quarta-feira, 21 de maio de 2014

A POSTURA CORPORAL ADOTADA POR MULHERES COM SÍNDROME DE FRIBROMIALGIA



CAROLINE MATTOS DE MEDEIROS
MAYRA JORGE DE CAMPOS




A POSTURA CORPORAL ADOTADA POR MULHERES COM SÍNDROME DE FRIBROMIALGIA





Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção dos créditos da disciplina de Trabalho de Iniciação Cientifica do Curso de Fisioterapia da Universidade do Vale do Itajaí, Campus Biguaçu (SC).
                                                                   Orientadora: Prof. MSc. Ana Lígia Oliveira.





Biguaçu
2009
CAROLINE MATTOS DE MEDEIROS
MAYRA JORGE DE CAMPOS



A POSTURA CORPORAL ADOTADA POR MULHERES COM SÍNDROME DE FRIBROMIALGIA


Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial, para conclusão do Curso de Bacharelado em Fisioterapia, da Universidade do Vale do Itajaí (Biguaçu).


Banca Examinadora:


Orientadora:       __________________________________________________
                             Profª Ms. Ana Ligia de Oliveira


Banca:                __________________________________________________
                             Profª Esp. Juliana Jaques Vidotto


Banca:             ___________________________________________________
                            Profª Vera Lígia Bento Galli


Biguaçu, 2009
AGRADECIMENTOS


Agradecemos a Deus por ter nos dado os dons da sabedoria, da paciência e da fé.
Agradecemos a nossos pais, por estarem sempre nos incentivando a continuar, a perseguir nossos objetivos e a realizá-los com muita dedicação.
Aos amigos pelos conselhos, pelas brigas, por muitas vezes terem entendido nossa ausência, pelas festas, pelas risadas e acima de tudo pela parceria, pelo desejo de estarmos juntos realizados.
Aos professores da UNIVALI por terem preenchido nossa ânsia pelo saber, pelo querer sempre mais.
                                          Obrigada.











































“Sonhos fazem parte de nosso cotidiano .
 Para atingi-los é fundamental acreditar em si próprio
e em todos quantos possam nos
direcionar para novos caminhos”


Horacio de Benedicto Filho

RESUMO



A Síndrome da Fibromialgia é caracterizada como um conjunto de sinais e sintomas sem causa comprovada, onde esta possui uma série alterações tais como: dores musculares difusas, fadiga, cansaço e dor em pontos dolorosos específicos sob pressão. A causa desta síndrome possui uma origem desconhecida. As dores musculares se caracterizam por serem mantidas e de difícil alivio gerando comportamento músculo-esquelético para se proteger da dor, acarretando em alterações posturais das pessoas que a portam. Daí construiu-se esse estudo com o objetivo de conhecer a postura corporal adotada por mulheres com Síndrome de Fibromialgia. E especificamente; avaliar a postura corporal adotada por mulheres com Síndrome de Fibromialgia, orientar estas mulheres durante a avaliação com relação aos cuidados com a sua postura corporal, obter dados a respeito da postura adotada por estas mulheres, para sistematização de programa de educação em saúde com este grupo. As mulheres deste relato foram orientadas a vestirem as roupas para que se procedesse à avaliação. Foram colocadas de pé, em cima de um colchonete e descalças, foram avaliadas as vistas anterior, lateral direita e esquerda e vista posterior. Esta avaliação teve uma duração média de 50 minutos, foram avaliadas 30 mulheres com diagnóstico de SFM. Durante a avaliação elas também foram alertadas e orientadas em relação às posturas adotadas e como amenizar os sintomas em suas atividades diárias. Os resultados coletados neste estudo demonstraram uma tendência a postura : aumento da lordose lombar, anteroversão de pelve, varismo de joelhos e tendência borda medial dos pés, inclinação lateral das escapulas, e inclinação lateral do tronco. Há necessidade de dar sequencia ao estudo adotando o mesmo método, para que se tenha uma amostra maior para posteriormente conhecer a postura corporal adotada por uma população maior de mulheres com o diagnóstico desta síndrome.

Palavras chaves: Fibromialgia, dor, Postura Corporal.




 


 



 

ABSTRACT




 

 






SUMÁRIO











1 INTRODUÇÃO



A síndrome da fibromialgia (SFM) é uma doença reumática não articular, que faz parte de um grupo das patologias musculoesqueléticas dolorosas. É considerada uma síndrome porque é identificada mais pelo número de sintomas do que por má função específica. É caracterizada por dor difusa musculoesquelética, rigidez, fadiga, distúrbios no sono, e pontos dolorosos distribuídos pelo corpo. Esses sintomas pioram com o frio e umidade, e geralmente são aliviados com calor, atividade física moderada ou relaxamento muscular (NORM e HANSON, 1998).
 Esta síndrome pode proporcionar uma piora da qualidade de vida para os pacientes em função de alterações clínicas e funcionais que causam prejuízos no âmbito familiar, social e profissional (REIMÃO, 2000; FIGUERÓ, 1999).
A SFM é uma patologia de ordem reumática, porém oculta sintomas psiquiátricos, sendo um dos diagnósticos mais comuns nas clínicas de reumatologia. É estimado que essa síndrome abranja cerca de 15  a 20% dos casos reumatológicos dos pacientes tratados, onde 92 a 98% são da raça branca (MOREIRA e CARVALHO, 1998).
A dor geralmente começa em uma área específica como ombro ou coluna lombar, e depois se estende para todo o corpo. Normalmente há presença de ao menos onze pontos dolorosos, os tender points (pontos sensíveis que ocorrem em músculos ou na junção miotendinosa), à palpação digital, com uma força de aproximadamente 4 kg/cm de uma série de dezoito pontos descritos (MOSMANN, 2006).
As mulheres são as maiores vítimas da fibromialgia. Representam de 70 a 90% dos casos com maior incidência entre 35 e 55 anos de idade (OLIVEIRA, 2006).Observa-se que este corpo feminino que sofre com a SFM passa a adotar uma postura  corporal para se defender da dor ou buscar posições para que a dor não apareça, surgindo assim as compensações posturais para “fugir” da dor.
A postura é a posição do corpo no espaço e fruto de todas as formas e respostas de comportamento físico e emocional, como reação do cropo ao que sentimos , ao que percebemos e a todos os nossos sentidos para ser , estar no ambiente que vivemos
A postura é a  linguagem corporal que representa os sentimentos. Sendo esta expressada pela relação cinemática entre as posições dos complexos articulares do corpo em um dado momento. Em um alinhamento esquelético ideal, espera-se que os músculos, articulações e suas estruturas encontram-se em estado de equilíbrio e harmonia com a nossas emoções (KENDAL. 1995). A partir destas considerações surge a pergunta de pesquisa: “Qual a postura corporal adotada por mulheres com SFM?” E a partir desta pergunta elencamos os seguintes objetivos:













 




 




2 OBJETIVOS





- Conhecer a postura corporal adotada por mulheres com Síndrome de Fibromialgia.




