O VENTILADOR MECANICO
CARLOS ALBERTO CAETANO AZEREDO
INTRODUÇÃO
A ventilação
mecânica é um procedimento terapêutico invasivo, antifisiológico, de alta
complexidade técnica, que mobiliza
recurso profissional e tecnológico da mais variada ordem e grandeza.
O ventilador
mecânico e o efetor desta terapia e o Terapeuta o responsável por todos os
procedimentos que envolvam a assistência ventilatória do paciente em todas as
suas etapas:
1- A indicação;
2- A adaptação do paciente ao ventilador;
3- O suporte ventilatório propriamente dito;
4- O desmame do ventilador.
O tema
ventilação mecânica e polemico por suas controvérsias ao nível das experiências
pessoais e na literatura atual.
Dentre as
controvérsias existentes e bastante discutido a questão relativa ao desempenho
e características básicas dos
ventiladores mecânicos ora comercializados em nosso Pais.
Até o presente
momento não existe nenhum estudo publicado no Brasil, direcionado para a
normalização dos equipamentos utilizados na assistência ventilatória dos
pacientes criticamente enfermos.
Neste capitulo,
não queremos de forma alguma propor normas que possam predispor a criação de um
ranking nacional de ventiladores mecânicos.
Ainda que pese
a grande disputa mercadológico entre as
diversas empresas que comercializam os ventiladores mecânicos, e, nossa
intenção firmar opinião e tomar uma posição no sentido de que seja entendido
que o Terapeuta tem o direito da livre escolha e opção por qualquer ventilador
mecânico que se enquadre dentro das suas necessidades clinica, econômica e funcional,
independente de qual seja a marca, o modelo, o fabricante, seu custo, a
nacionalidade e a sua geração.
Os órgãos
governamentais, as associações e as empresas fabricantes ou simples
distribuidoras, não podem interferir nesta decisão soberana pois ela parte de
quem realmente entende tecnicamente e clinicamente do tema.
Entretanto, e
importante trazer a tona a questão das características básicas dos ventiladores
mecânicos, qualificando-os primariamente por gerações e atestando a qualidade
dos recursos técnicos apresentados por cada modelo.
Algumas
questões são levantadas com bastante freqüência em Congressos, Seminários e
Cursos como por exemplo:
a- Qual o melhor
ventilador mecânico atualmente no mercado ?
b- O ventilador
microprocessado pode influir no prognostico clinico dos nossos
pacientes ?
c-
Ha comprovação efetiva de que os modos de ventilação não convencional
apresentam melhores resultados do que os modos convencionais ?
d- A relação custo
/ beneficio clinico e maior quando utilizamos o ventilador microprocessado ?
e- O uso rotineiro
do ventilador microprocessado pode diminuir a taxa de mortalidade dos pacientes
submetidos a ventilação mecânica ?
Com estas
questões , podemos ter a idéia do quanto controvertido ainda e para o próprio
usuário a definição de regras mínimas que classifiquem os ventiladores
mecânicos e o que cada um deles pode realmente fornecer em termos de recursos
de real e efetivo interesse clinico para o suporte ventilatório moderno.
VENTILADOR
MECANICO IDEAL ?
Parece haver um
consenso universal de que o ventilador mecânico ideal seja aquele com quem
estamos mais familiarizados. Entretanto, do ponto de vista técnico, e possível
criterizarmos algumas variáveis que possam apontar um ventilador mecânico ideal
para a terapia respiratória.
Resumimos a
opinião distinta de três estudiosos, que levam em conta na eleição do
ventilador mecânico ideal diversas variáveis.
Em 1984, Tisi
propôs uma classificação ate certo ponto aceita pela literatura, levando em
conta para a eleição do ventilador mecânico ideal as seguintes variáveis:
a- Características operacionais básicas;
b- Alarmes;
c- Mecanismo de controles automáticos;
d- Monitorização direta.
