terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Anvisa aprova vacina contra a dengue

Vacina não protege contra os vírus Chikungunya e Zika, diz Anvisa.
'Dengvaxia' já tinha sido aprovada no México e nas Filipinas.

Do G1, em São Paulo
Brasil enfrenta tríplice epidemia do zika vírus, dengue e febre chikungunya. Em comum entre as doenças, o vetor de transmissão, o mosquito Aedes aegypti. (Foto: James Gathany/CDC)Brasil enfrenta tríplice epidemia do zika vírus, dengue e febre chikungunya. Em comum entre as doenças, o vetor de transmissão, o mosquito Aedes aegypti (Foto: James Gathany/CDC)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro da vacina contra a dengue produzida pela Sanofi, divisão da Sanofi Pasteur. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (28) no Diário Oficial da União.

Na prática, fica comprovada a segurança e a eficácia da vacina. Com isso, a empresa poderá comercializar a 'Dengvaxia', que já tinha sido aprovada no México e nas Filipinas no início deste mês, de acordo com a Reuters. Essa é a primeira vacina contra a doença a ser aprovada no Brasil.
A vacina é considerada eficaz na prevenção dos quatro tipos de dengue e poderá ser aplicada em pessoas de 9 a 45 anos, segundo comunicado divulgado pelo laboratório.

No momento não há dados suficientes para a comprovação da segurança de uso da vacina em  indivíduos  menores de 9 anos de idade, principalmente na faixa etária de 2 a 5 anos, bem como para os brasileiros maiores que 45 anos. O esquema de vacinação aprovado foi o intervalo de seis meses entre as três doses, segundo a Anvisa.

De acordo com a Sanofi, o laboratório está pronto para colocar a vacina no mercado nos próximos meses, mas esse prazo vai depender de negociações como as autoridades brasileiras. Um dos próximos passos é a definição do preço da vacina.
A decisão de fornecê-la no Sistema Único de Saúde é do Ministério da Saúde, que levará em conta fatores como a relação entre custo, efetividade e impacto orçamentário.
A Anvisa alerta, no entanto, que a vacina não protege contra os vírus Chikungunya e Zika, transmitidos pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti. 

A contaminação pelo zika vírus está relacionada a uma série de casos de microcefalia. Segundo o Ministério da Saúde, 134 casos de microcefalia foram registrados desde o início do ano no país.
De acordo com a empresa, a 'Dengvaxia' reduziu as contaminações por dengue em dois terços dos participantes analisados e evitou oito de dez hospitalizações devido à doença e até 93 % dos casos de dengue severa.
Os documentos que foram apresentados pela empresa farmacêutica em março e, desde então, eram analisados pela Anvisa.

Eficácia contra dengue
Estudos clínicos demonstraram que a vacina foi capaz de reduzir em 60,8% o número de casos de dengue em um estudo que envolveu quase 21 mil crianças e adolescentes da América Latina e Caribe. Em outro estudo, feito com mais de 10 mil voluntários da Ásia, a vacina conseguiu reduzir em 56% o número de casos da doença.

Outro estudo, feito a partir de uma análise combinada dos testes clínicos na Ásia e na América Latina, concluiu que a vacina é mais eficaz a partir dos 9 anos de idade. A partir dessa faixa etária, a vacina é capaz de proteger 66% dos indivíduos contra a dengue.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Hipersonia: quando dormir não tira o sono


Por mais que passem o dia todo dormindo, algumas pessoas simplesmente continuam com sono. Elas se sentem cansadas toda hora e não conseguem ficar "acordadas" durante o dia sem ficar bocejando e lutando contra a exaustão.

Pessoas assim lutam contra um distúrbio raro chamado hipersonia.

"Na maioria dos casos, elas não têm dificuldade alguma para dormir. Mas o fato de dormirem não é algo que acaba com o cansaço. Elas têm problemas para se levantar e se sentem confusas e irritadas", afirmaram os pesquisadores da Associação Espanhola de Narcolepsia e Hipersonia (AEN).

PUBLICIDADE

Alguns dos efeitos, segundo a associação, são: fadiga, cansaço, perda de concentração e problemas de movimento.

Leia também: Pesquisa liga fumo à menopausa precoce em mulheres

Para lidar com o problema, as pessoas que sofrem com esse distúrbio costumam utilizar vários despertadores e alarmes para conseguirem levantar da cama no horário – e, ao se levantarem, acabam se sentindo desorientadas.