- Avaliar a postura corporal adotada por mulheres com Síndrome de Fibromialgia, através de um instrumento proposto por Marques, (2001).

-Orientar estas mulheres durante a avaliação com relação aos cuidados com a sua postura corporal;

-Obter dados a respeito da postura adotada por estas mulheres, para sistematização de programa de educação em saúde com este grupo.


 

 








3 DESENVOLVIMENTO



A SFM teve seus primeiros relatos em 1850 por Froriep, para ele pacientes com “reumatismo” apresentavam pontos endurecidos em seus músculos, os quais eram dolorosos à pressão. Em 1904, Gowers denominou estas alterações clínicas de fibrosite. Enfatizando a sensibilidade à pressão sobre esses locais dolorosos, ele observou que não havia inflamação local e alterações sistêmicas e relacionou como parte do quadro, a presença de fadiga e distúrbio do sono (MOREIRA e CARVALHO, 1996).
O conceito corrente de fibromialgia foi colocado a partir, principalmente, dos estudos de Smythe e Moldofsky, que em 1970 descreveram certas localizações anatômicas, cognominadas “tender points” (pontos sensíveis), mais dolorosas em portadores da enfermidade do que em controles (MOREIRA e CARVALHO, 1996). Vários mapas têm sido usados para descrever a localização desses pontos (SKARE, 1999).
A definição da Síndrome da Fibromialgia (SFM) como apresentada pelo American College of Rheumatologists (ACR 1990) é a seguinte: 1) Uma história de dor generalizada por pelo menos 3 meses; 2) Dor (com o paciente relatando dor e não apenas sensibilidade) em 11 dos 18 pontos sensíveis quando submetidos à pressão digital envolvendo 4 kg de pressão. As localizações estão todas bilaterais e são situadas: nas inserções musculares suboccipitais; nos aspectos anteriores dos espaços inter-transversos ente C5 e C7; no ponto médio da borda superior do músculo trapézio superior; nas origens do músculo supra espinhal, sobre a espinha escapular; na segunda junção costocondral, na superfície superior, ligeiramente ao lado das junções; dois centímetros distalmente dos epicôndilos laterais dos cotovelos; nos quadrantes superiores externos das nádegas na prega anterior do glúteo médio; posterior à proeminência do grande trocânter (inserção do piriforme); no aspecto médio dos joelhos, no coxim gorduroso próximo a linha articular (CHAITOW, 2002), conforme ilustração 1.
Ilustração 1: Tender points da Fibromialgia
Fonte: Lukawska (2009).
Presença de dor difusa, afetando o esqueleto axial e periférico, acima e abaixo da linha da cintura, por um prazo superior a três meses consecutivos e, no mínimo 11 dos 18 pontos dolorosos (PAIVA, 2007)
Há muitas questões em aberto sobre o conceito de prevenção primária para a SFM. Os critérios de diagnóstico ou de classificação não são universalmente aceitos, e isso leva a dificuldades em estabelecer o início e duração da doença. É citado formas de prevenção da SFM, a saber:
Para Paiva , (2007) existem três formas de prevenção da SFM, a saber: prevenção primária que consiste  no atendimento imediato da dor aguda ou de tratamento para distúrbios afetivos como não temos qualquer laboratório específico ou instrumental testes para determinar fatores de risco da doença.Já na prevenção secundária o objetivo é a detecção precoce da doença quando os pacientes são assintomáticos e grande parte de intervenção melhora os resultados. Rastreio permite a identificação de uma doença ou fator de risco não reconhecido, o que, para potenciais pacientes com SFM, inclui a análise dos pontos dolorosos, Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ), localização e intensidade da dor e fadiga e queixas de sono não reparador (PAIVA, 2007). E na prevenção  terciária,  onde o  objetivo do tratamento é diminuir a dor e aumentar a função multimodal através de estratégias terapêuticas que, na maioria dos casos, inclui farmacológicas e intervenções não-farmacológicas.




A partir dos últimos estudos do Colégio Americano de Reumatologia o diagnóstico da fibromialgia é baseado em critérios de classificação da fibromialgia que consiste inteiramente de sinais e sintomas clínicos. Por razões de diagnóstico distúrbios autonômicos e aspectos mentais têm de ser considerados.
 A SFM é mais freqüente no sexo feminino, que corresponde a 80% dos casos. Em média, a idade do seu início varia entre 29 e 37 anos, sendo a idade de seu diagnóstico entre 34 e 57 anos. Os sintomas de dor, fadiga e distúrbios do sono tendem a instalar-se lentamente na vida adulta, no entanto, 25% dos casos referem apresentar estes sintomas desde a infância. Não se deve esquecer que as manifestações de dor muscular são muito comuns na infância, ocorrendo em torno de 7 % dos casos atendidos no ambulatório de Pediatria Geral. Isso não quer dizer que essas crianças terão evolução para SFM. No entanto, foi descrita a tendência de a fibromialgia ocorrer em mulheres de uma mesma família (Silva e Lopes 2001).
Silva e Lopes (2001) demonstram que 93% da população acometida são caucasianos, 5% hispânicos e 1% negros.




Tendo evidências de que a SFM é tratada por muitos profissionais como uma dor crônica, estudos vêm sendo realizados na tentativa de desvendar esta síndrome, tendo como um dos grandes problemas a história de como, por que e onde a patologia teve seu início (OLIVEIRA, 2006).
A etiologia da SFM está intimamente relacionada a fatores genéticos, neuroendócrinos, psicológicos e distúrbios do sono. Algumas mudanças na percepção de dor atuam como fator que desencadeia a SFM, frente a processos dolorosos, esforços repetitivos, artrite crônica, situações estressantes como cirurgias ou traumas, processos infecciosos, condições psicológicas e até retirada de medicações. Acredita-se que a fisiopatologia da SFM não é definida, porém sabe-se que o distúrbio primário na fibromialgia seria uma mudança em algum mecanismo central de controle da dor, o qual poderia causar uma disfunção de neurotransmissores. Essa disfunção neuro-hormonal resultaria em uma deficiência de neurotransmissores inibitórios em níveis espinhais ou supra-espinhais (serotonina, encefalina, norepinefrina e outros), ou uma hiperatividade de neurotransmissores excitatórios (substância P, glutamato, bradicinina e outros peptídeos), porém ambas as condições poderiam estar presentes no desencadeamento do processo da SFM (HELFENSTEIN e FELDMAN, 2002).
Segundo Chaitow (2002), a serotonina tem grande importância na patogênese da fibromialgia, pois possui função amortecedora na percepção de dor, ao contrário da substância P que auxilia na transmissão de mensagens de dor periféricas ao cérebro. Se ambos os neurotransmissores encontram-se em níveis normais a dor será moderada, e caso a serotonina esteja em níveis mais baixos e a substância P em níveis elevados a transmissão de dor será maior.