Tisi, conceitua
como ventilador mecânico ideal, aquele que possa oferecer ao Terapeuta as seguintes
características:
a- Deve ser
ciclado a volume ou a tempo;
b- Se ciclado a
volume deve apresentar as seguintes capacidades volumétricas:
c-
Deve ter fluxo com taxa variável de ate 150 litros por minuto;
d- Deve ter uma
relação I : E bastante flexível;
e- Deve ter limite
de pressão na faixa de 40 a
80 cmH20;
f-
Deve ter incorporado os seguintes modos de ventilação:
AMV – A/C –
CMV – SIMV
g- Apresentar a
possibilidade de aplicação da PEEP e da CPAP com variação pressórica de ate 50 cm .H20;
h- A freqüência
respiratória no modo controlado deve ter variabilidade de ate 60 ciclos
respiratórios por minuto para ventilar pacientes adultos;
i-
Deve permitir o manuseio da pausa inspiratória dinâmica de ate 2
segundos;
j-
Deve permitir a realização de retardo expiatório;
k- Alarmes de
mínima e máxima pressão nas vias aéreas;
l-
Alarme para concentração de oxigênio;
m- Alarme para
temperatura do gás inspirado;
n- Alarme para o
nível do reservatório e água do umidificador;
o- Alarme para
falha de eletricidade e pneumática;
p- Monitorização
para pressão da via aérea;
q- Monitorização
da freqüência respiratória;
r-
Monitorização do volume corrente do paciente;
s-
Monitorização da temperatura do gás inspirado;
t-
Ser leve, versátil e de fácil manuseio operacional.
Em 1991,
Gonçalves propõe para opção do ventilador mecânico ideal as seguintes
características operacionais dividindo-as em primarias, essenciais e não
essenciais: 3
PRIMARIAS
1- Possuir sistemas de alarmes auditivos e visuais;
2- Fornecer uma adequada umidificação do gás
inspirado;
3- Fornecer variação da fração inspirada de oxigênio;
4- Fornecer suspiro mecânico;
5- Seja silencioso;
6- Seja de fácil limpeza, esterilização e manutenção.
ESSENCIAIS:
1- Forneça os modos ventilatórios AMV, AC e CMV;
2- Permita controle efetivo do volume e da pressão;
NAO ESSENCIAIS:
1- Forneça IMV;
2- Forneça o modo Pressão de Suporte;
3- Forneça CPAP.
Em 1993, Barbas
e Amato relatam que em face da filosofia atual da ventilação mecânica no
sentido de preservar a microestrutura pulmonar e atender as demandas
ventilatórias dos pacientes, as características mais importantes a serem analisadas em um ventilador mecânico
são:
1- Sua capacidade
de gerar pressão e fluxo rapidamente;
2- Dispor da
capacidade de obter fluxos de ate 200 litros por minuto;
3- Bom nível de
sensibilidade e rapidez de disparo;
4- Apresentar
baixo nível de resistência interna;
5- Disponibilidade
de vários modos de ventilação;
6- Sistemas de
segurança para os diferentes modos de ventilação assistida, caso o paciente
entre em apnéia;
7- Disponibilidade
de sistema de alarmes e monitorização.
O VENTILADOR
MECANICO MICROPROCESSADO
Desde a década
de 60, que os ventiladores mecânicos existem sob a forma de ventilação com
pressão positiva ( VPPI ), o que os torna do ponto de vista da mecânica
cardiorespiratória antifisiológicos.
Os problemas
decorrentes do uso da VPPI são muito bem conhecidos, sendo os mais graves, o
seu caráter invasivo e a sua possível contribuição para o barotrauma pulmonar.
E inegável que
apesar dos efeitos colaterais e na atualidade estudos demonstrarem que uma
ventilação inadequada pode trazer sérios prejuízos a clinica do paciente, ela
tem permitido em todo mundo salvar vidas.
Tanto a
medicina como a engenharia atuais, tem dado uma maior atenção aos avanços
tecnológicos no sentido de minimizar os efeitos deletérios resultantes da
aplicação da VPPI.
Os fabricantes
de ventiladores mecânicos no mundo todo, vem se preocupando de forma constante
com o desenvolvimento de projetos que permitam o estabelecimento mais racional
dos métodos de ventilação artificial, assim como uma maior capacidade de
monitorização invasiva e não invasiva do paciente submetido a mesma.
