terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Anvisa aprova vacina contra a dengue

Vacina não protege contra os vírus Chikungunya e Zika, diz Anvisa.
'Dengvaxia' já tinha sido aprovada no México e nas Filipinas.

Do G1, em São Paulo
Brasil enfrenta tríplice epidemia do zika vírus, dengue e febre chikungunya. Em comum entre as doenças, o vetor de transmissão, o mosquito Aedes aegypti. (Foto: James Gathany/CDC)Brasil enfrenta tríplice epidemia do zika vírus, dengue e febre chikungunya. Em comum entre as doenças, o vetor de transmissão, o mosquito Aedes aegypti (Foto: James Gathany/CDC)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro da vacina contra a dengue produzida pela Sanofi, divisão da Sanofi Pasteur. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (28) no Diário Oficial da União.

Na prática, fica comprovada a segurança e a eficácia da vacina. Com isso, a empresa poderá comercializar a 'Dengvaxia', que já tinha sido aprovada no México e nas Filipinas no início deste mês, de acordo com a Reuters. Essa é a primeira vacina contra a doença a ser aprovada no Brasil.
A vacina é considerada eficaz na prevenção dos quatro tipos de dengue e poderá ser aplicada em pessoas de 9 a 45 anos, segundo comunicado divulgado pelo laboratório.

No momento não há dados suficientes para a comprovação da segurança de uso da vacina em  indivíduos  menores de 9 anos de idade, principalmente na faixa etária de 2 a 5 anos, bem como para os brasileiros maiores que 45 anos. O esquema de vacinação aprovado foi o intervalo de seis meses entre as três doses, segundo a Anvisa.

De acordo com a Sanofi, o laboratório está pronto para colocar a vacina no mercado nos próximos meses, mas esse prazo vai depender de negociações como as autoridades brasileiras. Um dos próximos passos é a definição do preço da vacina.
A decisão de fornecê-la no Sistema Único de Saúde é do Ministério da Saúde, que levará em conta fatores como a relação entre custo, efetividade e impacto orçamentário.
A Anvisa alerta, no entanto, que a vacina não protege contra os vírus Chikungunya e Zika, transmitidos pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti. 

A contaminação pelo zika vírus está relacionada a uma série de casos de microcefalia. Segundo o Ministério da Saúde, 134 casos de microcefalia foram registrados desde o início do ano no país.
De acordo com a empresa, a 'Dengvaxia' reduziu as contaminações por dengue em dois terços dos participantes analisados e evitou oito de dez hospitalizações devido à doença e até 93 % dos casos de dengue severa.
Os documentos que foram apresentados pela empresa farmacêutica em março e, desde então, eram analisados pela Anvisa.

Eficácia contra dengue
Estudos clínicos demonstraram que a vacina foi capaz de reduzir em 60,8% o número de casos de dengue em um estudo que envolveu quase 21 mil crianças e adolescentes da América Latina e Caribe. Em outro estudo, feito com mais de 10 mil voluntários da Ásia, a vacina conseguiu reduzir em 56% o número de casos da doença.

Outro estudo, feito a partir de uma análise combinada dos testes clínicos na Ásia e na América Latina, concluiu que a vacina é mais eficaz a partir dos 9 anos de idade. A partir dessa faixa etária, a vacina é capaz de proteger 66% dos indivíduos contra a dengue.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Hipersonia: quando dormir não tira o sono


Por mais que passem o dia todo dormindo, algumas pessoas simplesmente continuam com sono. Elas se sentem cansadas toda hora e não conseguem ficar "acordadas" durante o dia sem ficar bocejando e lutando contra a exaustão.

Pessoas assim lutam contra um distúrbio raro chamado hipersonia.

"Na maioria dos casos, elas não têm dificuldade alguma para dormir. Mas o fato de dormirem não é algo que acaba com o cansaço. Elas têm problemas para se levantar e se sentem confusas e irritadas", afirmaram os pesquisadores da Associação Espanhola de Narcolepsia e Hipersonia (AEN).

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Alguns dos efeitos, segundo a associação, são: fadiga, cansaço, perda de concentração e problemas de movimento.