O paciente costuma referir rigidez articular do corpo ao se levantar pela manhã (80% dos casos), edema nas mãos e nos pés, enxaqueca, fadiga intensa e exaustão (85% dos casos), parestesias, fenômeno de Raynaud, distúrbio do sono (100% dos casos), secura na boca (15% dos casos) ansiedade e depressão (50% dos casos) (SANTOS, 2006).
          Freqüentemente é associada à fadiga generalizada, distúrbios do sono, rigidez matinal, dispnéia, ansiedade e alterações de humor, que podem evoluir para um quadro de depressão (SANTOS, 2006).




Por muito tempo pensou-se que a SFM era uma doença psicossomática, isto é, que a dor muscular generalizada seria apenas uma maneira de um grande estresse mental se manifestar. Vários autores defendiam que o paciente com SFM apresentava uma depressão “mascarada” sem manifestações clínicas típicas. (JAQUEL, 2009)
Por outro lado, sintomas depressivos são comuns na SFM e, muitas vezes, pioram muito a qualidade de vida do paciente. Na verdade, estudos mostraram que 50 a 60% dos pacientes com SFM apresentam, apresentavam ou apresentarão depressão. Estes estudos apontam para dois fatos: a depressão é comum na SFM, mas nem todos os pacientes com SFM apresentam depressão. (PAIVA, 2007).
Toda a dor, além da sensação de que algo desagradável está acontecendo no corpo, traz uma resposta emocional na pessoa (desprazer). Numa síndrome de dor crônica como a SFM esta resposta emocional tende a ser maior, mas persistente e mais difícil de tratar. Como num círculo vicioso, o estresse emocional aumenta a sensibilidade à dor, que aumenta a dor muscular, que aumenta a depressão, e assim por diante.  As evidências apontam para a dor como fator inicial e não para a depressão (PAIVA, 2007).
Goldenberg ,(1996) enfatiza a importância dos altos níveis de estresse diário, lembrando-nos de que há um crescente conjunto de provas que mostram que níveis de estresse, incluindo adaptação à doenças crônicas, apresentam um efeito profundo na função imune, fazendo que a infecção viral seja mais provável de ocorrer, e que pode mostrar que o desequilíbrio neuro-hormonal está correlacionado com níveis de estresse.
Embora o termo “ansiedade” é usado de maneira corriqueira para várias situações estressantes do dia-a-dia, a ansiedade excessiva e persistente pode ser parte de distúrbios maiores, como o distúrbio da ansiedade generalizada, síndrome do pânico, fobias, comportamento obsessivo compulsivo e síndrome do stress pós-traumático (PAIVA, 2007).
A ansiedade pode ser definida com uma sensação de intranqüilidade, apreensão e medo, marcada por sinais corporais como suores, tensão muscular e taquicardia. Esta sensação é muito comum em pacientes com SFM e muita atenção tem sido dada às conexões que possam existir entre esses dois problemas (JAKEL, 2009).
O controle da ansiedade é importante, já que níveis elevados desta aumentam o nível de dor. E aumentando o nível de dor este levará a uma economia de movimentos o paciente passará a utilizar menos o corpo, porque relaciona que quando se move a dor aparece, perpetua-se então um ciclo vicioso, infuncionalidade/ dor/ infuncionalidade sendo permeado por ajustes posturais e compensações para manter este ciclo. (PAIVA, 2007).




SFM é uma síndrome dolorosa crônica comum que está muitas vezes associada a distúrbios do sono caracterizada pela experiência subjetiva de sono não-reparador. As queixas de distúrbios do sono são correlacionados com características polissonografia demonstrando anormalidades clara na continuidade do sono, assim como na arquitetura do sono. As anormalidades do sono em pacientes com SFM, quando gravadas, são caracterizados por uma menor eficiência do sono com o aumento do número de despertares, uma quantidade reduzida de sono de ondas lentas e uma intrusão de ondas alfa anormal em movimento rápido dos olhos não, chamada alfa-delta. Estes dados foram confirmados pela análise espectral do sono mostrando um aumento da densidade de potência do EEG na faixa de freqüência mais alta e uma densidade de potência reduzida EEG nas bandas de freqüência mais baixa. (PAIVA, 2007)
Para Leventhal (1999), é desconhecido se o distúrbio do sono não- REM ( Movimento Não Rápido dos Olhos) conduz a SFM ou é a conseqüência da SFM ou de outras síndromes noturnas da dor.
O sono desordenado leva a redução da produção de serotonina e conseqüentemente a redução dos efeitos moduladores da dor, das endorfinas e aumento dos níveis da substância P, combinado com mudanças no sistema nervoso simpático, resultando em isquemia muscular e aumento da sensibilidade à dor (Chaitow et. al., 2002).
Além da substância P, a norepinefrina pode também estar envolvida na SFM. Além disso, os ritmos circadianos do sistema nervoso autônomo podem ser enfraquecidos em pacientes com SFM, resultando em um nível constante da atividade do sistema nervoso simpático e a uma diminuída resposta aos estímulos que causam estresse. Todas estas anormalidades neurotransmissoras requerem mais estudos antes que uma relação de causa possa ser estabelecida (Leventhal et all, 1999).
Schaefer (2003), afirma que a dor e a fadiga difundidas da SFM podem estar ligadas aos distúrbios do sono e seus efeitos têm um impacto principalmente na qualidade de vida.




A maioria dos pacientes portadores de fibromialgia apresenta fadiga crônica, sendo mais sentida no período da manhã e no fim da tarde, exposta como uma sensação de necessidade de férias. Quando esses indivíduos são submetidos à atividades físicas ou intelectuais que agravam a fadiga, relatam mal-estar geral, sensação de resfriado, desinteresse por sexo e fraqueza muscular (MOREIRA e CARVALHO, 2001).
A fadiga pode ser devida a alterações de vários mecanismos, que podem ser considerados centrais e periféricos. Em relação aos mecanismos centrais têm-se fenômenos subjetivos como, por exemplo, a sensação de fadiga e objetivos como os relacionados aos recrutamentos temporal e espacial dos motoneurônios. Assim, quando uma contração voluntária intensa for necessária, uma falha neste recrutamento poderá gerar fadiga. Em relação aos mecanismos periféricos deve-se considerar a excitabilidade da membrana sarcolêmica, a conexão eletromecânica, os processos de contração e relaxamento musculares e os fatores metabólicos tanto da fase anaeróbia como da aeróbia na produção de energia (ATP) necessária ao músculo (TEIXEIRA e FIGUEIRÓ, 2001).




