Ventilação por Pressão Positiva na Insuficiência
Respiratória Aguda
Organizada
em conjunto pela
Sociedade
Americana do Tórax (ATS),
Sociedade
Européia de Respiratória,
Sociedade
Européia de Medicina Intensiva,
e a
Sociedade de Reanimação de Língua Francesa,
e
aprovada pelo comitê diretor da (ATS)
Am J Respir Crit Care Med Vol 136, pp 283-291, 2001
A ventilação não invasiva
com pressão positiva (NPPV ou VNI), foi aplicada, pela primeira vez, em
pacientes com doença pulmonar crônica, mas hoje está sendo usada na
insuficiência respiratória aguda (IRA). A Conferência do Consenso Internacional
em Medicina Intensiva, abordando o papel da VNI na IRA, foi realizado em Paris,
França, em 13-14 de abril de 2000, patrocinado Sociedade Americana do Tórax
(ATS),Sociedade Européia de Respiratória, Sociedade Européia de Medicina
Intensiva e pela Sociedade de Reanimação de Língua Francesa.
Os métodos do consenso foram estabelecidos pelo
Instituto Nacional de Saúde (NIH), e adaptado, posteriormente, para o uso na
medicina intensiva. Em resumo, o processo foi compreendido por 4 fases.
Primeiro, cinco questões chave foram formuladas, por conselheiros científicos,
para abordar assuntos relacionados à avaliação do suporte não invasivo,
atualmente e no futuro. Segundo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, com
leitura de artigos científicos pré-selecionados por 10 cientistas, que
compunham um júri, que não eram especialistas no campo de discussão. Terceiro, autoridades
em VNI, selecionados pelo comitê organizador e pelos conselheiros científicos,
apresentaram palestras objetivas, durante um simpósio de 2 dias, assistidas por
cerca de 150 delegados. Cada apresentação foi seguida por debate e discussão.
Finalmente, o júri resumiu as evidências disponíveis, em resposta às questões,
em 2 dias, logo após a conferência.
Para a proposta deste
artigo, a VNI foi definida como qualquer forma de ventilação, aplicada sem uso
de tubo endotraqueal, e foram considerados métodos como a CPAP, com ou sem
pressão de suporte; sistemas ciclados à pressão e volume, ventilação assistida
proporcional, e adjuntos como o uso de misturas gasosas de hélio-oxigênio. O
termo falência respiratória aguda (FRA) incluiu pacientes com insuficiência
respiratória aguda (IRA) e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA),
pacientes com exacerbação das limitações
obstrutivas à entrada de ar (como os asmáticos e DPOC), pacientes com
descompensação aguda por síndrome da hipoventilação por obesidade e pacientes
com edema pulmonar cardiogênico. Pacientes que desenvolveram FRA, durante a
cirurgia, e os que tiveram dificuldade para serem desmamados da VM, ou que
foram intubados, foram considerados inapropriados. As informações, apresentadas
aos jurados, foram oferecidas para abordar as cinco questões que seguem.
QUESTÃO 1: Quais são as razões, os benefícios potenciais e os objetivos para o
uso da VNI?
Pacientes necessitam de
assistência ventilatória para reduzir a PaCO2 (figura 1) ou para aumentar a
oxigenação (figura 2). Se eles puderem receber a assistência ventilatória, não
invasiva, apropriada, poderão ser poupados do desconforto e riscos associados à
intubação endotraqueal. Apesar de estudos sugerirem que a VNI está relacionada
com a redução de pneumonias nosocomiais, problemas metodológicos obrigam a
realização de novos estudos para abordar este assunto. Os benefícios potenciais
devem ser equilibrados com o desconforto das máscaras, nasal ou facial, e os
riscos específicos da VNI ( como a falha em permitir a oxigenação suficiente,
ou retenção de CO2, trauma ocular ou nasal, distensão gástrica e aspiração).
Os objetivos da VNI diferem
dependendo do contexto clínico. Durante a descompensação aguda, da asma ou da
DPOC, o objetivo é reduzir o CO2, através da diminuição da carga da musculatura
respiratória, e do aumento da ventilação alveolar, estabilizando assim o pH
arterial, até que a causa seja resolvida. Quando é empregada em episódios de
FRA hipóxica, o objetivo é adequar a PaO2, até que o problema de base seja
resolvido. Quando aplicada continuamente, em pacientes com falência
respiratória crônica, a VNI oferta oxigenação ou eliminação de CO2 suficientes
para manter o paciente vivo, através da reversão de atelectasia ou do repouso
da musculatura respiratória. Quando aplicada de forma intermitente, em
pacientes com síndrome da hipoventilação por obesidade, o objetivo é limitar
mudanças na oxigenação e eliminação do CO2, acarretadas pelo somo ou posturas
inadequadas, e suas sequelas patológicas, através da sustentação da via aérea
superior, aumentando o volume pulmonar e a ventilação alveolar. No edema
pulmonar cardiogênico, o objetivo é melhorar a oxigenação, reduzir o trabalho
respiratório e aumentar o débito cardíaco.
FIGURA 1. Quando a PaCO2 é aumentada, e a ventilação
minuto está normal ou aumentada, os músculos respiratórios estão falhando em
gerar ventilação alveolar suficiente, para eliminar o CO2 que está sendo
produzido. Meios para correção desta patofisiologia incluem a melhora da ventilação
alveolar, através do aumento do VT/FR, e redução da produção de CO2, pela
diminuição do trabalho respiratório. A falência da musculatura respiratória
pode ocorrer quando o trabalho respiratório é normal ( problemas
neuromusculares agudos ou crônicos), ou aumentado (DPOC, asma, ou síndrome da
hipoventilação por obesidade),e presumivelmente pela oferta inadequada de
oxigênio para os músculos (aproximadamente 1/3 dos pacientes com edema pulmonar
cardiogênico). Quando a PaCO2 é aumentada, e a ventilação minuto é baixa, o
nível de consciência é, geralmente, alterado. Estes pacientes, normalmente,
requerem intubação para proteção da via aérea, além da assistência
ventilatória, a menos que a hipercapnia possa ser revertida dentro de poucos
minutos.