Segundo a AEN, todos esses fatores podem acabar influenciando a autoestima, a vida social e a rotina de trabalho de quem sofre desse transtorno.

Isso porque, durante o dia, as pessoas com hipersonia têm uma sensação contínua de sonolência e, como consequência disso, diminuem seus níveis de atenção, concentração e memória.

Segundo a Associação Americana de Sono (ASA, na sigla em inglês), a hipersonia se assemelha à narcolepsia (condição neurológica de sono incontrolável) pelos sintomas, mas, enquanto muitos narcolépsicos têm problemas para dormir, quem sofre de hipersonia consegue dormir tranquilamente e até melhor do que a maioria das pessoas.

De acordo com a ASA, a hipersonia pode ser ocasionada por outros transtornos de sono e também por fatores genéticos – ou também pelo uso de certos medicamentos ou drogas.

O distúrbio também pode aparecer em pessoas que têm fibromialgia (síndrome que provoca dores em todo o corpo) ou em pessoas que sofreram danos cerebrais.

"Higiene do sono"

"É uma doença relativamente rara e só afeta 1% da população. É ligeiramente mais comum em mulheres do que em homens e normalmente só começa na idade adulta", afirma a ASA.

Image copyrightthinkstockImage captionPara amenizar o problema, é indicado ter hábitos mais regulares de sono em ambientes adequados

Normalmente, o distúrbio é tratado com estimulantes e anfetaminas – e às vezes com antidepressivos.

"Uma 'higiene de sono' adequada é a mudança de conduta mais importante que deve ser implementada", acrescentam.

"Isso inclui o estabelecimento de horários de sonos regulares, ter um ambiente adequado para dormir e uma cama com travesseiros confortáveis, além de evitar a cafeína e outros estimulantes perto da hora de domir."

Leia também: Microcefalia: Mães no sertão vivem angústia de não ter diagnóstico definitivo

Sensação de cansaço

Mas esses conselhos não parecem ter sido muito efetivos para Danielle Hulshizer.

Ela sofre de hipersonia idiopática há anos e por isso está sempre cansada, ainda que durma a noite toda e ainda tire sestas durante o dia – o cansaço nunca desaparece.

"Se me dessem um centavo por cada vez que alguém me diz que está me achando cansada e que tenho que dormir mais, eu ficaria milionária", brincou, em entrevista à CNN.

Hulshizer conta que acorda tão cansada quanto quando foi dormir – mesmo depois de ter dormido 12 horas. Ela atribuía o cansaço ao estresse e à agenda sempre lotada, desde quando era mais nova.

Nunca pensou que pudesse ter um problema real, até que foi diagnosticada, anos depois, com hipersonia.

Image copyrightthinkstockImage captionPessoas com hipersonia ficam cansadas o dia todo

Possível solução

A princípio, o tratamento foi feito com estimulantes, mas depois Hulshizer começou a sofrer dores de cabeça e tremores e se sentia cansada de novo.

Foi aí que David Rye, neurologista da Emory University School of Medicine, de Atlanta, nos Estados Unidos, começou a tratá-la com um medicamento que normalmente é utilizado para acordar os pacientes de anestesias, chamado Flumazenil.

A droga teve efeito imediato - e agora está sendo estudada pelos pesquisadores.

Leia também: Lula culpa colonizadores por 'atrasos na educação do Brasil' e gera polêmica em Portugal

"Foi incrível, me fez sentir que estava viva pela primeira vez. Eu me sinto como uma nova pessoa", disse Hulshizer.

Image copyrightthinkstockImage captionDistúrbio prejudica rotina de trabalho de pessoas que sofrem dessa condição rara

Segundo a Universidade, muitos adultos que têm problemas de sonolência liberam uma substância no cérebro que atua como uma "pílula para dormir".

"Nosso estudo será um grande avanço para determinar a causa desses transtornos, ainda que seja preciso investigar se os resultados se aplicarão à maioria dos pacientes", explicou Merrill Mitler, diretora do programa no Instituto Nacional de Transtornos Neurológicos e Acidente Neurovasculares, que apoia o projeto de Rye.

"Os pacientes que têm hipersonia sofrem grande incompreensão", completou.