A cefaléia do tipo tensional muitas vezes acompanha as manifestações musculoesqueléticas da SFM. Curiosamente, os pacientes acometidos por esse tipo de cefaléia apresentam aumento da sensibilidade dolorosa à palpação de estruturas miofasciais pericranianas, particularmente redução no limiar de dor na região temporal. Os estudos têm demonstrado o envolvimento de mecanismos de ordem central na patogenia da cefaléia tensional, da mesma forma como ocorre na SFM. Trata-se de hiperatividade das vias aferentes nociceptivas no corno posterior da medula e no núcleo do nervo trigêmeo em decorrência do aumento dos estímulos dolorosos oriundos dos tecidos miofasciais pericranianos (PAIVA, 2007).




A SFM é uma condição de dor crônica de origem desconhecida. Várias anormalidades têm sido descritas, incluindo os tecidos periféricos e centrais de alterações no sistema nervoso. Dor na SFM depende claramente entrada nociceptivo periférico, bem como o processamento anormal da dor central.
A SFM é entendida como um quadro de dor difusa, manifestada especialmente na musculatura. Este é um conceito importante, pois não se pode fazer o diagnóstico da fibromialgia em pessoas que têm dor em somente uma parte do corpo, mesmo que esta dor seja crônica (PAIVA, 2007).
No paciente com SFM já estabelecida, a presença de pontos gatilhos deve ser detectada, pois esta dor pode “alimentar” o processo de amplificação de dor que já está ocorrendo no paciente. Neste caso, a dor miofascial é chamada de um “gerador periférico de dor central” e o seu tratamento é fundamental para a melhora do paciente como um todo (PAIVA, 2007).


           

            Bowen ,(1953) definiu a postura correta ideal (do ponto de vista mecânico) como aquela em que os diferentes segmentos do corpo – cabeça, pescoço, peito e abdômen – estão balançados verticalmente uns sobre os outros, onde o peso é colocado principalmente sobre a estrutura óssea, com um mínimo de esforço e tensão dos músculos e ligamentos.
O sistema importante no controle postural é o sistema proprioceptivo, formado pelos proprioceptores que são os fusos musculares, órgãos tendíneos e receptores articulares, em que o corpo humano é um sistema composto por elos e que movimentos de um segmento do corpo interfere em todo sistema (ENOKA, 2000).
A Academia Americana de Ortopedia define a postura como o estado de equilíbrio entre músculos e ossos com capacidade para proteger as demais estruturas do corpo humano de traumatismos, seja na posição em pé, sentado ou deitado (ADAMS et al citado por BRACCIALLI E VILARTA, 2000).
A coluna vertebral humana, quando observada numa visão anterior ou posterior, no plano frontal apresenta-se reta, como o eixo de sustentação do corpo, servindo como a via de transição de movimento do tronco com os membros. Além disso, é por ela que passa a medula espinhal, contendo e fornecendo estrutura óssea para acomodar a medula e suas raízes. Já em vista lateral ou em plano sagital, a coluna apresenta-se fisiologicamente com suas curvas sendo elas: uma lordose dita fisiológica em coluna lombar, uma cifose fisiológica em coluna dorsal e também uma lordose cervical fisiológica (BIENFAIT, 1995).
A postura tem importantes implicações na saúde e no bem-estar geral de grande parte do corpo. Isso porque ela determina a quantidade e a distribuição do esforço sobre os vários ossos, músculos, tendões, ligamentos e discos. Uma “boa postura” mantém o esforço total em seu mínimo, distribuindo-o para as estruturas mais aptas a suportá-las. A “má postura” tem efeito contrário, aumentando o estresse total e distribuindo-o para estruturas menos capazes e suportá-lo (MOFFAT, VICKERY; 2002).
Todos os tipos de boa postura caracterizam-se principalmente por um aspecto essencial: o alinhamento correto da coluna vertebral. Uma coluna vertebral bem alinhada passa pelo centro do corpo, desde a parte de trás da cabeça até o cóccix. Lateralmente, a coluna vertebral apresenta três curvaturas naturais, com o pescoço formando na parte superior uma delicada curva em “C” com abertura voltada para trás, a parte superior das costas uma curva delicada em “C”, com abertura voltada para frente, e a parte lombar, outra curva delicada em “C”, com a abertura voltada para trás. Em termos gerais, considera-se má postura qualquer uma que não mantenha essa posição (MOFFAT, 2002).
As costas e a região lombar, em particular, são exatamente sensíveis à boa ou à má postura. Qualquer má postura coloca praticamente as costas e o pescoço em risco de entorse e de outros distúrbios. Alguns tipos de má postura também deslocam a escápula, interferindo com o livre movimento da articulação do ombro. Quando de pé, ou acocorado, a má postura poderá distribuir um excesso de peso corporal para as partes vulneráveis dos pés. A má postura pode até mesmo afetar a marcha – isto é, sua maneira de caminhar ou correr -, aumentando o esforço sobre os quadris, joelhos, tornozelos e pés. É quase certo que a má postura provoque dor de curta duração em uma ou mais dessas áreas, especialmente na região lombar; ela também pode exacerbar algum problema já existente. A má postura continuada ou repetida pode originar dor crônica e graves danos a longo prazo (MOFFAT, 2002).
As pessoas com SFM apresentam baixa tolerância aos exercícios físicos, suscitando a sensação subjetiva de fraqueza muscular. Por outro lado, os músculos pouco solicitados ou utilizados de forma inadequada ficam mais sujeitos a fenômenos de lesão muscular após exercícios e quando não utilizados geram padrões de acomodação postural para minimizar os efeitos da dor (MARQUES, 1994).
O ser humano vem ao longo de sua evolução de uma postura quadrúpede estável com uma área de contato grande em relação ao seu tamanho, passando para uma postura em bípede, diminuindo a área de contato e, em conseqüência, a estabilidade do corpo em relação à força da gravidade. Ao travar essa guerra contra a força da gravidade, alguém, ou alguma estrutura vai pagar o preço da evolução, ficando sobrecarregada e entrando em falência funcional. No caso do ser humano, a descarga recai sobre a coluna vertebral, fazendo com que ela perca suas características, as suas curvas fisiológicas e sobrecarregando as estruturas osteomioarticulares (BIENFAIT, 1995).
Souchard (1996) lembra que o homem, na tentativa de manter-se ereto, submete os músculos da estática, que são responsáveis pela diminuição da flexibilidade do sistema locomotor humano, a um estado de tensão constante. Os músculos da dinâmica, após a contração inicial, retornam completamente a um estado de relaxamento, sendo responsáveis pelos movimentos de grande amplitude.
Há uma importância da leitura e da interpretação corporal, como elementos de pistas para uma terapêutica adequada e duradoura, uma vez que permite a quem avalie a postura, uma interpretação integral do corpo. Quando um terapeuta toca ou olha o corpo de alguém, ele está vendo a história da vida desta pessoa através da postura adotada por esse corpo em relação à vida. O ser humano utiliza seu corpo a partir daquilo que percebe e experimenta, para traduzir suas emoções e suas vivências (MOFFAT, VICKERY; 2002).
A educação postural tem como finalidade possibilitar à pessoa ser capaz de proteger ativamente seus segmentos móveis de lesões dentro das condições de vida diária e profissional, seja no plano estático ou dinâmico. A educação postural não tem como objetivo limitar as atividades, mas ao contrário, permitir sua realização dentro de um espaço de segurança gestual (MOFFAT, VICKERY; 2002).
Quando você está de pé, a postura correta é o alinhamento vertical do corpo, desde a parte de cima da cabeça, passando pelo centro do corpo, até a sola dos pés. Visto de frente e de trás, esse alinhamento é representado por uma linha reta que divide o corpo ao meio, desde a face inferior do esterno até a metade da distância entre os joelhos e os pés. Visto de lado, esse alinhamento é representado por uma linha reta que vai do lobo da orelha ao ombro, passando logo abaixo da articulação do quadril e na frente das articulações do joelho e do tornozelo (MOFFAT, VICKERY; 2002).
Para manter a posição neutra da coluna vertebral é preciso conservar a cabeça ereta, com o queixo levemente empurrado para trás – como se apontasse o topo da cabeça para o teto. Entretanto, não é possível fazer um bom alinhamento da coluna vertebral se não houver um bom alinhamento dos quadris, dos joelhos, dos tornozelos e dos pés, o que também precisa ser obtido (MOFFAT, VICKERY; 2002).
O peso e a composição corporais são componentes vitais da aptidão total. A obesidade é um importante fator de risco de doença cardíaca. As demais, o excesso de peso corporal aumenta o esforço sobre muitas das articulações do corpo, inclusive as costas, os quadris, os joelhos, os tornozelos e os pés. O excesso de peso também pode dificultar a manutenção da postura adequada, com implicações desfavoráveis nas demais partes do corpo (MOFFAT, VICKERY; 2002).