Leia também: Pesquisa liga fumo à menopausa precoce em mulheres

Para lidar com o problema, as pessoas que sofrem com esse distúrbio costumam utilizar vários despertadores e alarmes para conseguirem levantar da cama no horário – e, ao se levantarem, acabam se sentindo desorientadas.

Segundo a AEN, todos esses fatores podem acabar influenciando a autoestima, a vida social e a rotina de trabalho de quem sofre desse transtorno.

Isso porque, durante o dia, as pessoas com hipersonia têm uma sensação contínua de sonolência e, como consequência disso, diminuem seus níveis de atenção, concentração e memória.

Segundo a Associação Americana de Sono (ASA, na sigla em inglês), a hipersonia se assemelha à narcolepsia (condição neurológica de sono incontrolável) pelos sintomas, mas, enquanto muitos narcolépsicos têm problemas para dormir, quem sofre de hipersonia consegue dormir tranquilamente e até melhor do que a maioria das pessoas.

De acordo com a ASA, a hipersonia pode ser ocasionada por outros transtornos de sono e também por fatores genéticos – ou também pelo uso de certos medicamentos ou drogas.

O distúrbio também pode aparecer em pessoas que têm fibromialgia (síndrome que provoca dores em todo o corpo) ou em pessoas que sofreram danos cerebrais.

"Higiene do sono"

"É uma doença relativamente rara e só afeta 1% da população. É ligeiramente mais comum em mulheres do que em homens e normalmente só começa na idade adulta", afirma a ASA.

Image copyrightthinkstockImage captionPara amenizar o problema, é indicado ter hábitos mais regulares de sono em ambientes adequados

Normalmente, o distúrbio é tratado com estimulantes e anfetaminas – e às vezes com antidepressivos.

"Uma 'higiene de sono' adequada é a mudança de conduta mais importante que deve ser implementada", acrescentam.

"Isso inclui o estabelecimento de horários de sonos regulares, ter um ambiente adequado para dormir e uma cama com travesseiros confortáveis, além de evitar a cafeína e outros estimulantes perto da hora de domir."

Leia também: Microcefalia: Mães no sertão vivem angústia de não ter diagnóstico definitivo

Sensação de cansaço

Mas esses conselhos não parecem ter sido muito efetivos para Danielle Hulshizer.

Ela sofre de hipersonia idiopática há anos e por isso está sempre cansada, ainda que durma a noite toda e ainda tire sestas durante o dia – o cansaço nunca desaparece.

"Se me dessem um centavo por cada vez que alguém me diz que está me achando cansada e que tenho que dormir mais, eu ficaria milionária", brincou, em entrevista à CNN.

Hulshizer conta que acorda tão cansada quanto quando foi dormir – mesmo depois de ter dormido 12 horas. Ela atribuía o cansaço ao estresse e à agenda sempre lotada, desde quando era mais nova.

Nunca pensou que pudesse ter um problema real, até que foi diagnosticada, anos depois, com hipersonia.

Image copyrightthinkstockImage captionPessoas com hipersonia ficam cansadas o dia todo

Possível solução

A princípio, o tratamento foi feito com estimulantes, mas depois Hulshizer começou a sofrer dores de cabeça e tremores e se sentia cansada de novo.

Foi aí que David Rye, neurologista da Emory University School of Medicine, de Atlanta, nos Estados Unidos, começou a tratá-la com um medicamento que normalmente é utilizado para acordar os pacientes de anestesias, chamado Flumazenil.

A droga teve efeito imediato - e agora está sendo estudada pelos pesquisadores.

Leia também: Lula culpa colonizadores por 'atrasos na educação do Brasil' e gera polêmica em Portugal

"Foi incrível, me fez sentir que estava viva pela primeira vez. Eu me sinto como uma nova pessoa", disse Hulshizer.

Image copyrightthinkstockImage captionDistúrbio prejudica rotina de trabalho de pessoas que sofrem dessa condição rara

Segundo a Universidade, muitos adultos que têm problemas de sonolência liberam uma substância no cérebro que atua como uma "pílula para dormir".

