A Unidade de Terapia Intensiva ou simplesmente
UTI caracterizam-se como "Unidades complexas dotadas de sistema de
monitorização contínua que admitem pacientes potencialmente graves ou com
descompensação de um ou mais sistemas orgânicos e que com o suporte e
tratamento intensivos tenham possibilidade de se recuperar".
Tipos de Internações na UTI
FISIOTERAPIA NA UTI
QUALIFICAÇÕES DO FISIOTERAPEUTA NA UTI
PRINCIPAIS OBJETIVOS
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA
Causas de IRpA
INTUBAÇÃO ENDO-TRAQUEAL
Indicações da intubação endo-traqueal
MÉTODO DE INTUBAÇÃO ENDO-TRAQUEAL
TRAQUEOSTOMIA
MÉTODOS ESSENCIAIS DE VENTILAÇÃO
MECÂNICA
MÉTODOS ATUALMENTE ACEITOS
Os métodos de suporte ventilatório mais praticados na rotina
assistencial e, por isso, considerados convencionais, são os seguintes:
• Ventilação com pressão positiva intermitente, assistida
e/ou controlada, ciclada a volume ou pressão (IPPV);
• Ventilação a pressão controlada (PCV);
• Ventilação mandatória intermitente sincronizada (SIMV);
• Ventilação com suporte pressórico (PSV);
• Pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP);
• Associações: SIMV + PSV, PSV + CPAP, SIMV + CPAP.
CICLAGEM DOS
VENTILADORES DE PRESSÃO POSITIVA
São classificados em quatro modalidades de acordo com
término da inspiração.
Ciclados a tempo
A inspiração termina após um tempo inspiratório
predeterminado.
Ciclados a pressão
A inspiração cessa quando é alcançada a pressão máxima
predeterminada.
Ciclados a volume
A inspiração termina após se completar um volume corrente
predeterminado.
Ciclados a fluxo
A inspiração termina quando determinado fluxo é alcançado.
Neste caso, uma pressão predeterminada em via aérea é
aplicada ao paciente, o respirador cicla assim que o fluxo inspiratório diminui
e alcança um percentual predeterminado de seu valor de pico (normalmente 25%).
PARÂMETROS
PROGRAMÁVEIS
Pressão de pico
PEEP
Concentração de oxigênio no ar inspirado (FIO2)
Freqüência respiratória
Volume corrente
Fluxo inspiratório
Ondas de fluxo
Relação inspiração:expiração – I:E
Sensibilidade
VENTILAÇÃO CONTROLADA
Normalmente
o ventilador determina o início da inspiração por um critério de tempo,
estipulado a partir do ajuste do comando freqüência respiratória.
Na maioria dos ventiladores
quando se ativa o comando “ventilação controlada” (que pode corresponder, dependendo do ventilador
em questão, a uma ventilação com “volume controlado, “pressão controlada”, ou
mesmo “tempo controlado com escape de pressão”)
VENTILAÇÃO ASSISTIDA
Neste caso,
o ventilador determina o início da inspiração por um critério de pressão ou de
fluxo.
O disparo é deflagrado pelo
esforço inspiratório do paciente.
Numa ventilação puramente
assistida, a freqüência respiratória, e portanto, o tempo expiratório fica
totalmente a cargo do drive respiratório do paciente.
VENTILAÇÃO ASSISTIDA / CONTROLADA
Nesta
situação, o ventilador permite um mecanismo misto de disparo da fase
inspiratória, normalmente combinando um mecanismo a tempo com um mecanismo
pressórico.
Enquanto o disparo por pressão á
ativado pelo esforço inspiratório do paciente, o disparo por tempo é deflagrado
pelo aparelho, funcionando como um mecanismo de segurança que é ativado apenas
quando o ciclo assistido não ocorre.
VENTILAÇÃO MANDATÓRIA INTERMITENTE SINCRONIZADA
Onde os
ciclos volumétricos são do tipo assistido/controlado, dependendo da presença ou
não de esforço inspiratório do paciente, evitando que o aparelho inicie um
fluxo inspiratório num momento em que o paciente poderia estar expirando num
ciclo espontâneo.
PEEP (PRESSÃO POSITIVA AO FINAL
DA EXPIRAÇÃO)
Benefícios da PEEP em diferentes condições
A) SÍNDROME DO DESCONFORTO
RESPIRATÓRIO AGUDO (SARA)
E LESÃO PULMONAR
AGUDA (LPA)
•
Melhora da oxigenação
•
Diminuição da lesão pulmonar causada pelo ventilador
B) DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)
•
Diminuição do trabalho ventilatório imposto pela PEEPintrínseca
C) ASMA
•
Diminuição da resistência das vias aéreas
•
Diminuição do trabalho ventilatório imposto pela PEEPintrínseca
D) EDEMA AGUDO DE PULMÃO CARDIOGÊNICO
•
Diminuição do retorno venoso
•
Aumento da pressão intra-alveolar
•
Diminuição da pressão transmural do ventrículo esquerdo, favorecendo seu
desempenho
E) PEEP
“FISIOLÓGICA” (OU PEEP
MÍNIMA APÓS INTUBAÇÃO
TRAQUEAL)
•
Impedir o colabamento alveolar em pacientes intubados. (Valor a ser utilizado:
5cmH2O).