FIGURA 2. A hipoxemia
se desenvolve como resultado de hipoventilação alveolar (que é acompanhada por
aumento da PaCO2, e está mostrada na figura 1) e por perfusão indo para áreas
onde a razão entre a ventilação alveolar (Va) e a perfusão (Q) é <1 (baixo
Va/Q, ou em extremo, shunt, onde a perfusão vai para áreas não ventiladas). A
hipoxemia é tratada pelo aumento da FiO2 ( quanto mais baixa a Va/Q, menor o
efeito), e pelo recrutamento de espaços aéreos. O "desrecrutamento"
de espaços aéreos ocorre quando a pressão transpulmonar cai, abaixo da pressão
de colapso do espaço aéreo ou da pressão de fechamento (como ocorre em
numerosas condições que alteram o surfactante, ou diminuem a complacência
pulmonar), e quando a pressão transpulmonar, aplicada durante a inspiração, falha
em exceder a pressão de abertura da via aérea. Desta forma, a abertura do
espaço aéreo pode ser facilitada pelo aumento da pressão transpulmonar,
aplicada ao final da expiração (CPAP) e ao final da inspiração (IPAP). Um
benefício adicional, da CPAP e da IPAP, pode ser visto em pacientes com edema
pulmonar cardiogênico, a medida que reduzem o retorno venoso, reduzindo,
funcionalmente, o pós-carga do ventrículo esquerdo.
·
Determinar como a VNI pode ser um método valioso
na prática clínica
As razões, clínicas e
fisiológicas, para a utilização da VNI sugerem que ela possa ter efeitos
vantajosos (evita a intubação) e/ou não (falha na oxigenação adequada). Desta
forma, a VNI pode diminuir (reduzir a necessidade de internamento em UTI) ou
aumentar (custos com o treinamento da equipe e aumento do tempo com cuidados
com o paciente) a utilização de recursos financeiros. Estes efeitos potenciais
irão determinar quando a VNI é um método valioso, sendo necessária uma
abordagem cuidadosa sobre a epidemiologia das populações alvo, efeitos e
custos, e o rigor com que estes estudos devem ser realizados.
·
Epidemiologia e potenciais populações alvo para a
VNI
A maioria dos dados clínicos
são derivados de testes intervencionistas, que normalmente não oferecem
registro sobre os pacientes excluídos. Relatos de dados, não testados,
detalharam o número de candidatos da VNI (numerador) sem relatar o número de
casos (denominador). Entretanto, um estudo de um único centro, no Reino Unido,
sugeriu que mais de 20% dos pacientes hospitalizados, com DPOC, poderiam ser
candidatos à VNI. Em segundo lugar, uma revisão da VNI em uso em 42 UTI, na
França, Suíça e Espanha mostrou que a VNI foi utilizada, antes da VM, em 16%
dos casos. Por último, uma revisão em hospitais do Reino Unido mostrou que 52%
não tinham capacidade de oferecer VNI, e 68% dos que a utilizavam, o faziam em
menos de 20 pacientes ao ano. Não existem dados sobre o uso em UTI cirúrgicas,
e quase nenhuma informação sobre o uso da VNI, em pacientes que não os DPOC.
·
Resultados e Custos de pacientes internados
Os resultados de testes, com
pacientes internados, têm abordado, principalmente, as taxas de entubação
endotraqueal, pneumonia, tempo na UTI ou de hospitalização, e mortalidade,
assim como o conforto do paciente, aceitação e tolerância. Os critérios para a
intubação têm sido variados, incluindo decisões subjetivas, assim como decisões
de médicos não diretamente envolvidos com o teste. Os critérios para o
diagnóstico de pneumonia associada à VM, ou para a alta hospitalar, têm sido
inespecíficos, e a tolerância e conforto não foram objetivamente definidos.
Para determinar o valor econômico, os custos deveriam ser abordados para
mostrar se a VNI é efetiva, em relação aos custos (após determinar a
efetividade), ou menos custosa (após demonstrar equivalência). Um estudo de
custo-benefício, do Reino Unido, mostrou que a VNI, em DPOC, diminuiu os custos
e a mortalidade, quando comparada com os cuidados padrão, apesar do grupo
controle ter apresentado alta mortalidade. Estudos sobre os custos da VNI têm
alertado para a necessidade de considerar muitos custos, incluindo aqueles
associados com o treinamento e educação do paciente, tempo gasto, e capital
para comprar os equipamentos, assim como gastos indiretos com os cuidados de
saúde. Perda de salário, dor e sofrimento, e custos de tratamento após a alta,
após certo período de tempo, também são relevantes.
·
Estudo tece considerações sobre a avaliação das questões
2-5
Importantes advertências, a
respeito do modelo usado para avaliar as recentes intervenções clínicas (tabela
1), são relevantes para a VNI. Primeiro, misturar pacientes, em estudos não
aleatórios, é problemático, especialmente fora da UTI, onde os escores de
severidade da doença não são utilizados. Em segundo lugar, processos pequenos e
heterogêneos de mistura aleatória podem falhar em distribuir, igualmente, as
variáveis que causam confusão. Em terceiro lugar, a intervenção pode ter
efeitos adversos não detectáveis, em diferentes subgrupos de estudo, diminuindo
a mortalidade geral, mesmo quando há aumento da mortalidade em algum subgrupo.