Tipos de hipersonia

Hipersonia recorrente: pouco frequente (apenas 200 casos são conhecidos). Acontece entre 1 e 10 vezes ao ano.Hipersonia idiopática (ou primária) com sono prolongado: sonolência excessiva, constante e diária durante pelo menos três meses. O sono noturno se prolonga durante umas 12 ou 14 horas. E há grande dificuldade para acordar.Hipersonia idiopática (ou primária) com sono reduzido: o sono dura entre 6 e 10 horas. Os pacientes podem ter dificuldade para acordar tanto do sono noturno, quanto para sestas.Sono insuficiente induzido pelo comportamento: voluntário, mas não buscado diretamente, derivado de comportamentos que não permitem alcançar a quantidade de sono necessária para manter nível adequado de vigília e alerta.Outros tipos de hipersonia: devido a doenças (doenças neurológicas ou transtornos metabólicos, entre outros); hipersonia secundária ocasionada pelo consumo de medicamentos ou drogas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Fiocruz desmente boatos de que zika cause doenças neurológicas em crianças

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) informou em nota que, até o momento, não há qualquer comprovação científica que ligue ocorrências de problemas neurológicos em crianças e idosos ao vírus zika. A nota foi divulgada nas redes sociais para desmentir mensagens que circulam em grupos de WhatsApp. Segundo esses textos, pesquisadores da Fiocruz descobriram que o zika provoca danos neurológicos a crianças menores de sete anos, como casos de microcefalia, e a idosos.
"Por tratar-se de uma doença recente e que ainda não foi suficientemente estudada pelos pesquisadores, irão surgir muitas dúvidas e perguntas, bem como boatos e informações desencontradas, especialmente nas mídias sociais. É importante, num momento como este, que a população busque informações de fontes seguras e confiáveis", diz a nota, divulgada na noite de ontem (8).
De acordo com a Fiocruz, a informação de que o vírus zika provoca danos a esses dois públicos "não tem fundamentação científica". A fundação esclarece, no entanto, que o zika pode provocar, em pequeno percentual, complicações clínicas e neurológicas em qualquer paciente, independente da idade, assim como outros vírus, como varicela, enterovírus e herpes.

Vetor é o Aedes Aegypti

Além disso, as mensagens virtuais informam que há outros mosquitos, além do Aedes aegypti, que estariam transmitindo o zika no Brasil. A Fiocruz também desmente a informação, explicando que, até o momento, não existem estudos científicos que atestem a existência desses outros vetores.
A Fiocruz destaca no texto que trabalha em parceria com o Ministério da Saúde na investigação da doença e que prima pela transparência e seriedade das informações para a sociedade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Planos de saúde não podem rescindir contrato sem autorização da ANS

Planos de saúde não podem rescindir contrato sem autorização da ANS
Foto: Reprodução/ ANS
Mesmo que se alegue fraude, para haver rescisão unilateral do contrato de plano de saúde, é necessária a abertura de um processo administrativo prévio na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A decisão foi da 3ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que confirmou a obrigação do plano de manter a prestação de serviço.
 
No caso julgado, a seguradora havia rescindido o contrato porque o paciente omitiu ser portador do vírus HIV. No prontuário, o registro é de que o paciente, que admitiu saber do diagnóstico desde 1993, precisou de internação hospitalar, em 2011, ocasião em que o plano tomou conhecimento da doença. Sob alegação de que ignorava a contaminação quando preencheu a declaração de saúde e que não houve realização de exame prévio, o segurado ajuizou ação para obrigar a manutenção do serviço da operadora de saúde. Nas duas instâncias, o paciente teve sucesso.

O relator do processo, ministro Marco Aurélio Bellizze, afirmou que, independente do conhecimento do segurado sobre a doença no momento da assinatura do contrato, o plano de saúde não pode rescindi-lo sem a instauração prévia de um processo administrativo na ANS, obrigação que consta no artigo 15, inciso III, da resolução ANS 162/07. Na mesma resolução, o art. 16, inciso III "veda, expressamente, sob qualquer alegação, a negativa de cobertura assistencial, assim como a suspensão ou rescisão unilateral de contrato, até a publicação pela ANS do encerramento do processo administrativo". O relator esclareceu ainda que, em caso de suspeita de fraude, a operadora deve comunicar a alegação ao beneficiário, podendo oferecer cobertura parcial, cobrar acréscimo no valor ou solicitar a abertura de processo administrativo na ANS.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Novo tratamento para AVC é menos invasivo e reduz tempo de permanência no hospital