O objetivo principal
de tantos projetos e tentar tornar a aplicação da VPPI mais segura, mais
fisiológica e menos invasiva.
Com esta
evolução tecnológica presente a cada momento, o Terapeuta envolvido diretamente
com a ventilação mecânica passa a dispor hoje de equipamentos da maior
qualidade e sofisticação possíveis.
Desde de 1960,
que os ventiladores mecânicos vem passando por constantes modificações em seus
sistemas operacionais, o que nos permite hoje conceitualmente classifica-los
por gerações.
Ate o presente
momento são conhecidas pela evolução cronológica e tecnológica, algumas
gerações de ventiladores mecânicos ciclados a pressão positiva.
Alguns estudos
classificam os ventiladores microprocessados como sendo de quarta geração,
sendo que ao nosso ver preferimos uma classificação mais simples e menos
extensiva a saber:
VENTILADOR DE
PRIMEIRA GERAÇÃO
São os
ventiladores ciclados a pressão constante, sem nenhuma possibilidade de
monitorização direta, sem alarmes e oferecendo os modos de: IPPV, CPPV e IMV.
VENTILADOR DE
SEGUNDA GERAÇÃO
São os
ventiladores ciclados a volume constante, com possibilidade de monitorização
direta, dotados de alarmes e oferecendo os modos de: IPPV, CPPV, CPAP, SIMV.
VENTILADOR DE
TERCEIRA GERAÇÃO
São os
ventiladores microprocessados.
Sem duvida que,
os ventiladores microprocessados são os mais completos e sofisticados,
permitindo por suas características especiais uma assistência ventilatória
global mais racional, segura e eficiente do que a obtida com os ventiladores de
gerações anteriores.
Estudos
recentes relatam que segundo a tendência mundial dos fabricantes já estamos nos
preparando para o convívio com os ventiladores mecânicos de quarta geração ou
quinta para os estudiosos que adotam um outro tipo de classificação.
Mas afinal de
contas, o que este ventilador apresenta que o torne tão necessário e superior
aos demais ?
Não e difícil
responder a esta pergunta, na medida que do ponto de vista operacional,
funcional, técnico e cientifico, um ventilador para ser classificado como de terceira
geração deve apresentar como recursos a maior parte dos recursos a seguir
apresentados.
RECURSOS BASICOS
DO VENTILADOR DE ULTIMA GERACAO
Os recursos
técnicos esperados no ventilador de ultima geração, podem ser sumarizados da
seguinte forma:
1- Ser
totalmente MICROPROCESSADO;
2-
Realizar " AUTO CHECK "
;
3- Apresentar
mecanismos valvulares de alta precisão e rápida resposta;
4- Oferecer o
maior numero de opções nos " MODOS DE VENTILACAO " ;
5- Oferecer
completo sistema de alarme e vigilância;
6- Ter um
efetivo " DISPLAY " ;
7- Monitorizar
amplamente a mecânica respiratória;
8- Monitorizar
" AUTO PEEP " ;
9- Monitorizar
" PRESSAO DE OCLUSAO " ;
10- Ter automatismo operacional;
11- Permitir " EXPANSAO " futura;
12- Realizar auto compensação pressórica;
13- Ter válvulas de segurança;
14- Ter adequado sistema de umidifacação e aquecimento
do gás inspirado;
15- Ter sistema de nebulização para medicamentos;
16- Permitir interface com outro ventilador;
17- Capacidade de ventilar adultos e crianças;
18- Permitir a realização de suspiros mecânicos;
19- Ter reserva para gerar fluxos de ate 200 litros por minuto;
20- Compensar a Fi02 pré e pós aspirações traqueais;
21- Dispor de uma maior variedade de modulação da onda
de fluxo.
Uma pergunta
poderia ser feita neste momento. Será que tantos itens são absolutamente
necessários ?
A resposta será
dada progressivamente na medida que for sendo explicado item por item dos
recursos citados anteriormente.