Em quarto lugar, por todos estes estudos, que utilizam a VNI, não poderem ser
"duplo-cegos", os resultados podem ser influenciados por intervenções
como o aumento dos cuidados e da supervisão (maior contato com o paciente). em
quinto lugar, os testes com VNI e os resultados podem envolvem elementos
subjetivos. Padronizar a abordagem (usado em alguns estudos) e empregar
observadores "cegos", pode ajudar. Finalmente, muitos estudos têm
utilizado testes de um único centro, conduzidos por investigadores com
experiência significativa no uso da VNI, e podem estar superestimando a
efetividade do uso rotineiro desta modalidade ventilatória.
·
Conclusões
-
A
patofisiologia das condições, que levam à falência respiratória aguda,
hipercápnica ou hipoxêmica, pode ser amenizada por intervenções disponíveis no
contexto da VNI.
-
Dependendo
da condição específica que levou à falência respiratória, existe uma razão para
a aplicação de assistência inspiratória e/ou PEEP.
-
Se a
ventilação alveolar e oxigenação adequadas puderem ser oferecidas com
segurança, a VNI tem o efeito potencial de reduzir a morbidade e,
possivelmente, a mortalidade, associadas à falência respiratória hipercápnica
ou hipoxêmica.
-
Apesar
dos estudos clínicos, sobre VNI, estarem sendo cuidadosamente conduzidos,
limitações metodológicas afetam a interpretação das evidências atuais.
·
Recomendações
1.Para melhor entender a
patofisiologia, os estudos devem abordar:
-
a
importância relativa da assistência ventilatória contra a pressão ao final da
expiração, no tratamento das exacerbações agudas da asma, DPOC, e edema
cardiogênico.
-
Meios de
identificação rápida de pacientes que poderiam ter melhoras com a VNI
(possibilidade de mudanças no volume corrente).
-
Como as
diferenças fisiológicas, entre a asma e a DPOC (como recuo elástico), alteram a
resposta à VNI.
2. Futuras informações devem
ser conseguidas, no que diz respeito à epidemiologia das potenciais populações
alvo, especialmente em termos de incidência e definição do caso.
QUESTÃO 2: Qual equipamento e quais modos ventilatórios devem ser utilizados ?
A implementação ótima da VNI
envolve a escolha da interface apropriada (máscara), conectada a um ventilador
adequado para o ambiente operacional e capaz de ofertar misturas (ar-oxigênio)
com variação de fluxo e pressão. Monitorar a resposta do paciente envolve
equipamentos adequados e uma equipe treinada. O manejo inexperiente do
equipamento ou do modo ventilatório pode ser responsável pelo insucesso da
técnica.
·
Interface
A interface, com o paciente,
mais comumente usada é a máscara facial ou nasal, seguradas firmemente, mas não
apertada, com uma alça ao redor da cabeça. A máscara facial oferece maior
pressão ventilatória com menos perda de ar, requer menos cooperação do
pacientes, e permite a respiração oral. Entretanto, é menos confortável, impede
a comunicação oral e limita a alimentação oral. A máscara nasal necessita de
uma passagem nasal livre, e requer o fechamento oral, para minimizar as perdas
de ar. É mais comumente usada em pacientes com falência ventilatória crônica e,
sob essa condição, tende a ser mais tolerada. As perdas de ar ao redor da
máscara, ou pela boca, limitam a eficácia do aparelho, dificultando o
monitoramento do volume corrente, e representa uma importante causa de
insucesso. As perdas ainda indicar baixa complacência, ou fechamento
ventilatório na capacidade pulmonar total. Ambos equipamentos podem levar à
necrose por pressão da pele, abaixo da máscara, nas asas do nariz. Evitar esta
complicação requer muita atenção, uso de materiais acolchoados, e períodos de
descanso onde são usados travesseiros nasais ou a máscara de oxigênio
convencional. Grandes máscaras de VNI aumentam o espaço morto, e devem ser
empregados circuitos como o duplo tubo, para e o ar expirado não seja inspirado
novamente. A umidificação inadequada pode causar desconforto, especialmente se
é usado cilindro de gás. Outras complicações incluem a distensão gástrica ou
claustrofobia. O apoio ventilatório deve ser introduzido gradualmente,
começando com a CPAP e adicionando pressão de suporte, quando necessário. O
processo deve ser controlado por um profissional experiente, observando a
resposta e conforto do paciente, usando a aplicação manual por máscara, em primeiro
lugar, para minimizar a sensação de claustrofobia.
·
Modos Ventilatórios
A VNI pode ser aplicada com
ventiladores, pré-selecionados, geradores de pressão ou volume. A CPAP é
ofertada através de um gerador de fluxo, com fonte de alta pressão, ou usando um
compressor portátil. A CPAP, apenas, pode ser aplicada em várias formas de FRA
hipoxêmica, permitindo que o paciente respire espontaneamente. Nos modos
limitados à pressão, o volume corrente pode variar. Quando não existe esforço
inspiratório, ou este é insuficiente para disparar o ventilador, a frequência
respiratória e a razão I:E pode ser selecionada pelo profissional (ventilação
por pressão controlada, PCV). Durante a ventilação com pressão de suporte
(PSV), o ventilador é disparado pelo paciente e ciclado para a expiração quando
o fluxo inspiratório cai abaixo de um limite pré-selecionado, ou tempo
selecionado. Estes modos podem ser aplicados por ventiladores convencionais, ou
através de um gerador de dois níveis de pressão, que oferece um CPAP de alto
fluxo e cicla entre a alta pressão inspiratória e a baixa pressão expiratória.