O corpo se expressa com a ajuda dos músculos, pela postura, pelo gesto e pela mímica. Mesmo quando uma expressão for inibida, o sistema neuromuscular é ativado da cabeça aos pés. Pensamentos e emoções são expressos através das cadeias musculares que atuam como uma espécie de mensageiras do corpo (STRUYF, 1995).
“Mecânica corporal” é uma expressão um tanto complexa para um conceito relativamente fácil de compreender. Refere-se à forma como usamos nosso corpo e suas diferentes partes durante as atividades da vida diária. Se mantemos ou não as costas eretas quando escovamos os dentes, se nos apoiamos nos cotovelos quando lemos, se usamos apoio de punho quando digitamos, se corremos com os pés virados para dentro, se transportamos cargas pesadas em uma mochila – todos são problemas da mecânica corporal. E a maneira como fazemos tem conseqüências significativas (MOFFAT, VICKERY; 2002).
Isso ocorre porque, apesar de sua notável versatilidade, o corpo ainda é uma parte delicada da maquinaria. Embora seus diversos componentes – ossos, ligamentos, músculos, tendões, discos, bolsas e outras estruturas – permitam que o corpo realize atos físicos notáveis, eles têm seus limites. E se usarmos nosso corpo de maneira a colocar esforço demais sobre uma ou mais dessas estruturas, elas podem ser facilmente lesadas. Portanto, é essencial para a saúde e o bem-estar geral do corpo que se pratique uma “mecânica corporal adequada” – uma mecânica corporal que mantenha o esforço dentro de uma amplitude manejável (MOFFAT, VICKERY; 2002).
Evidentemente, isso é mais fácil de dizer do que de fazer. Afinal de contas, nem sempre se pode identificar uma boa mecânica corporal, só porque determinada prática indolor, isso não significa que ela apresente uma mecânica corporal correta. De fato, muitas práticas q parecem corretas são na verdade bastante prejudiciais e seus maus efeitos levam horas, dias ou, se ela se torna um hábito, até mesmo meses ou anos para serem sentidos. De qualquer modo, se forem indolores, algumas práticas podem provocar danos até mesmo antes que se possa perceber; quando você vai ao assento detrás do carro para pegar um saco de mantimentos, já provocou uma grave entorse nas costas (MOFFAT, VICKERY; 2002).
Além disso, o itinerário familiar de vida diária – com suas tarefas profissionais, serviços domésticos, esportes e atividades similares – oferece oportunidades quase ilimitadas de se utilizar o corpo incorretamente. Tudo poderá provocar lesões, desde sentar-se em uma escrivaninha, pintar um teto ou impulsionar um taco de golfe. E na ausência de uma clara compreensão de como melhor lidar com esses desafios, é quase inevitável uma má mecânica corporal, pelo menos ocasionalmente (MOFFAT, VICKERY; 2002).




As afecções do sistema músculo-esquelético, particularmente as algias vertebrais, constituem um problema tão sério na sociedade moderna, que equipes multidisciplinares procuram desenvolver normas para uma adequada avaliação da coluna vertebral (ALEXANDRE, et. al., 2001).
A avaliação postural deve levar em consideração fatores intrínsecos e extrínsecos que podem influenciar a postura do indivíduo, dentre os quais as condições físicas do ambiente onde o indivíduo vive o estado sociocultural e emocional, a atividade física, a obesidade e as alterações fisiológicas do desenvolvimento humano, o sexo, a raça e a hereditariedade. O trabalho também pode influenciar a postura, podendo causar adaptações que se tornam permanentes (GUIMARÃES, et.al., 2007).
A avaliação postural é a base de um efetivo tratamento. Os achados orientam o fisioterapeuta na seleção de técnicas adequadas para o tratamento. Em função da diversidade de testes, medidas e seqüência de coleta de dados que estão disponíveis; o formato de planilha depende da preferência individual do avaliador. Entretanto, é fundamental um exame completo (GOULD III, J.A., 1993).
         A avaliação postural tem como propósito conhecer a expressão postural do indivíduo. Esta avaliação permite a aquisição de dados para definir um diagnóstico cinesiológico e conseqüentemente, a escolha da conduta a seguir, auxiliando na determinação dos objetivos e na escolha de métodos de tratamento visando à reabilitação (PEREIRA, 2003).





