O MICROPROCESSADOR
Para que o
ventilador mecânico seja classificado como de terceira geração, o mesmo deve
ser rigorosamente microprocessado para todas as funções operacionais que se propõe, como:
a- Terapia;
b- Vigilância;
c- Diagnostico funcional.
Só um potente
microprocessador pode integralizar com extrema rapidez e eficiência os sinais
provenientes do comando do operador, fornecendo-lhe a partir de então
informações continuas a respeito de todas as funções operacionais.
AUTO CHECK
O ventilador
mecânico deve ter a capacidade de realizar automaticamente um programa de
verificação de todas as suas funções operacionais antes mesmo da sua adaptação
ao paciente, contribuindo assim para que o Terapeuta possa reconhecer
precocemente possíveis alterações ou falhas em qualquer parte do sistema do ventilador
ou no seu circuito paciente, corrigindo-as se possível ou simplesmente optando
pela sua substituição.
A depender da
marca e do modelo do ventilador, o auto check pode ser realizado de forma
rápida ou mais lenta.
MECANISMOS
VALVULARES DE ALTA PRECISAO
O ventilador
mecânico deve dispor de mecanismos valvulares de alta precisão e que traduzam
no seu desempenho uma resposta rápida, permitindo um preciso controle conjugado
entre as variáveis: PRESSAO, FLUXO e TEMPERATURA do gás administrado ao paciente.
Transdutores
especiais para pressão e fluxo, permitem que o microprocessador detecte e
analise todo o tipo de ocorrências, o que já pode ser verificado durante o auto
check como no caso de possíveis variações ou flutuações das redes de ar
comprimido e oxigênio, fato muito comum nos nossos hospitais.
Os mecanismos
valvulares nem sempre são idênticos entre os diversos tipos de ventiladores
atualmente disponíveis no mercado, porem, não ha nenhum indicio de que neste
item um ventilador supere o outro.
MODALIDADES DE
VENTILAÇÃO OFERECIDAS
Este item e da
maior importância, já que para atender as necessidades clinicas dos diferentes
tipos de pacientes submetidos a ventilação mecânica, o ventilador deve permitir
ao Terapeuta a escolha entre o maior numero possível de modos de ventilação,
sejam os considerados convencionais mais principalmente os não convencionais.
ALARMES AUDITIVOS
E VISUAIS
O ventilador
mecânico deve ser dotado da maior capacidade possível de alarmes auditivos e
visuais, captando continuamente através de sensores especiais, as seguintes alterações:
a- Pressão;
b- Fluxo;
c- Volume;
d- Concentração da mistura gasosa;
e- Temperatura do gás.
A monitorização
da fração inspirada de oxigênio deve ser integrada ao microprocessador tanto na
fase de auto calibração como na fase de sistema dos alarmes automáticos para
altas e baixas concentrações fornecidas durante a terapia ventilaria do
paciente.
Alem da
informação ao Terapeuta por meio de leds e sistema sonoro, o ventilador deve
ser capaz de informar por mensagens no display, o motivo de ter sido disparado
o alarme.
DISPLAY
O ventilador
mecânico deve ser dotado de um sistema integrado de monitorização continua por
meio de uma tela de cristal liquido ou similar, permitindo o congelamento das
principais curvas e traçados dos modos ventilatórios utilizados em espontânea,
assistida e controlada.
Ao nosso ver, a
presença do display no ventilador mecânico, e de fundamental importância para o
comando operacional e para monitorização funcional do paciente.
O display não e
uma sofisticação desnecessária ou uma fantasia do fabricante para tornar o seu
equipamento mais bonito e mais caro. Na realidade atual, o display vem
revolucionando a assistência ventilatória, na medida em que por seu intermédio,
o Terapeuta vivência a cada passo novas experiências clinicas, reconhecendo e
corrigindo as possíveis alterações na pressão, no fluxo e no volume, ventilando
o paciente com o maior conhecimento da fisiopatologia respiratória. Tal qual o
monitor cardíaco, o display e um recurso que também possibilita o diagnostico
pulmonar durante a ventilação mecânica.