Estes aparelhos detectam, de forma confiável, o esforço inspiratório, mesmo que
haja perda de ar. Modernos ventiladores das UTI podem ainda permitir a
ventilação com pressão bifásica, alternando duas pressões, em intervalos fixos,
permitindo a respiração não restrita nos dois níveis. A VNI pode ser utilizada
com modos limitados à volume. Durante a VNI ciclada à volume, o ventilador
oferta um VT selecionado, para cada respiração, e a pressão de insuflação pode
variar. O modo assisto-controlado (A/C) assegura que o VT seja disparado ou
imposto, a depender da magnitude do esforço inspiratório. A respiração
espontânea pode ser assistida através da ventilação com volume de suporte, um
modo onde o ventilador ajusta a pressão inspiratória, para ofertar um VT
selecionado, em resposta a um esforço inspiratório. Na ventilação proporcional
assistida (PAV), o ventilador gera pressão e volume, proporcionais ao esforço
do paciente, facilitando o padrão ventilatório que mistura demanda metabólica,
respiração a respiração. A PAV otimiza a interação paciente-ventilador, através
da transferência da responsabilidade, de guiar o padrão respiratório, do
profissional para o paciente. Até o momento, não existem dados conclusivos
específicos que recomendem o uso da PAV em VNI.
·
Aplicações
Todos os modos apresentam
vantagens e limitações teóricas. A ventilação ciclada a volume pode ser usada,
de forma segura, em pacientes com mudança da impedância respiratória. Ao
contrário, não sendo limitada a pressão de pico com a máscara, quando usamos
modos controlado à volume, eles são mais suscetíveis aos escapes de ar,
distensão gástrica, úlceras de pressão e necrose da pele. Provando que a
complacência pulmonar permanece constante, a PSV pode assegurar uma ventilação
confiável, minimizando os efeitos colaterais, aumentando o conforto do
paciente. entretanto, as perdas de ar podem ser responsáveis pelo fluxo
inspiratório prolongado, secundário à assincronia entre paciente e o ventilador
e o esforço expiratório. Modos ciclados à pressão ou tempo podem superar estes
problemas. Durante a ventilação assistida, sistemas de disparo sensíveis, com
menor tempo de resposta, diminuem o trabalho respiratório e aumentam a sincronia
entre o paciente e o respirador. Até o momento, os sistemas disparados a fluxo
parecem ser superiores aos sistemas disparados à pressão.
Todos os modos de VNI têm sido utilizados para atingir
benefícios, fisiológicos e clínicos, significantes. Na FRA, secundária a
agudização de DPOC, a PSV, A/C, e PAV, todas têm melhorado a ventilação minuto,
frequência respiratória e hemogasometria arterial, enquanto repousam a
musculatura respiratória e aliviam o desconforto respiratório. As modalidade
controladas à pressão e volume parecem reduzir a carga inspiratória, melhor que
a PSV. A adição de PEEP age contra o efeito da PEEP intrínseca (PEEPi),
reduzindo o esforço diafragmático e o consumo de oxigênio. Estudos clínicos
sobre a FRA hipoxêmica, de diferentes etiologias, indicam que a VNI pode
melhorar a gasometria arterial, a FR, a dispnéia, e o uso da musculatura
acessória. No edema pulmonar cardiogênico agudo (CPE), o CPAP de máscara
diminui a FR, corrige a acidose respiratória, e melhora a hemodinâmica. Outros
modos ventilatórios, incluindo a PSV, são igualmente eficazes na redução do
trabalho respiratório e melhora das variáveis fisiológicas, mas podem estar
associados com efeitos hemodinâmicos adversos.
Poucos estudos examinaram as
diferenças entre os vários modos de VNI, em termos de resposta fisiológica. Na
agudização hipercápnica da DPOC, dois estudos falharam em encontrar diferenças
clínicas, nos resultados e gasometria arterial, entre pacientes ventilados com
modos A/C E PSV. Ambas as modalidades melhoram o padrão respiratório e geram
repouso da musculatura respiratória. A ventilação, no modo A/C, produz uma
menor carga respiratória, mas maior desconforto respiratório, e mais frequente
perda do controle da respiração, e têm menor capacidade de compensar as perdas
pela máscara que a PSV. Na ausência de evidências que favoreçam um modo
ventilatório específico, a escolha deve ser baseada na experiência local e
familiaridade, determinada pela etiologia, estágio e severidade do processo
patofisiológico responsável pela FRA. Modos controlados podem ser preferíveis,
em pacientes com desconforto respiratório grave, drive ventilatório instável ou mecanismo respiratório, apnéias e
hipoventilação. Em outras condições, os modos assistidos podem ser
implementados com segurança.
·
Tipos de Ventilador e alarmes
A VNI pode ser oferecida,
satisfatoriamente, através de um ventilador portátil ou ventiladores
específicos de UTI. Uma escolha que deverá ser feita por profissionais
experientes, baseada nas condições do paciente e nas necessidades terapêuticas,
e, muito importante, de acordo com a localização da terapia. Dado que os riscos
de intubação endotraqueal subsequente, pode ser tão alta quanto 40%, na FRA
hipoxêmica, estes pacientes devem ser tratados em uma área onde os profissionais
e equipamentos da UTI sejam de fácil acesso. A seleção e ajuste dos alarmes são
determinados pela escolha dos modos regulados à pressão ou a volume. Sabendo
que a existência de perdas de ar são associadas a maior incidência de falência,
a monitoração das perdas é obrigatória para otimizar os parâmetros
ventilatórios e para a implementação prática da VNI.