Bahia Notícias
por Renata Farias/ Marcos Maia
Novo tratamento para AVC é menos invasivo e reduz tempo de permanência no hospital
Heleno e Dabus | Foto: Marcos Maia/ Bahia Notícias
Já considerado a primeira causa de incapacidade no mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) mata cerca de 130 mil pessoas por ano no Brasil, de acordo com dados do DataSUS. O atendimento ágil é essencial para melhores resultados no tratamento de pacientes, além de procedimentos eficazes. De acordo com o neurologista Guilherme Dabus, diretor do programa de residência em Neurologia Intervencionista do Cardiac and Vascular Institute and Baptist Neuroscience Center, em Miami (EUA), um novo equipamento que permite a aspiração dos coágulos é umas das mais eficientes formas de tratar o problema. "A técnica do tratamento do AVC foi estabelecida há muitos anos. O grande problema é que nós não tínhamos os dispositivos corretos para promover essa recanalização do vaso. Ou seja, nós estamos falando do paciente que vem com um AVC isquêmico, porque há um trombo, ou um coágulo, muitas vezes do coração ou da carótida que oclui esse vaso grande na base do cérebro. Com isso, o fluxo sanguíneo para esse território cerebral fica diminuído ou ausente, e o paciente fica extremamente sintomático", explicou Dabus, que é pioneiro no uso da nova tecnologia, desenvolvida nos anos 2000. A tecnologia está ligada à aspiração de trombos por meio de uma sonda colocada na virilha, até a região afetada. "Põe um cateter pela artéria femoral na região inguinal do paciente, navegando esse cateter até a as artérias intracranianas, e de lá a gente retira esse trombo". O especialista afirmou que o procedimento, além de ser mais eficiente, é menos invasivo e mais rápido. Segundo Marco Heleno, coordenador de neurologia do Hospital da Bahia, primeira unidade de saúde a trazer o procedimento para o estado, os pacientes serão beneficiados ainda com um menor tempo de internação. "Uma vez que você reduz a área de isquemia do paciente, você reduz a área de AVC e infarto, esse paciente tem um tempo menor de recuperação", afirmou. "Existem técnicas antigas, que estamos deixando de utilizar, que é a fratura do trombo com um balão, fio guia e com cateteres. Esses métodos são menos eficientes. A gente tem abandonado eles e substituído pelos novos métodos de retirada com stent ou tromboaspiração". Dabus ainda alertou sobre a importância de reconhecer sinais de um AVC: sinais no rosto, fraqueza no braço e diferença na fala. "O atendimento deve ser feito o mais rápido possível", lembrou.

Substância que auxilia combate ao câncer não é fornecida pela Sesab há pelo menos 30 dias

Bahia Notícias
por Marcos Maia
Substância que auxilia combate ao câncer não é fornecida pela Sesab há pelo menos 30 dias
Foto: Divulgação
O Centro Estadual de Oncologia (Cican), ligado à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), não conta com a substância Octreotida em seus estoques há pelo menos um mês, privando pacientes em tratamento de câncer do cuidado adequado. Uma das pessoas afetadas pela falta do medicamento, que contém o crescimento de órgãos afetados por células cancerígenas, é Luís Guilherme Neves Santos, 29 anos, que foi diagnosticado em março de 2015 com um câncer no fígado, mas não é medicado desde 30 de setembro. “Liguei hoje [quinta-feira (3)] novamente. Me disseram, mais uma vez, que foi mandado para o setor uma solicitação para compra. Amanhã vai fazer um mês que eu deveria ter recebido a injeção", contou à reportagem do Bahia Notícias. Em nota, a Sesab assumiu a ausência da substancia nos estoques do centro e comunicou que os pregões realizados para a aquisição do medicamento não tem contado com a participação de fornecedores interessados.  “Um dos motivos alegados é o preço referencial praticado pelo estado, que tem como base, por exemplo, a média de preços das atas de outros estados.  Os distribuidores dizem que em função do aumento do dólar, os medicamentos possuem preços superiores”, diz o documento. A secretaria ignora o número de pacientes afetados pela falta de suprimentos de Octreotida e declarou ainda que faltas são “pontuais” e que os municípios também podem prover a substância. Para suprir a ausência do medicamento, a secretaria pretende adquirir um medicamento da mesma classe terapêutica, o Lanreotida, que deverá ser disponibilizado em 15 dias. O tempo é precioso para pessoas como Luís Guilherme: "Espero que seja verdade. Há mais pessoas, assim como eu, que precisam do remédio".