O display e o
principal meio de comunicação entre o ventilador e o Terapeuta. Antes, do
advento do display, ventilávamos nossos pacientes quase que de forma empírica, pois
não tínhamos como reconhecer imediatamente ou continuamente o que ocorria nos
pulmões dos pacientes com nossa estratégia de ventilação.
Hoje, não temos
mais este problema quando utilizamos um ventilador microprocessado, pois o
display nos informa com segurança tudo o que esta acontecendo com a ventilação
pulmonar do nosso paciente.
Em alguns
ventiladores, o display pode ser considerado opcional, não estando pois
incluído na unidade básica do equipamento.
MONITORIZACAO
AMPLA DA MECANICA RESPIRATORIA
O ventilador
mecânico deve possuir ampla capacidade de monitorização continua da mecânica
respiratória, não apenas por informação digital de algumas variáveis, mas sim,
por determinação gráfica no display conjugada com a leitura digital.
As mensurações
continuas da COMPLACENCIA e da RESISTENCIA das vias aéreas, são tidas hoje como
da maior importância para uma eficiente assistência ventilatória.
A monitorização
continua da mecânica respiratória, pode ser utilizada no estabelecimento de
índices prognósticos dos pacientes submetidos a ventilação mecânica.
Em geral os
pacientes que são submetidos a ventilação mecânica controlada, apresentam
alterações significantes na sua mecânica respiratória.
O gás que
insuflamos os pulmões com o ventilador terá que vencer obstáculos
principalmente pela modificação da resistência das vias aéreas.
Por esta razão
e que pode ser afirmado que o ventilador pode ser perpetuador das lesões
pulmonares principalmente se o Terapeuta não dispor no ventilador em uso um
amplo sistema de monitorização da mecânica respiratória.
MONITORIZACAO
DA AUTO PEEP, DA PRESSAO DE OCLUSAO E OUTRAS VARIAVEIS
O ventilador
mecânico deve permitir a mensuração automática de algumas variáveis de
reconhecida importância na fisiologia respiratória atual tal como: auto PEEP,
pressão de oclusão, pressão negativa inspiratória e capacidade vital.
Tais parâmetros
são de grande aplicabilidade pois estão correlacionados com a assistência
ventilatória propriamente dita e a fase de desmame.
A monitorização
automática e imprescindível na medida que evita os erros obtidos com a leitura
convencional com a técnica de mensuração do auto PEEP por oclusão manual da
válvula expiratória. Este procedimento e comum a maioria dos ventiladores
mecânicos.
A pressão de
oclusão ( P0.1 ) tem significado clinico para o desmame pois traduz o drive
neural do paciente e sua resposta ao modo ventilatório utilizado.
Da mesma forma,
as manobras para avaliação da pressão negativa inspiratória e da capacidade
vital, podem refletir índices estimativos da capacidade do paciente sustentar a
sua respiração espontânea necessária para o seu efetivo desmame do ventilador.
Estes
parâmetros estão enquadrados dentro da analise da mecânica respiratória mais
possuem importância clinica que são relatados neste estudo em separado.
AUTOMATISMO
OPERACIONAL
O ventilador
mecânico microprocessado deve ser dotado do maior automatismo operacional
possível. Para tal e necessário alem de um importante microprocessador que os
controles sejam de simples manuseio. Ventiladores mecânicos com muitos
controles tornam-se bem mais complicados e cansativos para o Terapeuta.
Os controles
devem interagir sob o comando do microprocessador para que no caso do manuseio
inadequado em algum comando, o Terapeuta seja alertado visualmente por leds
aparecendo no display uma mensagem informativa
sobre o comando alterado.
Na atualidade,
temos ventiladores que apresentam um painel de controle extenso, com muitos
botões para comanda-lo. Por outro lado temos o ventilador da Infrasonics Adult
Satr com apenas um botão giratório para controlar todos os seus comandos
operacionais.
Na pratica,
ainda e bastante discutida as vantagens operacionais do sistema de um único
controle operacional sobre os demais.
EXPANSAO FUTURA
Por ser microprocessado,
o ventilador deve permitir espaço em seu software para futuras expansões. A
capacidade de expansão do ventilador deve abranger tanto os parâmetros de
monitorização como dos modos de ventilação.