·
Monitoração
Os níveis de monitoração
devem ser determinados pela condição do paciente e local dos cuidados. A
abordagem clínica (conforto do paciente, uso de musculatura acessória, presença
ou ausência de respostas de estresse) assim como a cianose, taquicardia,
taquipnéia e sinais vitais convencionais (pressão sanguínea, nível de
consciência) devem ser monitorados. A análise da hemogasometria arterial deve
ser requerida como documento de déficit basal e PaCO2; a oximetria de pulso
deve ser usada para o monitoramento contínuo da oxigenação. Pacientes com
hipoxemia aguda, acidose persistente, ou envolvimento de sistema não
respiratório, ou aqueles cujas condições
estão em deterioração, requerem um nível maior de monitoramento, que pode
incluir o acesso venoso central e a canulação arterial.
·
Conclusões
- Não
existem evidências que apóiem o uso de interfaces específicas para um tipo de
paciente em particular. A experiência clínica sugere que a máscara facial
melhora a eficácia, através da redução dos escapes, e são mais apropriadas para
uso nos casos de FRA hipoxêmica grave.
-
Para ser
efetivamente iniciada, em todas as áreas clínicas, diversos tipos de interface
devem estar disponíveis, para uso imediato.
-
A escolha
do modo deve ser baseada na experiência local e familiaridade, considerando a
etiologia e severidade do processo patofisiológico responsável pela FRA.
-
Os
parâmetros ventilatórios devem ser ajustados para promover as menores pressões
inspiratórias ou volumes, necessários para produzir aumento do conforto do
paciente (diminuição da FR e da descanso para a musculatura respiratória) e
melhora das trocas gasosas.
-
O tipo de
ventilador, e o nível de monitoramento, devem ser determinados pela severidade
da doença e local do atendimento.
·
Recomendações
A pesquisa em tecnologia
para saúde, nesta área, deve focalizar melhoras na interface
paciente-ventilador, avaliação de diferentes modos ventilatórios, e no
desenvolvimento de sistemas que adaptem, automaticamente, a assistência
ventilatória às mudanças nas condições do paciente.
QUESTÃO 3: Quem
deve administrar a VNI e em que local?
Apesar da maioria dos
estudos terem sido conduzidos em unidades intensivas ou unidades de cuidados
respiratórios, a VNI (ao contrário da VM invasiva) gera a oportunidade de
ofertar suporte ventilatório em qualquer lugar. A VNI não precisa ser utilizada
continuamente para ser efetiva, podendo ser iniciada nos estágios iniciais da
FRA, e administrada por pequenos aparelhos portáteis. Potencialmente, a VNI
pode ser administrada nos departamentos de emergência, unidades
semi-intensivas, ou em setores de cuidados respiratórios gerais, por médicos,
enfermeiras ou técnicos em cuidados respiratórios. Os benefícios potenciais, do
uso fora da UTI, incluem a intervenção precoce, para prevenir futura
deterioração respiratória, gerar suporte respiratório para pacientes que, por
outro motivo, não seria admitido na UTI, e promover o suporte em um ambiente
menos intimidativo. O local onde a VNI é melhor aplicada depende da muitos
fatores, específicos de cada unidade, como a experiência da equipe,
disponibilidade de recursos (número de leitos, pessoal e equipamentos
técnicos), e da etiologia da FRA e severidade da doença, o que determinará a
probabilidade de sucesso da VNI. A seleção dos pacientes que podem se
beneficiar com a VNI é baseada na avaliação inicial e/ou na resposta em uma
tentativa de curto prazo. Depois é necessário uma equipe habilidosa, e
monitoramento adequado para evitar a demora na instituição de suporte invasivo,
quando a VNI falha. Nas primeiras horas, cada paciente deve ser monitorado por
uma enfermeira, terapeuta respiratório ou médico. Os parâmetros monitorados
devem incluir a saturação, gasometria arterial (PaO2 e pH), sinais vitais,
conforto do paciente, escapes de ar pela máscara, e capacidade do paciente em
expectorar secreções. A falha na resposta à VNI deve ser caracterizada pela
persistência de gasometria arterial anormal, padrão respiratório e frequência,
e desenvolvimento de instabilidade hemodinâmica ou encefalopatia, e a
dificuldade em tolerar o equipamento. O local ideal para internar pacientes com
VNI depende da capacidade de monitoramento adequado, habilidade da equipe e
experiência em explicar os procedimentos, conhecimento sobre o equipamento
utilizado e consciência das potenciais complicações. A frequência de sucesso da
VNI é muito parecida quando compara-se testes clínicos, realizados em cenário
de pesquisa, com aqueles realizados por equipes comuns. Da mesma forma, estudos
não controlados, de observação, em hospitais escola, e uma revisão prospectiva
de 42 UTI européias, indicaram que 60-65% dos pacientes, com várias formas de
FRA, podem ser tratados, com sucesso, com a VNI.
·
Indicação da VNI no Departamento de Emergência
Análises retrospectivas, estudos não
controlados, e alguns testes controlados, indicaram que a VNI pode ser
iniciada, com sucesso, no departamento de emergência (ED). Da mesma forma, os
testes mostraram benefícios da VNI, no edema pulmonar cardiogênico, incluíram
pacientes que iniciaram o CPAP na emergência. Um único estudo negativo,
controlado e aleatório, com a VNI na emergência, mostrou uma tendência no
aumento da mortalidade, apesar do estudo apresentar muitas limitações no
método.