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Médicos de maternidade do Pau Miúdo denunciam diminuição de atendimentos

Correio24horas

 02 DE DEZEMBRO DE 2015

Representantes do corpo clínico da Maternidade de Referência Prof. José Maria de Magalhães Netto, localizada no Pau Miúdo, denunciaram a diminuição dos atendimentos da maternidade em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (1), na sede do Sindicato dos Médicos (Sindimed). 

Segundo eles, a maternidade realiza metade da quantidade de partos que fazia até maio de 2014.
"Em maio do ano passado, foram 845 partos. Já houve mês com 900. Hoje são apenas 400 a 450 partos", afirma a médica obstetra Mônica Bahia, representante do corpo clínico da maternidade. Ela diz que a diminuição dos atendimentos foi uma opção da Santa Casa de Misericórdia, gestora do hospital. "Como a Santa Casa tem defasagem no fim do contrato, optou por gastar menos. Gastar menos significa atender menos." Segundo ela, a instituição conseguiu diminuir atendimentos através de demissões, leitos parados para reforma e sugestão de encaminhamento para outros hospitais.

(Foto: Divulgação/Sesab)


De acordo com Mônica Bahia, houve dez demissões na equipe de saúde, apenas em novembro. "Passamos de sete para cinco obstetras; de três para dois neonatologistas; de três para dois anestesistas; e seis auxiliares (de enfermagem) foram demitidos", enumera. A reforma dos leitos também preocupa os médicos. "Cabe à sociedade garantir que sejam realmente reformas e voltem a funcionar", diz Mônica.
Feito por enfermeiras, sob controle da gestão da maternidade, a triagem que avalia o risco da paciente é uma maneira de sugerir que a gestante procure outra maternidade, segundo a denúncia. "A paciente chega e é triada de acordo com a gravidade do quadro clínico", afirma Mônica Bahia, explicando que as gestações mais graves são classificadas com a cor vermelha, depois amarela e por fim com a cor verde, a menos grave. "A paciente vermelha vai ser atendida, a amarela também. As outras, vai ser sugerido que elas procurem outra unidade ou então vão ter que ficar esperando", conta.
Os médicos da maternidade denunciam ainda que o ambulatório de pré-natal está fechado para novas pacientes desde o dia 1º de dezembro de 2014, completando um ano. Segundo eles, a unidade era a única, além do Hospital Geral Roberto Santos, que realizava pré-natal de alto risco.
O representante do Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), Otávio Marambaia, acredita que a diminuição dos atendimentos da maternidade José Maria de Magalhães vai repercutir em outras maternidades. "A unidade atende pacientes em condições de parto complexas. Quando você reduz os leitos daquela maternidade que pega os casos mais complexos, isso obviamente vai sobrecarregar as outras unidades que não têm a estrutura para atender esse tipo de paciente. Vai implicar em complicações, em perdas de vida", afirma. Salvador tem outras cinco maternidades públicas.
Santa Casa
Em seu site, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) informou nesta segunda-feira (30) que a maternidade está atuando com "plena capacidade assistencial", com uma taxa de ocupação superior a 90%. A nota também afirma que 185 leitos estão sendo reformados, seguindo um cronograma em sistema de rodízio, retirando 10 a 15% de cada enfermaria até que atinja esse número. A maternidade possui 257 leitos, além de 58 leitos em unidades especiais.
Em entrevista ao CORREIO, o superintendente de saúde da Santa Casa da Bahia, Eduardo Queiroz, disse que 70% dos atendimentos realizados hoje são de alto risco e que isso requer maior atenção e maior tempo de internação, o que, segundo ele, explica a queda no número de partos. De acordo com ele, são realizados entre 500 e 600 procedimentos na unidade.
"Estamos fazendo ainda uma adequação na carga horária dos funcionários, com base em estudos que apontam em quais áreas são necessárias essas adequações, de modo que não afete a qualidade do atendimento já oferecido", afirmou o superintendente.