Efeitos indesejáveis
•
Diminuição do retorno venoso, podendo comprometer o débito cardíaco,
principalmente em situações de hipovolemia
• Risco
de hiperinsuflação em situações de ajustes inadequados da ventilação
•
Diminuição da força dos músculos inspiratórios
Obs.: A
realização destas manobras deve ser feita com cuidado, sendo contra-indicadas
as situações de hipertensão intracraniana, instabilidade hemodinâmica ou
fístula broncopleural ativa.
PRESSÃO DE SUPORTE (OU PRESSÃO ASSISTIDA)
A pressão
suporte consiste no oferecimento de níveis predeterminados de pressão positiva
e constante na via aérea do doente, aplicada apenas durante a fase
inspiratória.
Diferentemente da pressão controlada,
o término desta fase inspiratória não é ditado por tempo, mas sim por fluxo, de
tal forma que o próprio doente acaba controlando o seu tempo inspiratório.
O objetivo é “aliviar” uma
inspiração muito trabalhosa, ficando ainda a cargo do doente o controle do
tempo, fluxo e volume inspiratórios, assim como da própria freqüência
respiratória.
Modo obrigatoriamente assistido
Não há controle do volume inspirado
O fluxo inspiratório na PSV é “livre” e decrescente
É um modo de ventilação ciclado a fluxo
Desmame
O
processo de transição da ventilação mecânica para a ventilação espontânea
chama-se desmame.
A
maioria dos pacientes com recuperação do evento agudo que motivou a ventilação
mecânica, o retorno gradual à ventilação espontânea é desnecessário e pode ser
abreviado.
Aproximadamente
60% a 70% dos pacientes criticamente enfermos e ventilados artificialmente
podem ser extubados após breve teste de duas horas de ventilação espontânea.
Alguns
pacientes submetidos à ventilação mecânica por broncoespasmo agudo,
hiperoxigenação inadvertida, sedação exagerada, sobrecarga hídrica ou em
pós-operatório de cirurgias eletivas poderão ser extubados com alguma
facilidade.
Os
pacientes com reserva funcional cardiorrespiratória prejudicada, ventilação
mecânica prolongada, disfunção de múltiplos órgãos ou outras doenças
debilitantes, como as patologias neuromusculares.
Estudos
atuais comprovam que este empirismo aplicado para o desmame prolonga o tempo de
ventilação mecânica, as suas conseqüências fisiopatológicas e o custo
hospitalar.
Os
protocolo deve envolver as seguintes fases:
1) Pré-desmame, que
envolve os critérios clínicos, indicadores fisiológicos.
2) Processo de desmame,
que engloba o método de interrupção da ventilação mecânica e a monitorização.
3) A evolução do
desmame, que avalia o sucesso e as causas de insucesso, a mortalidade e
avaliação de escore
Prognóstico.
A utilização de protocolos seria indicada e
efetiva.
PRÉ-DESMAME
• Critérios clínicos
• Indicadores
fisiológicos
Estabilização do débito
cardíaco
Disfunção renal como a
acidose metabólica
Sobrecarga hídrica
Normalização de
distúrbios eletrolíticos como o potássio, fosfato e magnésio séricos são
indispensáveis
para maximizar a força
muscular respiratória.
O pH deve ser superior a
7,30 e inferior a 7,60.
Redução
da depressão do sistema nervoso central através da diminuição das doses dos
fármacos sedativos e analgésicos opióides com “drive” respiratório adequado, a
integridade músculo-esquelética através do suporte nutricional, a maximização
da função pulmonar
O
paciente deve-se encontrar afebril e com níveis séricos de hemoglobina
adequados para favorecer um bom transporte de oxigênio.
Aos
pacientes portadores de DPOC e cardiopatia crônica que apresentaram
insuficiência respiratória aguda recomendam-se níveis de hemoglobina sérica
maiores ou iguais a 12g/Dl.
Os
pacientes em ventilação mecânica por período superior a 48 horas, depois de
preencherem os critérios, devem ser submetidos a um curto período de ventilação
espontânea (por 2 horas) seguido por extubação imediata, salvo aqueles que
apresentarem sinais de intolerância.