"Nosso estudo será um grande avanço para determinar a causa desses transtornos, ainda que seja preciso investigar se os resultados se aplicarão à maioria dos pacientes", explicou Merrill Mitler, diretora do programa no Instituto Nacional de Transtornos Neurológicos e Acidente Neurovasculares, que apoia o projeto de Rye.

"Os pacientes que têm hipersonia sofrem grande incompreensão", completou.

Tipos de hipersonia

Hipersonia recorrente: pouco frequente (apenas 200 casos são conhecidos). Acontece entre 1 e 10 vezes ao ano.Hipersonia idiopática (ou primária) com sono prolongado: sonolência excessiva, constante e diária durante pelo menos três meses. O sono noturno se prolonga durante umas 12 ou 14 horas. E há grande dificuldade para acordar.Hipersonia idiopática (ou primária) com sono reduzido: o sono dura entre 6 e 10 horas. Os pacientes podem ter dificuldade para acordar tanto do sono noturno, quanto para sestas.Sono insuficiente induzido pelo comportamento: voluntário, mas não buscado diretamente, derivado de comportamentos que não permitem alcançar a quantidade de sono necessária para manter nível adequado de vigília e alerta.Outros tipos de hipersonia: devido a doenças (doenças neurológicas ou transtornos metabólicos, entre outros); hipersonia secundária ocasionada pelo consumo de medicamentos ou drogas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Fiocruz desmente boatos de que zika cause doenças neurológicas em crianças

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) informou em nota que, até o momento, não há qualquer comprovação científica que ligue ocorrências de problemas neurológicos em crianças e idosos ao vírus zika. A nota foi divulgada nas redes sociais para desmentir mensagens que circulam em grupos de WhatsApp. Segundo esses textos, pesquisadores da Fiocruz descobriram que o zika provoca danos neurológicos a crianças menores de sete anos, como casos de microcefalia, e a idosos.
"Por tratar-se de uma doença recente e que ainda não foi suficientemente estudada pelos pesquisadores, irão surgir muitas dúvidas e perguntas, bem como boatos e informações desencontradas, especialmente nas mídias sociais. É importante, num momento como este, que a população busque informações de fontes seguras e confiáveis", diz a nota, divulgada na noite de ontem (8).
De acordo com a Fiocruz, a informação de que o vírus zika provoca danos a esses dois públicos "não tem fundamentação científica". A fundação esclarece, no entanto, que o zika pode provocar, em pequeno percentual, complicações clínicas e neurológicas em qualquer paciente, independente da idade, assim como outros vírus, como varicela, enterovírus e herpes.

Vetor é o Aedes Aegypti

Além disso, as mensagens virtuais informam que há outros mosquitos, além do Aedes aegypti, que estariam transmitindo o zika no Brasil. A Fiocruz também desmente a informação, explicando que, até o momento, não existem estudos científicos que atestem a existência desses outros vetores.
A Fiocruz destaca no texto que trabalha em parceria com o Ministério da Saúde na investigação da doença e que prima pela transparência e seriedade das informações para a sociedade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Planos de saúde não podem rescindir contrato sem autorização da ANS

Planos de saúde não podem rescindir contrato sem autorização da ANS
Foto: Reprodução/ ANS
Mesmo que se alegue fraude, para haver rescisão unilateral do contrato de plano de saúde, é necessária a abertura de um processo administrativo prévio na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A decisão foi da 3ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que confirmou a obrigação do plano de manter a prestação de serviço.
 
No caso julgado, a seguradora havia rescindido o contrato porque o paciente omitiu ser portador do vírus HIV. No prontuário, o registro é de que o paciente, que admitiu saber do diagnóstico desde 1993, precisou de internação hospitalar, em 2011, ocasião em que o plano tomou conhecimento da doença. Sob alegação de que ignorava a contaminação quando preencheu a declaração de saúde e que não houve realização de exame prévio, o segurado ajuizou ação para obrigar a manutenção do serviço da operadora de saúde. Nas duas instâncias, o paciente teve sucesso.