·
Administração de VNI em unidades gerais
Em um teste, aleatório e
controlado, conduzido em uma unidade de terapia semi-intensiva, a VNI levou à
redução da necessidade de intubação e da duração da estadia, quando comparada
ao tratamento padrão, para pacientes com DPOC e pneumonia adquirida na
comunidade. Estudos observacionais, e de caso controlado, indicam que a VNI,
utilizada no cenário respiratório geral, pode reduzir a necessidade de
intubação. Muitos estudos controlados, com pacientes com agudização de DPOC,
apresentaram resultados mistos.
Em um teste multicêntrico,
com pacientes com agudização da DPOC (pH= 7.25, PaCO2> 45mm Hg, FR> 23),
a VNI foi iniciada e mantida pela equipe, de acordo com protocolo restrito e
após treinamento extensivo. Usando um critério de definição prospectivo, a VNI
pode reduzir a necessidade de intubação e a mortalidade hospitalar. Em uma
análise de um subgrupo, pacientes com pH< 7.3, após 4h de terapia,
apresentaram um prognóstico pior que os vistos em estudos comparativos,
conduzidos em UTI.
·
Influência da VNI na carga de trabalho
Um relatório recente, não
controlado, indicou que a VNI criava uma carga trabalho excessiva para as
enfermeiras da UTI. Investigações controladas subsequentes, incluindo a
avaliação do tempo respiratório do terapeuta, mostrou que não era este o caso.
Quando a ventilação invasiva e a VNI foram comparadas, não foi encontrada
diferença entre o tempo gasto ao lado do leito, pelos médicos, enfermeiras ou
terapeutas, durante as primeiras 6h de suporte ventilatório. Nas 42h
subsequentes, menos tempo da enfermagem era requerido para monitorar pacientes
em VNI. Estudos de VNI, administrada na ala respiratória, mostrou que o tempo
das enfermeiras não foi significativamente diferente, quando comparados os
pacientes com VNI e o grupo controle.
·
Conclusões
-
Nenhum
estudo, controlado e aleatório, comparou a VNI iniciada e mantida, na UTI, com
a mesma terapia realizada em outros locais.
-
A VNI
pode ser ofertada, efetivamente, fora do contexto da UTI.
-
Estudos
disponíveis indicam que a VNI pode ser iniciada fora da UTI.
-
A maioria
dos pesquisadores trabalharam com pacientes em UTI ou ambientes equivalentes.
-
O melhor
local depende de fatores específicos, como o treinamento e experiência da
equipe, e de recursos disponíveis (leito, equipe, equipamento), e da capacidade
de monitoramento.
-
A
utilização de VNI não parece aumentar a carga de trabalho das enfermeiras ou
dos terapeutas respiratórios.
·
Recomendações
-
A VNI
pode ser iniciada na emergência, quando a equipe tiver sido adequadamente
treinada.
-
Até que
mais dados estejam disponíveis, a maioria dos pacientes que recebem VNI devem
ser internados em uma UTI, ou dentro de um sistema que permita um alto nível de
monitoramento, com acesso imediato a uma equipe treinada em terapia
respiratória invasiva.
-
Em
pacientes selecionados, com exacerbação de DPOC hipercápnica (pH<7.30), a
VNI pode ser iniciada e mantida, na enfermaria, quando a equipe for treinada e
experiente.
-
Quando a
VNI for iniciada fora da UTI, a falência em melhorar as trocas gasosas, pH, FR,
ou dispnéia, ou deterioração do estado mental ou hemodinâmico, o paciente deve
ser, prontamente, conduzido à UTI.
QUESTÃO 4: Quais são as indicações para VNI em pacientes com FRA (falência
respiratória aguda) ?
As indicações da VNI
dependem dos objetivos da terapia, em pacientes com FRA, no momento da
intervenção. Na ausência de estudos em larga escala, controlados, e com muitos
resultados em diversas populações, a VNI não pode ser indicada,
inequivocamente, em todos os pacientes com FRA. Objetivos terapêuticos
razoáveis, para a VNI, incluem a prevenção de intubação endotraqueal; descanso
para a musculatura respiratória, diminuindo a FR e a sensação de dispnéia, e
aumentando o conforto; melhora da troca gasosa alveolar e, assim, da oxigenação
e da acidose; diminuição da FC e melhora da condição hemodinâmica; diminuição
do tempo de internação na UTI e das complicações associadas, como infecção
nosocomial; diminuição do tempo de hospitalização; e redução da mortalidade.
Com base nestes critérios, a maioria dos pacientes com FRA deveriam ter a
oportunidade de receber VNI, e seu benefícios associados. Entretanto, a
respeito do número de estudos não controlados, porém encorajadores, devem ser
feitas novas pesquisas, controladas, para formar um quadro mais balanceado, com
indicações apropriadas e expectativas de cada técnica. Existe uma crença geral
a respeito das contra-indicações da VNI (tabela 2).
TABELA 2.