CONDIÇÕES PARA CONSIDERAR O DESMAME DA VENTILAÇÃO MECÂNICA
PARÂMETROS
NÍVEIS REQUERIDOS
1. Evento agudo que
motivou a VM Reversibilidade ou controle do
processo
2. Presença de drive
respiratório
SIM
3. Avaliação
hemodinâmica
Correção ou estabilização do DC
4. Drogas vasoativas ou
agentes sedativos
Com doses mínimas
5. Equilíbrio
ácido-básico
7,30 < pH < 7,60
6. Troca gasosa
pulmonar PaO2
> 60 com FIO2 0,40 e PEEP 5
7. Balanço Hídrico
Correção de sobrecarga hídrica
8. Eletrólitos séricos
(sódio, potássio, cálcio, fósforo, magnésio)
Valores normais
9. Intervenção cirúrgica
próxima
Não
AVALIAÇÃO DE ÍNDICES PREDITIVOS PARA O DESMAME
PARÂMETROS
NÍVEIS ACEITÁVEIS
Volume Corrente
> 5ml/kg
Freqüência
Respiratória 35ipm
Pressão inspiratória
máxima
–25cmH2O
fR/VT
< 100
ÍNDICES PREDITIVOS DE SUCESSO NO
DESMAME
As
considerações fisiológicas no desmame são semelhantes, no sentido oposto, às
recomendadas para a instituição da ventilação mecânica. A relação PaO2 >
60mmHg, com FIO2 ≤0,4, com PEEP ≤5cm H2O.
Deve
haver a integração da oxigenação e o transporte de oxigênio para os tecidos.
Para isto, os níveis séricos da hemoglobina e o débito cardíaco devem estar
adequados.
Parece
haver um consenso que em pacientes agudos ou graves os níveis de hemoglobinemia
devem ser mantidos acima de 9g/dL, sendo, em alguns casos, indicada a
hemotransfusão.
ÍNDICES FISIOLÓGICOS PARA PREDIZER O DESMAME.
VALORES NORMAIS E MARGEM ACEITÁVEL
Avaliação Medidas Valores Valores
Fisiológica
normais
aceitáveis
Força CV 65 a 75ml/kg 10
a 15ml/kg
Pimax 115 ± 27cm H2O –30cmH2O
Endurância VVM 50 a 250L/min < 10L/min
P0,1 < 2cm H2O > 6cmH2O*
Padrão
fR < 35ipm
Ventilatório
VT 300mL
fR/ VT
> 104ipm/L*
A
pressão inspiratória máxima que definem a força de contração da musculatura
respiratória, a capacidade de mantê-la após um longo período, isto é, a endurância.
As
manifestações clínicas de fadiga muscular, como a respiração paradoxal, podem
ser indicadas numericamente através da observação da freqüência respiratória
superior a 35ipm e do volume corrente inferior a 5ml/kg de peso corporal, em
adultos.
A
função do centro respiratório pode ser medida através da pressão de oclusão de
vias aéreas nos primeiros 100 milissegundos da inspiração (P0.1) e depende da
interação entre os quimiorreceptores centrais e os motoneurônios periféricos.
DESMAME
• Método de interrupção
• Monitorização
• Método de desmame
gradual
INTERRUPÇÃO DA VENTILAÇÃO MECÂNICA
O
desmame da ventilação mecânica pode ser visto de duas maneiras:
Como
um teste diagnóstico da habilidade do paciente em sustentar a ventilação
espontânea sem o
auxílio de um suporte
ventilatório artificial.
Como
um processo direcionado para promover a reabilitação de músculos respiratórios
facilmente fatigáveis através da redução progressiva do suporte ventilatório.
A
interrupção abrupta da ventilação artificial
É
a técnica mais comum de desmame.
forma de “T”
teste de duas horas de
ventilação espontânea
taxa de reintubação em
torno de 15% a 19%
ventilação a pressão de
suporte (PSV)
Com um nível pressórico
de 7cmH2O.
Aqueles
pacientes que não apresentarem sinais de intolerância deverão ser extubados e
observados (monitorizados) pelo período de 24 horas na UTI.
Se
após 24 horas permanecerem com autonomia ventilatória, o processo estará
concluído, com sucesso.
Se
neste período necessitarem do retorno à ventilação mecânica, serão considerados
como insucesso.
Os
pacientes em desmame (os submetidos à interrupção abrupta ou gradual) devem ser
monitorizados através
de avaliação clínica
periódica.
Oximetria de pulso
Hemogasometria
Radiografia de tórax
Capnografia (PaCO2 –Pet
CO2).
A
incapacidade de eliminar a secreção brônquica é uma das mais freqüentes causas
de retorno à ventilação mecânica e desmame difícil.
A
permanência do tubo traqueal impõe uma resistência às vias aéreas com aumento
do trabalho respiratório.
Os
problemas potenciais em vias aéreas superiores são ocasionados por intubação
traqueal de longa
SINAIS DE INTOLERÂNCIA À DESCONEXÃO DA VENTILAÇÃO MECÂNICA
PARÂMETROS INTOLERÂNCIA
Freqüência
respiratória > 35ipm
SaO2 < 90%
Freqüência cardíaca >140bpm
Pressão arterial
sistólica > 180mmHg e/ou <
90mmHg
Sinais e sintomas Agitação, sudorese,
alteração do nível de consciência
PARA OS PACIENTES QUE FALHAM NO TESTE
INICIAL
•
Ventilação à pressão
de suporte (PSV)
• Ventilação
mandatória intermitente sincronizada (SIMV)
• CPAP/PEEP
em associação com os outros métodos
Nenhum comentário:
Postar um comentário