4  PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


Esta pesquisa é de cunho quantitativo, exploratória, os dados foram trabalhados conforme observação da variação de freqüências obtidas.
O roteiro de avaliação postural proposto neste estudo será conforme MARQUES, 2005 (ANEXO 1). Este protocolo, que foi utilizado neste estudo, abrange os dados pessoais e uma avaliação qualitativa, onde o paciente é submetido a 10 (dez) perguntas, dentre elas: história da dor, aspecto postural, avaliação postural, deformidades ósseas e musculares. As mulheres foram avaliadas nas diferentes posições: anterior, posterior, lateral direita e lateral esquerda. Para a coleta foram utilizados os seguintes instrumentos: régua, fita métrica e goniômetro.
Após a aprovação no Comitê de Ética de Pesquisa da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), anexo C, foram iniciadas as coletas de dados com a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.
A coleta de dados aconteceu nas dependências da Clínica Escola de Fisioterapia, na UNIVALI, em Itajaí – SC. Este centro é vinculado a Universidade do Vale Itajaí e ao curso de Fisioterapia, sendo um cenário da execução de práticas pedagógicas e de desenvolvimento e construção de conhecimentos dos acadêmicos vinculados ao referido curso.
As mulheres participantes deste estudo foram encaminhadas através de seu médico reumatologista com diagnóstico de Síndrome de Fibromialgia, para a clínica escola. Após a aprovação do projeto pelo CEP ..., estas mulheres foram contatadas, via telefone e orientadas a comparecer no local da coleta de dados com hora e dia agendados conforme as necessidades de cada mulher participante. Neste contato elas foram orientadas a trazerem para a avaliação roupas apropriadas (roupas de banho). Chegando ao local da coleta as mulheres foram apresentadas as pesquisadoras e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido conforme Apêndice A.
As mulheres foram então, orientadas a vestirem as roupas para que se procedesse à avaliação. Foram colocadas de pé, em cima de um colchonete e descalças, foram avaliadas as vistas anterior, lateral direita e esquerda e vista posterior. As participantes receberam a orientação que a qualquer desconforto, mal estar ou incapacidade de permanecer na posição de pé elas coloquem as pesquisadoras para que a avaliação seja interrompida. Esta avaliação teve uma duração média de 50 minutos, foram avaliadas 30 mulheres com diagnóstico de SFM. Critérios de inclusão do estudo: ter diagnóstico de SFM, estar disposta a participar do estudo, assinar o TCLE. Critérios de exclusão: não ter diagnóstico de SFM ou ter diagnóstico de SFM e não estar disposto a participar do estudo.
Após análise dos dados, foi confeccionada uma planilha de resultados no MS Excel® 2007. Foi utilizada estatística descritiva por análise de freqüência simples, através da média de freqüência.





















Primeiramente, as mulheres submetidas a este estudo passaram por uma triagem de critérios de inclusão, que o principal seria ter diagnóstico médico de SFM. Logo após elas foram convidadas  a comparecer nas dependências da Clínica de Fisioterapia da UNIVALI – Itajaí para a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido e por fim fazer a avaliação postural fisioterapêutica. O tempo de duração da avaliação era de no máximo 50 (cinqüenta) minutos, com roupas apropriadas, como já citadas neste trabalho. A seguir iremos debater individualmente os achados da avaliação postural fisioterapêutica das 30 mulheres avaliadas.
Dentre as 30 mulheres avaliadas a média de idade ficou em 52 anos; 100% da cor branca; 35,7% têm como profissão atual – do lar; 17,9% tinham como profissão anterior – comerciante; 35,7% têm primeiro grau completo como nível de escolaridade e 67,9% são casadas.




Após proceder a avaliação postural chamou-nos a atenção que 85,7% das mulheres participantes do estudo apresentaram inclinação da cervical; e  46,4% - hiperlordose cervical. Gonçalez, (1996) define a postura anteriorizada de cabeça caracterizando-a por uma extensão dorsal, junto com a espinha cervical superior (C1-C3), acompanhada da flexão da espinha cervical inferior (C4- C7), causando um aumento da curvatura cervical, denominada hiperlordose. Com relação a Posição dos Membros Superiores  as mulheres com SFM do presente estudo, têm propensão a possuir uma elevação unilateral das escápulas em plano coronal, com 71,4%, já em plano horizontal as escápulas são abduzidas, com 25%. Já a posição das clavículas são levemente oblíquas (normais) com 64,3% (tabela I).


                       Posição dos Membros Superiores



N %
Escápulas Plano Coronal
Depressão unilateral
3,6%
Elevação unilateral
71,4%
Depressão bilateral
17,9%
Elevação bilateral
,0%
Normal
7,1%
Escápulas Plano Horizontal
Abdução
25,0%
Adução
28,6%
Normal
46,4%
Posição das clavículas
levemente oblíquoas
64,3%
acentuadamente oblíquoas
14,3%
Horizontalizadas
14,3%
Normais
7,1%
                        Tabela I


A escápula é uma placa solitária com dois centros de ossificação principais e diversos centros epifisários. Um dos centros principais forma precocemente o corpo e a espinha da escápula (HIGINO, 2002).
A escapula é responsável pelo movimento de báscula, que tem um único ponto de fixação. Essa fixação é realizada por quatro músculos de função Tonica que se insere na região súpero-interno. O elevador suspende a escapula na coluna cervical por meio do ângulo supero-interno. O trapézio inferior, que se insere na extremidade interna da espinha da escapula, fixa-a para baixo. O rombóide menor, porção superior com fibras curas, completamente independente do resto do músculo e que se insere sobre o bordo espinhal do ângulo supero-interno, fixa-a para dentro. A porção superior do serratil anterior que se insere sobre a porção anterior do ângulo, fixa-o para a frente. Esse ângulo supero-interno encontra-se assim “puxado” para as quatro direções por uma suspensão elástica (BIENFAIT, 2000).
O movimento da abdução desenvolve-se em plano frontal e seu eixo de movimento é ântero-posterior, é uma posição ou movimento do segmento afastando-se da linha mediana, independentemente de qual o segmento que se move. Abdução ou protração ocorre quando a extremidade distal da clavícula e a escápula movem-se anteriormente em torno da caixa torácica, com os bordos mediais da escápula movendo-se para longe da linha mediana 13 a 15 cm (ROSA, 2002).
            Com a tensão e sobrecarga encontrada nas mulheres com SFM, pode-se assim observar que a postura de membros superiores adquirida por elas está intimamente relacionada com a contratura muscular e perda da funcionalidade da articulação, muitas vezes por desuso, por assumir uma postura antálgica, que minimiza a dor por elas sentida.