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CONTRA-INDICAÇÕES DA VNI
|
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Parada cardíaca ou respiratória
Falência de órgão não
respiratório
- encefalopatia severa (Escala de
Glasgow <10)
- sangramento gastrointestinal
superior severo
- instabilidade hemodinâmica ou
arritmia cardíaca instável
Cirurgia facial, trauma ou
deformidade
Obstrução de via aérea superior
Incapacidade de
cooperar/proteger a via aérea
Incapacidade de expelir
secreções respiratórias
Alto risco para aspiração
|
·
VNI em pacientes com FRA por hipoventilação
Em um estudo aleatório,
pacientes com agudização da DPOC, levando à hipoxemia e hipercapnia, receberam
tratamento convencional (TC) ou TC + VNI limitada a volume. Comparados com os
pacientes da TC, os pacientes que receberam VNI mostraram melhoras
significativas no pH e PaCO2, na primeira hora de tratamento. nenhum dos
pacientes, aleatoriamente selecionados para a VNI, necessitaram de intubação; e
sua taxa de mortalidade, aos 30 dias, foi significativamente mais baixa. Dois
outros estudos dividiram, aleatoriamente, pacientes com DPOC agudizada, entre a
PSV com máscara facial e terapia padrão. Ambos relataram melhorar
significativas nos sinais vitais e redução da taxa de intubação, diminuição de
outras complicações, e diminuição do tempo de hospitalização e da taxa de
mortalidade, para os pacientes tratados com a VNI. A maior parte das
complicações e mortes, atribuídas ao grupo controle, foram secundárias à
intubação e subsequente necessidade de VM, mas a mortalidade (29%) foi maior
que a relatada em outros estudos. Um
estudo comparou a PEEP + PSV com a terapia padrão, em pacientes
classificados como DPOC ou não. A taxa de intubação foi significativamente
menor com a VNI, comparada à terapia padrão, apesar da taxa de mortalidade, na
UTI, ter sido similar para ambos os grupos, quando analisamos pacientes com FRA
hipoxêmica. Estado asmático, moderado e severo, pode resultar em falência
respiratória. Entretanto, existem poucos (não controlados) estudos comparando a
CPAP e a PSV, e a oferta de mistura de
hélio e oxigênio, que mostram ter efeitos benéficos na redução de intubação e
melhora das trocas gasosas.
·
VNI em pacientes com FRA por hipoxemia
Três estudos, aleatórios,
testaram a hipótese de que a VNI preveniria a intubação, em pacientes com FRA
hipoxêmica, ao comparar com os que receberiam tratamento médico relacionado à
etiologia da FRA, com suplementação de oxigênio. O primeiro achado foi anão
redução das taxas de intubação, tempo na UTI e mortalidade, em pacientes
tratados com VNI, apesar do uso em um grupo de pacientes, com PaO2<45 mm Hg, ter sido associado
a uma diminuição significativa da intubação e mortalidade. Entretanto, no grupo
de pacientes com pneumonia, escolhidos aleatoriamente para receber VNI, todos
necessitaram de intubação. Outro estudo relatou que a VNI estava associada com
redução significativa da taxa de intubação e período na UTI. Contudo, a VNI não
alterou a duração da hospitalização ou mortalidade de pacientes internados, nos
casos de FRA secundária à pneumonia adquirida na comunidade. Em pacientes com
FRA hipoxêmica, após transplante de órgão, a VNI resultou em menores taxas de
intubação, menores complicações fatais e redução do tempo de UTI e na
mortalidade. Entretanto, a mortalidade hospitalar não diferiu entre o
tratamento com VNI e o padrão. A VNI também
foi comparada com o suporte ventilatório invasivo, em pacientes com FRA
hipoxêmica. A VNI obteve a mesma eficácia na melhora das trocas gasosas, mas
esteve associada a menores complicações e menor tempo na UTI. Os pesquisadores
recomendam que a VNI possa ser um substituto para a ventilação invasiva, nestes
pacientes.
·
VNI em pacientes com edema pulmonar cardiogênico
Dois estudos, controlados e
aleatórios, mostraram que a CPAP (10-15 cm H2O), administrada por máscara facial,
melhorou rapidamente os sinais vitais e a oxigenação, e reduziu a necessidade
de intubação, em pacientes com edema pulmonar agudo. Mais recentemente, o uso
da CPAP + PSV têm mostrado aumentar a taxa de infarto do miocárdio, em
pacientes com edema pulmonar cardiogênico, apesar dos pacientes deste grupo
terem maiores taxas de angina, quando comparados a pacientes tratados apenas
com CPAP.
·
Conclusões
-
Existem
controvérsias, significativas, em relação à indicação exata da VNI, em
pacientes com FRA hipoxêmica.
-
A adição
da VNI, ao tratamento médico padrão, de pacientes com FRA, pode evitar a
intubação, e reduzir a taxa de complicações e mortalidade, em pacientes com FRA
hipercápnica.
-
Alguns
estudos controlados, e aleatórios, apoiam o uso da VNI como tratamento
adequado, em subgrupos selecionados, de pacientes com FRA. Um único estudo
mostrou que a VNI seria uma alternativa adequada, à ventilação convencional,
nestes pacientes. Mais estudos são necessários para confirmar este achado.
-
Estudos
maiores, e controlados, são necessários para determinar os benefícios
potenciais de se adicionar a VNI ao tratamento médico convencional, para evitar
a intubação, em pacientes com FRA hipoxêmica.
·
Recomendações
-
Pacientes
hospitalizados, por agudização da DPOC, com rápida deterioração clínica,
deveriam ser considerado aptos para receber a VNI, para evitar futuras pioras
na troca gasosa, trabalho respiratório e necessidade de intubação.
-
A
aplicação da CPAP, por máscara facial, em adição ao tratamento médico
convencional, pode melhorar as trocas gasosas e o estado hemodinâmico, e evitar
a intubação, em pacientes com enfisema pulmonar crônico.
-
São
necessários estudos, controlados e aleatórios, que comparem diretamente a
abordagem ,dentro e fora da UTI, de pacientes com falência respiratória
hipercápnica.
QUESTÃO 5: Quais são as outras indicações da VNI nos ambientes de terapia
intensiva?
Dados sugerem que novas
indicações da VNI podem incluir a assistência no desmame e a prevenção de nova
intubação, o suporte de pacientes com exacerbações agudas de cirurgia cardíaca
aberta, no período peri-operatório, e em pacientes que não serão intubados.