Desta forma, o
ventilador tende a nunca se tornar obsoleto ou desatualizado frente ao
constante avanço tecnológico.
Quando for
introduzida a quarta geração de ventiladores ele estará também capacitado a
mudar de geração.
AUTO COMPENSACAO
PRESSORICA
Uma serie de
alterações clinicas podem ocorrer durante a assistência ventilatória
convencional. O ventilador mecânico deve ter dispositivos capazes de fazê-lo
autocompensar a pressão. As perdas e os vazamentos ocasionais no circuito do
paciente, como por exemplo nos casos de fistulas broncopleurais, ou vazamento
do cuff do tubo endotraqueal. Esta auto compensação diminui assim os riscos dos
efeitos da hipopresssão e sua conseqüente hipoventilação alveolar.
Sensores
especiais detectam, informam e providenciam automaticamente a compensação
pressórica necessária para estabilizar o gradiente pressórico no sistema.
Estas
alterações ocorrem com freqüência e são graves principalmente quando ventilamos
nosso paciente com ventiladores mecânicos de primeira e segunda gerações.
A auto
compensação pressórica e muito interessante
quando ventilamos paciente PEEP dependentes. Poucos são os ventiladores
microprocessados que possuem este dispositivo em seu soft apesar da auto
compensação ser uma característica da maior importância na clinica diária.
VALVULAS DE
SEGURANCA
O ventilador
mecânico de terceira geração deve permitir que ocorra liberação de gases em seu
circuito com a finalidade de compensar situações de hipopressão no sistema. O
aumento súbito da pressão no circuito paciente, e uma ocorrência freqüente
geralmente ocasionada pela tosse do paciente, aumento da resistência das vias
aérea principalmente por broncoespasmo e situações de oclusão total ou parcial
do tubo endotraqueal.
A hiperpressão
aumenta o pico pressórico podendo provocar barotraumas, ainda que este fato
seja bastante discutido na literatura atual.
UMIDIFICACAO,
FILTRACAO E AQUECIMENTO DO GAS INSPIRADO
Um dos
problemas crônicos na assistência ventilatória e o ideal controle da
fluidificação das secreções brônquicas.
O ventilador
mecânico deve ser dotado de um eficiente sistema de umidificação, filtração e
aquecimento do gás a ser inspirado pelo paciente.
Para maior
segurança, o sistema de termo-umidificação deve estar interligado com a
monitorização continua do paciente, a qual deve informar no display possíveis
alterações, tipo, reservatório de água vazio e temperatura elevada.
NEBULIZACAO DE
MEDICAMENTOS
A administração
intermitente de medicamentos por aerossóis e hoje uma necessidade básica na
terapia respiratória.
O uso de
broncodilatadores já e uma rotina terapêutica bem estabelecida na literatura.
O ventilador
deve dispor portanto de uma eficiente sistema de micro nebulização com um
eficiente micronebulizador adaptado ao seu sistema para que seja administrado
com controle os diversos tipos de broncodilatadores em alguns momentos tão
necessário como o próprio regime ventilatório estabelecido.
INTERFACE COM
OUTRO VENTILADOR
Embora não seja
utilizada com freqüência, existem algumas situações clinicas que podem levar o
Terapeuta a optar pela ventilação pulmonar independente usando simultaneamente
dois ventiladores mecânicos. Para tal fim, o ventilador deve permitir a
interface com um outro ventilador permitindo que a regulagem seja feito por
meio de um deles de forma sincronizada.
Alem de todas
as características citadas, o ventilador deve ter a capacidade de ventilar
crianças e adultos.
O ventilador
microprocessado e superior a qualquer outro de geração inferior, entretanto,
seu emprego não pode ser considerado como essencial para o sucesso do suporte
ventilatório. A qualificação da equipe responsável pela assistência
ventilatória deve ser a meta prioritária para o sucesso terapêutico.
De nada adianta
uma UTI com 10 leitos dispor de um ventilador microprocessado para cinco de
primeira geração. Melhor será se todos os profissionais envolvidos com a
ventilação estiverem preparados e qualificados tecnicamente.
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