3.2 Posicionamento de Coluna Lombar


Segundo a pesquisa realizada, na coluna lombar há hiperlordose em 67,9%;  e desvio lateral  em 60,7%. Abaixo a tabela demosntra os dados obtidos:


Distribuição de Freqüências na Coluna Lombar



N %
Coluna Lombar
Hiperlorodose
67,9%
Retificação
17,9%
Hiperlordose Alta e Retificação Baixa
7,1%
Retificação Baixa
3,6%
Normal
3,6%
Desvio lateral da coluna
sim
60,7%
não
39,3%
Cifose Torácica
aumentada
35,7%
normal
64,3%
                        Tabela VII


A coluna é um conjunto multiarticulado. É constituída por 26 peças que se movem umas sobre as outras, cada uma apresentando apenas pequenas amplitudes de movimento. Possuem apenas micromovimentos. Se em uma anteflexao do tronco impedirmos a anteversao pélvica, ela atingira apenas 30 a 35 graus. Esses 35 graus divididos por dezessete articulações dá uma media de 2 graus por vértebra. A soma dos micromovimentos é o que possibilita a amplitude raquidiana (BIENFAIT, 2000).
O aumento ou a redução da lordose lombar devem ser observados, e essas alterações podem estar relacionadas a problemas localizados na coluna lombar ou secundarias a deformidades presentes na articulação do quadril ou segmentas mais alto da coluna vertebral (BARROS, 2002). Segundo Marques (2005), os músculos encurtados são iliopsoas, quadrado lombar.
Não há lordose lombar baixa aumentada, sem anteversão pélvica. Não há anteversão pélvica sem atitude lordotica de coluna lombar baixa. Essas duas deformidades fazem com que o tronco se encontre em desequilíbrio para frente, o centro de gravidade de equilíbrio é assim anteriorizado. Para reencontrar uma posição de equilíbrio no alinhamento de sua base de sustentação, o individuo deve jogar para trás o centro de gravidade, tanto mais quanto maior for sua anteversão pélvica e sua lordose. Esse deslocamento de tronco para trás só pode ser feito na região superior, isto é, acima das inserções do psoas, por uma extensão da coluna dorsal inferior. A lordose lombar prolonga-se assim, as vezes, ate D9. D12 é uma vértebra de transição nem sempre pode entrar totalmente nessa lordose dorsal. Ela permanece, assim, saliente, o que dá impressão de duas lordoses que se sucedem.  Esse é o mecanismo da lordose inferior (BIENFAIT, 2000).




No estudo  observou-se que a  pelve das mulheres participantes do estudo, ocorre um desnivelamento, no plano frontal  que prevalece é à esquerda – 50%; na pelve no plano sagital observa-se uma anteroversão em 85,7% das mulheres; na pelve no plano horizontal já ocorre rotação à direita em 46,4% das mulheres e o deslocamento é normal em 57,1% .O elemento principal de controle da anteversão pélvica e da lordose lombar é porção Tonica do grande glúteo. Essa porção Tonica é constituída por fibras oblicoas que correm da aponeurose lombar ao septo intermuscular externo da coxa. Como o tensor de um tirante sustentação, ela assegura uma tensão entre a formação aponeurótica inferior que parte do pé e a formação aponeurótica superior que vai ate a base do crânio. A anteversão e retroversão pélvicas são rotações em torno da cabeça femoral. A anteversão é uma rotação inferior dos ilíacos. Toda porção superior do ilíaco vai para frente, toda parte inferior vai para trás, e toda parte superior sobe (BIENFAIT, 2000).   Se o centro da junta que sustenta peso coincidir com a linha da gravidade, há uma tendência igual de uma junta estender ou flexionar-se. Entretanto, essa posição no centro da junta não é estável para a sustentação de peso. Uma força mínima exercida em qualquer direção a moverá para fora do centro, exceto quando ela for estabilizada por um esforço muscular constante. Quando o corpo deve lançar mão de um esforço muscular para manter uma posição estável, ocorre um consumo energético desnecessário (KENDALL; et al, 2007).
            Por causa das variações estruturais da pelve, não é prático descrever uma posição neutra baseando-se em um ponto anterior e um ponto posterior específico que estão no mesmo plano horizontal. No entanto, as espinhas ilíacas ântero-superiores e póstero-superiores encontram-se aproximadamente no mesmo plano. Na posição neutra da pelve, existe uma curva anterior normal na região lombar (LIPPERT, 2006).
            Numa postura defeituosa, a pelve pode estar inclinada anterior, posterior ou lateralmente. Qualquer inclinação da pelve envolve movimentos simultâneos da região lombar e das juntas do quadril. Na inclinação pélvica anterior, a pelve inclina para frente, diminuindo o ângulo entre ela e a coxa anteriormente, resultando numa flexão junta do quadril, a região lombar arqueia-se para frente, criando um aumento da curva anterior (lordose) nessa região. Na inclinação pélvica posterior, a pelve inclina-se pata trás, as articulações do quadril se estendem e a região lombar se torna plana. Na inclinação pélvica lateral, um quadril fica mais alto que o outro e a coluna vertebral se encurva com convexidade em direção ao lado mais baixo (KENDALL; et al, 2007).
            Na vista lateral, os músculos anteriores e posteriores fixados à pelve a mantêm no alinhamento ideal. Anteriormente, os músculos abdominais tracionam-se para cima e os flexores do quadril, para baixo. Posteriormente, os músculos do dorso tracionam-se para cima e os extensores do quadril, para baixo. Portanto, os músculos abdominais anteriores e os extensores do quadril trabalham em conjunto para inclinar a pelve posteriormente, os músculos da região lombar e os flexores do quadril.