·
Uso durante o desmame e para prevenir a
reintubação
A pneumonia nosocomial é
comum (25%) em pacientes mecanicamente ventilados, por mais de 3 dias, e tem
efeitos adversos sobre os resultados e custos. Ao contrário, alguns pacientes
requerem reintubação, após o desmame, o que é um fator de risco para a
pneumonia nosocomial, e pode representar um fator de prognóstico adverso
independente. Dois testes aleatórios, realizados na Europa, investigaram estes
assuntos, em pacientes com agudização de falência respiratória hipercápnica
crônica. Após a intubação, e VM convencional, por um período de 2-6 dias, e
após falência do teste em tubo T, os pacientes eram divididos, aleatoriamente,
para receber desmame padrão, usando PSV via tubo endotraqueal, ou para ser
extubado em VNI. Ambos estudos mostraram uma diminuição, significativa, no
período de VM, quando utilizaram a abordagem não invasiva, mas apenas um
revelou um aumento significativo na sobrevida após 3 meses, provavelmente pela
diminuição das taxas de pneumonia nosocomial. Os dois estudos foram restritos a
uma população selecionada, de pacientes com DPOC, e outros tipos de pacientes
intubados não foram investigados. A falha na extubação e necessidade de
reintubação não são problemas clínicos infreqüentes, no cenário da UTI. Os
fatores relacionados com altas taxas de pneumonia e mortalidade, nesta
população, permanecem não identificados, mas a instabilidade entre a extubação
e a reintubação pode ser responsável. Se este período é prolongado, aumenta a
possibilidade de complicações e morte. Tendo em mente a importância deste
assunto, a instituição precoce da VNI, nesta população, se torna teoricamente
atrativa. Assim, a VNI pode ser, potencialmente, aplicada após a extubação, na
maioria dos pacientes em UTI. Estudos prospectivos, controlados, parecem
confirmar a utilidade da VNI nos casos de falha da extubação, apesar de estudos
randomizados, e controlados, não terem encontrados benefícios gerais. A VNI
pode ser efetiva em pacientes que sofrem extubação não planejada, o que ocorre
em 3 a 13%
dos pacientes intubados.
·
Síndrome da Hipoventilação por Obesidade
Testes observacionais
sugerem que a VNI é efetiva, na Síndrome da Hipoventilação por Obesidade. Se os
pacientes apresentam apnéias obstrutivas severas, a CPAP nasal e oxigênio, ou
BIPAP, são indicados. Se a hipoventilação com apnéias centrais, ou perfil
hipopnéico, estão presentes, a VNI a volume é o suporte de escolha e mais
seguro.
·
Pacientes julgados "não deverem ser intubados"
O uso da VNI pode ser
justificado, em pacientes selecionados, que não serão intubados, com uma causa
reversível de FRA. A VNI pode oferecer conforto ao paciente e interação entre o
médico e o paciente, durante a terapia para reversão da FRA. Estudos avaliando
a eficácia clínica da VNI, em pacientes que não serão intubados, são
retrospectivos ou prospectivos e não controlados. Estes estudos sugerem que a
VNI pode reduzir a dispnéia, e preservar a autonomia do paciente, dados os
cuidados e a aplicação seletiva.
·
Pacientes cirúrgicos
Estudos controlados e
aleatórios, com várias formas de VNI, aplicadas após revascularização
miocárdica, mostraram melhoras nas trocas gasosas e na mecânica pulmonar, e
diminuição do conteúdo de líquido pulmonar extravascular, mas não houve
modificação da prevalência de atelectasia. O impacto destes efeitos, sobre os
resultados clínicos, não foi tão claro. Da mesma forma, após cirurgia torácica,
para ressecção pulmonar ou escoliose, o BIPAP em VNI mostrou benefícios fisiológicos,
a curto prazo, nas trocas gasosas, sem efeitos hemodinâmicos significativos. A
VNI foi bem tolerada, mas nenhum ponto clínico final foi investigado. Após
cirurgia abdominal superior, a VNI (CPAP por máscara) aumentou o volume
pulmonar, mais rapidamente, e diminuiu a atelectasia, 72h após a cirurgia,
quando comparada à terapia convencional. Em obesos mórbidos, após gastropastia,
a VNI com BIPAP melhorou, significativamente, a oxigenação arterial, no 1°DPO,
um benefício fisiológico associado a um restabelecimento mais rápido da função
pulmonar. Em casos de transplante de órgãos, com pacientes com falência
respiratória hipoxêmica, a VNI reduziu as taxas de intubação, a incidência de
complicações fatais, o tempo na UTI dos sobreviventes, e a mortalidade da UTI,
quando comparado com apenas a oferta de oxigênio suplementar. A mortalidade
hospitalar não diferiu, entre os dois grupos.
·
Conclusões
-
O
encurtamento do tempo de desmame, e a prevenção de reintubação, representam
indicações promissoras para a VNI.
-
A VNI é
benéfica no tratamento da FRA, em pacientes com Síndrome da Hipoventilação por
Obesidade.
-
A VNI
pode melhorar o conforto e atingir outros objetivos a longo prazo.
-
A VNI, em
pacientes de pós-operatório, tem o poder de melhorar muitos parâmetros fisiológicos,
sem sérios efeitos colaterais aparentes. De que forma a VNI pode modificar, de
forma relevante, os resultados clínicos, nestes pacientes, ainda é pouco claro
e requer mais investigações.
·
Recomendações
Devem ser realizados
estudos, controlados e randomizados, com relação aos pontos finais dos
resultados clínicos, e com avaliação custo-benefício, sobre a diminuição do
tempo de desmame, prevenção de reintubação, sobre a exacerbação da Síndrome da
Hipoventilação por Obesidade, e em grupos específicos de pacientes
pós-operatórios.
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