 Intervenção
Fisioterapêutica
Embora a Lesão Medular (LM) de instalação súbita seja considerada uma das
lesões mais devastadoras, do ponto de vista orgânico e psicológico, sabe-se
hoje que a LM tem potencial de recuperação. É consensual que a recuperação
funcional é influenciada pela gravidade da lesão, idade do doente, nível de
lesão medular e abordagem terapêutica na fase aguda (ANDRADE & GONÇALVES,
2007).
De acordo com Aito apud
(ALBUQUERQUE, 2007), o fisioterapeuta assume importante papel no tratamento
desses pacientes, incluindo a necessidade de se evitar fatores advindos do
repouso prolongado que possam retardar a reabilitação do paciente lesado
medular e influenciar o aparecimento de úlceras de pressão, ossificação
heterotópica, complicações respiratórias, urinárias, sexuais e trombose venosa
profunda.
As atividades em grupo, a competição, a recreação lúdica e terapêutica, a
melhora da capacidade física aos esforços, da função e do seu rendimento,
afetam diretamente as condições emocionais, psicológicas e funcionais atingindo
e melhorando a qualidade de vida (GIANINI, 2006).
Durante a fase aguda da reabilitação, a ênfase é colocada no manejo
respiratório, na prevenção de complicações secundárias, na manutenção da ADM e
na facilitação do movimento ativo na musculatura disponível. Podem ser
iniciadas também atividades de fortalecimento limitadas durante essa fase. Na
fase subaguda do tratamento, muitas das atividades iniciadas durante o período
agudo continuarão. A ênfase ainda será no manejo respiratório, na ADM e no
posicionamento. O paciente também será envolvido em um programa de exercícios
resistidos para todos os músculos que permanecem inervados (ex: FNP, exercícios
progressivos usando resistência manual, pesos, etc), desenvolvimento do
controle motor, recuperação do controle postural e equilíbrio e melhorar a
resposta cardiovascular através de atividades aeróbicas para membros superiores
(O’SULLIVAN & SCHMITZ, 2004).
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