No plano transversal do joelho, ocorre rotação lateral do mesmo, com 82,1%; em vista sagital do joelho é normal  53,6%; já no plano coronal do joelho ele é varo  53,6% .Nosso corpo é um sólido articulado, um empilhamento de segmentos em que cada peça se equilibra na subjacente. Ou seja, se cada segmento deve equilibrar-se, este equilíbrio será também condicionado pelo equilíbrio do segmento subjacente. O equilíbrio humano é constituído de uma sucessão ascendente de desequilíbrios controlados pela musculatura tônica. Ela deve evitar os desequilíbrios quando possível, mas deve, sobretudo, controlar os desequilíbrios necessários e inevitáveis (BIENFAIT, 1993).
 A solicitação desigual dos músculos provoca alterações do seu tônus. A solicitação estática prolongada favorece a formação de pontos de tensão no ventre muscular e de pontos sensíveis à palpação ao longo dos tendões. As alterações metabólicas diminuem a resistência dos músculos (DÖLKEN, 2008).
Os apoios do pé e dos pés no chão condicionam toda a estática. Não há boa estática sem bons apoios, sejam as deformações dos pés causa ou conseqüência da estática deficiente (BIENFAIT, 1993).
            Na avaliação dos pés podemos perceber que doze mulheres, que perfazem 36,4% da amostra possuíam os dedos dos pés fletidos e dezesseis mulheres, que perfazem 48,5% da amostra possuíam hálux valgo. Quando observado a forma do pé, vinte mulheres, que perfazem 60,6% da amostra apresentaram o pé normal, enquanto treze mulheres, que perfazem 39,4% da amostra possuíam o pé plano e nenhuma possuía o pé cavo. Para Marques (2005) os dedos fletidos devem-se a encurtamento dos músculos flexor curto e flexor longo dos dedos e do hálux, e o hálux valgo a encurtamento do adutor do hálux. O pé cavo deve-se ao encurtamento de músculos da cadeia posterior (encurtamento do flexor curto dos dedos e do hálux). O pé plano deve-se a trauma, fraqueza muscular, frouxidão ligamentar, paralisia ou pé pronado.
            Ao observarmos o calcâneo, vinte e quatro mulheres, que perfazem 72,7% da amostra apresentaram calcâneo valgo, nove mulheres, que perfazem 27,3% da amostra calcâneo normal e nenhuma apresentou calcâneo varo. Segundo Marques ,(2005) o retropé valgo envolve everção do calcâneo quando a articulação subtalar está em posição neutra. Pode contribuir para o surgimento de joelhos valgos e pés planos com diminuição do arco plantar. Também está associado com tíbia valga.  O retropé varo envolve inversão do calcâneo quando a articulação subtalar está em posição neutra. Pode contribuir para o aparecimento do pé cavo, fazendo surgir um arco longitudinal acentuado. Pode resultar em tíbia e joelhos varos devido à excessiva pronação subtalar necessária para a fase de balanço.
            Para Marques (2005) a flexão do joelho deve-se a encurtamento dos músculos ísquiotibiais e/ou gastrocnêmios. A hiperextensão deve-se a encurtamento dos músculos tríceps da perna. O joelho valgo está relacionado com encurtamento de músculos de cadeias anteriores e o varo está relacionado com encurtamento de músculos posteriores (principalmente o sóleo). Para avaliar as rotações, olhe para os côndilos lateral e medial, que devem estar alinhados. Se os côndilos estiverem em rotação medial, haverá encurtamento do poplíteo, e a tíbia, pela ação do sóleo, estará em rotação lateral. Se os côndilos estiverem em rotação lateral, haverá encurtamento do sóleo. Quando há flexão do joelho, há rotação medial da tíbia sobre o fêmur (sem carga). Em extensão, há rotação lateral da tíbia sobre o fêmur (com carga), que termina a ação de travamento no final da extensão (mecanismo de parafusar a articulação).
            Segundo Bienfait (1993) o equilíbrio do joelho ereto é totalmente mecânico. Nada deve a musculatura, pelo menos não à musculatura periférica. O equilíbrio do joelho depende, assim, da rigidez do segmento fêmur-tronco e da articulação tibiotársica nos apoios. A estabilidade do joelho em apoio é devida aos músculos retroversores da cintura pélvica e do sóleo.
No varismo, a carga compressiva resultante anormal ocasiona aumento do estresse de contato no platô tibial medial em detrimento da diminuição da área de contato no platô medial. Tal desequilíbrio de forças acarreta sobrecarga nos estabilizadores secundários do joelho, alongamento da cápsula, do ligamento colateral lateral e da banda iliotibial. O alongamento e tensionamento dessa banda levam a fraqueza do grupamento muscular lateral da coxa e, consequentemente, perda da estabilidade lateral. Isto pode desenvolver a “Síndrome da banda iliotibial”.











Com base no estudo realizado, pôde-se chegar a conclusão, que as mulheres portadoras da Síndrome de Fibromialgia adotam determinadas posturas de compensação. São elas hiperlordose cervical; elevação unilateral da escápula no plano coronal; escápulas abduzidas no plano horizontal; clavículas levemente oblíquas; hiperlordose lombar; desvio lateral da coluna; quadris e pelves desnivelados a esquerda; anteroversão da pelve no plano sagital; rotação da pelve direita no plano horizontal; rotação lateral do joelho no plano transversal; joelho varo no plano coronal; distribuição de membros para hemicorpo direito; distribuição de pés em bordo medial; pés planos e retropé valgo.
Com esse estudo foi possível observar que as mulheres, são as mais acometidas pela SFM, mostram que além da fibromialgia, há associações com outras manifestações psicológicas, emocionais; trazendo desconforto, quadro de depressão, ansiedade, falta e/ou ausência do sono, fadiga, cefaléia, e principalmente dor generalizada. Durante a realização da avaliação as mulheres foram orientadas em relação às posturas adotadas e como amenizar os sintomas em suas AVD´s (atividade de vida diária). Conviver com essas mulheres foi um aprendizado constante, tanto para o enriquecimento profissional como para vida social.
Com a realização desta pesquisa, observamos muitas coisas que até então era difíceis de  compreender, aprendemos que a postura pode ter interferências de diversos fatores, como trabalhos repetitivos e sobrecargas, algias, emoções e comportamentos, bem como alterações estáticas devido a retrações e até mesmo por contribuições de algumas patologias, como a Síndrome de Fibromialgia.
            Sentimos dificuldades em realizar nossa pesquisa devido a poucas publicações referentes à postura que as pacientes de fibromialgia adotam, então pesquisamos a anatomia e a fisiologia de cada alteração postural e de alguma forma procuramos relacionar com a SFM.
Outra dificuldade encontrada foi à ausência de exame radiológico na análise das curvaturas da coluna vertebral, sendo então apenas utilizados métodos de palpação, o que impediu a avaliação fidedigna da coluna vertebral, já que a maioria das pacientes pesquisadas possuía uma curvatura lombar alta excessivamente lordótica, deixando dúvidas, pois tínhamos em muitos casos a impressão que a coluna lombar baixa estava retificada, obtendo um resultado errôneo, pois não condiz com o achado do posicionamento de anteroversão da pelve.
                        Sugerimos outros estudos nesse aspecto de avaliação postural e Síndrome de Fibromialgia para que as alterações posturais possam ser prevenidas ou até mesmo tratadas em sua globalidade o mais cedo possível, podendo assim contribuir para uma melhor qualidade de vida das pessoas portadoras de fibromialgia.




























 
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