
por Renata Farias/ Marcos Maia

Heleno e Dabus | Foto: Marcos Maia/ Bahia Notícias
Já considerado a primeira causa de incapacidade no mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) mata cerca de 130 mil pessoas por ano no Brasil, de acordo com dados do DataSUS. O atendimento ágil é essencial para melhores resultados no tratamento de pacientes, além de procedimentos eficazes. De acordo com o neurologista Guilherme Dabus, diretor do programa de residência em Neurologia Intervencionista do Cardiac and Vascular Institute and Baptist Neuroscience Center, em Miami (EUA), um novo equipamento que permite a aspiração dos coágulos é umas das mais eficientes formas de tratar o problema. "A técnica do tratamento do AVC foi estabelecida há muitos anos. O grande problema é que nós não tínhamos os dispositivos corretos para promover essa recanalização do vaso. Ou seja, nós estamos falando do paciente que vem com um AVC isquêmico, porque há um trombo, ou um coágulo, muitas vezes do coração ou da carótida que oclui esse vaso grande na base do cérebro. Com isso, o fluxo sanguíneo para esse território cerebral fica diminuído ou ausente, e o paciente fica extremamente sintomático", explicou Dabus, que é pioneiro no uso da nova tecnologia, desenvolvida nos anos 2000. A tecnologia está ligada à aspiração de trombos por meio de uma sonda colocada na virilha, até a região afetada. "Põe um cateter pela artéria femoral na região inguinal do paciente, navegando esse cateter até a as artérias intracranianas, e de lá a gente retira esse trombo". O especialista afirmou que o procedimento, além de ser mais eficiente, é menos invasivo e mais rápido. Segundo Marco Heleno, coordenador de neurologia do Hospital da Bahia, primeira unidade de saúde a trazer o procedimento para o estado, os pacientes serão beneficiados ainda com um menor tempo de internação. "Uma vez que você reduz a área de isquemia do paciente, você reduz a área de AVC e infarto, esse paciente tem um tempo menor de recuperação", afirmou. "Existem técnicas antigas, que estamos deixando de utilizar, que é a fratura do trombo com um balão, fio guia e com cateteres. Esses métodos são menos eficientes. A gente tem abandonado eles e substituído pelos novos métodos de retirada com stent ou tromboaspiração". Dabus ainda alertou sobre a importância de reconhecer sinais de um AVC: sinais no rosto, fraqueza no braço e diferença na fala. "O atendimento deve ser feito o mais rápido possível", lembrou.
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