sexta-feira, 1 de setembro de 2017

PARALISIA CEREBRAL


É definida como o resultado de uma lesão ou mau desenvolvimento do cérebro, de caráter não progressivo, que pode ocorrer antes, durante ou após o parto até o segundo ano de vida da criança.
Esta lesão interfere na maturação normal do encéfalo levando ao atraso ou uma parada no desenvolvimento motor, instalando-se padrões posturais e movimentos anormais, devido a liberação da atividade reflexa postural anormal, associado a distúrbios somatossensitivos, cognitivos, e de deglutição.
Compêndio de Neurologia Infantil, 2002.

PC é descrito como um grupo de desordens no desenvolvimento da postura e movimento, que causam limitação de atividade e é atribuído a um distúrbio não progressivo que ocorre no cérebro durante o desenvolvimento fetal ou do bebê.
Os distúrbios motores da PC são geralmente acompanhados de distúrbios de cognição, sensação, comunicação, percepção, comportamento e epilepsia.
Developmental Medicine & Child Neurology 2005, 47:571 –576.
ETIOPATOGENIA
•       Antes da gestação:
•       História de aborto
•       Intervalo muito curto ou longo de gestações anteriores
•       História familiar de PC
•       Durante a gestação:
•       Classe social e cultural baixa
•       Malformações congênitas
•       Gestação gemelar
•       Doença materna crônica (HAS, DM)
•       Infecções congênitas
•       Durante o parto:
•       Descolamento prévio de placenta
•       Anóxia perinatal
•       TCE
•       Parto difícil e prolongado
•       Amnionite e corioamionite associado à prematuridade
•       Após o parto:
•       Baixa idade gestacional
•       Infecções
•       TCE
•       Apnéias recorrentes
QUADRO CLÍNICO
•       História gestacional, peri-natal e pós-natal
•       Avaliação física e neurológica:
•       Retardo  na aquisição motora
•       Persistência de reflexos primitivos
•       Anormalidades tônico-posturais
•       Hiperreflexias
•       Sinais patológicos  (Babinski)
•       Há 4 grupos de PC:   
•       Espástica  -  tetraplégia-hemiplégica- diplégica           
•       Atetósica
•       Atáxica
•       Mista
PC HEMIPLÉGICA
•       Achado mais comum
•       Lesão na região de vascularização da artéria cerebral média
•       Atrofia e necrose com ou sem gliose
•       O acometimento do hemisfério esquerdo é mais comum do que o direito
•       Comprometimento de um hemicorpo
PC TETRAPLÉGICA
•       Três tipos de lesões predominantes:
•       LPV: 27%
•       Encefalomalácia multicística, lesões dos gânglios basais bilaterais e leucomalácia subcortical: 49%
•       Malformações cerebrais: 22%
•       Comprometimento dos 4 membros ou MMSS mais comprometido do que os MMII
PC DIPLÉGICA
•       Geralmente é associada com as intercorrências da prematuridade, devidas principalmente à instabilidade cárdio-pulmonar
•       As lesões representam o dano isquêmico da zona periventricular  e são limitadas aos tratos dorsais e laterais, junto aos ventrículos laterais, na substância branca.
•       Há predominância dos aspectos de LPV (89%)
•       Maior comprometimento dos MMII do que dos MMSS
ACOMETIMENTO EXTRAPIRAMIDAL

•       Lesão dos núcleos da base, levando ao aparecimento de movimentos involuntários.
•       Atetóide: movimentos involuntários nas extremidades, lentos, serpenteantes, parasitando o movimento voluntário
•       Coréico: movimentos involuntários presentes nas raízes dos membros, rápidos. Ocasionalmente impossibilitam que o movimento voluntário ocorra
•       Distônico: movimentos atetóides mantidos, com posturas fixas, que podem se modificar após algum tempo.
•       Atáxica: tipo clínico raro, caracterizado por incoordenação dos movimentos. De origem cerebelar.


PROBLEMAS ASSOCIADOS
•       Retardo mental
•       Epilepsia
•       Alterações de comportamento
•       Alterações visuais
•       Alterações auditivas
•       Dificuldades para a alimentação

PROGNÓSTICO MOTOR
•       Deve ser estabelecido antes da definição do programa de tratamento
•       Persistência do RTCA além dos 6 meses → mau prognóstico
•       Reação  de proteção com + 7 meses → bom prognóstico
•       Controle cervical: -  antes dos 9 meses  → aquisição da marcha
                                    -  entre 9 e 20 meses  → prognóstico reservado
                                    - acima de 20 meses  → péssimo prognóstico
•       Sentar: - até 24 meses  → bom prognóstico para marcha
                 - de 24 a 36 meses  → prognóstico reservado
                 - acima de 36 meses  → péssimo prognóstico
•       Engatinhar:  - até 30 meses →bom prognóstico para marcha
                          - de 30 a 61 meses → prognóstico reservado
                          - acima de 61 meses → péssimo prognóstico             
•       Idade de aquisição motora
•       Presença de reflexos primitivos
•       Comprometimento motor
•       Função dos MMSS
•       Capacidade intelectual, cognitiva
TRATAMENTO
•       Equipe interdisciplinar e a família
•       Buscar metas que possam ser atingidas
•       Principal objetivo: promover o  maior grau de independência
•       Conservador X cirúrgico

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