O relator do processo, ministro Marco Aurélio Bellizze, afirmou que, independente do conhecimento do segurado sobre a doença no momento da assinatura do contrato, o plano de saúde não pode rescindi-lo sem a instauração prévia de um processo administrativo na ANS, obrigação que consta no artigo 15, inciso III, da resolução ANS 162/07. Na mesma resolução, o art. 16, inciso III "veda, expressamente, sob qualquer alegação, a negativa de cobertura assistencial, assim como a suspensão ou rescisão unilateral de contrato, até a publicação pela ANS do encerramento do processo administrativo". O relator esclareceu ainda que, em caso de suspeita de fraude, a operadora deve comunicar a alegação ao beneficiário, podendo oferecer cobertura parcial, cobrar acréscimo no valor ou solicitar a abertura de processo administrativo na ANS.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Novo tratamento para AVC é menos invasivo e reduz tempo de permanência no hospital

Bahia Notícias
por Renata Farias/ Marcos Maia
Novo tratamento para AVC é menos invasivo e reduz tempo de permanência no hospital
Heleno e Dabus | Foto: Marcos Maia/ Bahia Notícias
Já considerado a primeira causa de incapacidade no mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) mata cerca de 130 mil pessoas por ano no Brasil, de acordo com dados do DataSUS. O atendimento ágil é essencial para melhores resultados no tratamento de pacientes, além de procedimentos eficazes. De acordo com o neurologista Guilherme Dabus, diretor do programa de residência em Neurologia Intervencionista do Cardiac and Vascular Institute and Baptist Neuroscience Center, em Miami (EUA), um novo equipamento que permite a aspiração dos coágulos é umas das mais eficientes formas de tratar o problema. "A técnica do tratamento do AVC foi estabelecida há muitos anos. O grande problema é que nós não tínhamos os dispositivos corretos para promover essa recanalização do vaso. Ou seja, nós estamos falando do paciente que vem com um AVC isquêmico, porque há um trombo, ou um coágulo, muitas vezes do coração ou da carótida que oclui esse vaso grande na base do cérebro. Com isso, o fluxo sanguíneo para esse território cerebral fica diminuído ou ausente, e o paciente fica extremamente sintomático", explicou Dabus, que é pioneiro no uso da nova tecnologia, desenvolvida nos anos 2000. A tecnologia está ligada à aspiração de trombos por meio de uma sonda colocada na virilha, até a região afetada. "Põe um cateter pela artéria femoral na região inguinal do paciente, navegando esse cateter até a as artérias intracranianas, e de lá a gente retira esse trombo". O especialista afirmou que o procedimento, além de ser mais eficiente, é menos invasivo e mais rápido. Segundo Marco Heleno, coordenador de neurologia do Hospital da Bahia, primeira unidade de saúde a trazer o procedimento para o estado, os pacientes serão beneficiados ainda com um menor tempo de internação. "Uma vez que você reduz a área de isquemia do paciente, você reduz a área de AVC e infarto, esse paciente tem um tempo menor de recuperação", afirmou. "Existem técnicas antigas, que estamos deixando de utilizar, que é a fratura do trombo com um balão, fio guia e com cateteres. Esses métodos são menos eficientes. A gente tem abandonado eles e substituído pelos novos métodos de retirada com stent ou tromboaspiração". Dabus ainda alertou sobre a importância de reconhecer sinais de um AVC: sinais no rosto, fraqueza no braço e diferença na fala. "O atendimento deve ser feito o mais rápido possível", lembrou.

Substância que auxilia combate ao câncer não é fornecida pela Sesab há pelo menos 30 dias

Bahia Notícias
por Marcos Maia
Substância que auxilia combate ao câncer não é fornecida pela Sesab há pelo menos 30 dias
Foto: Divulgação
O Centro Estadual de Oncologia (Cican), ligado à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), não conta com a substância Octreotida em seus estoques há pelo menos um mês, privando pacientes em tratamento de câncer do cuidado adequado. Uma das pessoas afetadas pela falta do medicamento, que contém o crescimento de órgãos afetados por células cancerígenas, é Luís Guilherme Neves Santos, 29 anos, que foi diagnosticado em março de 2015 com um câncer no fígado, mas não é medicado desde 30 de setembro. “Liguei hoje [quinta-feira (3)] novamente. Me disseram, mais uma vez, que foi mandado para o setor uma solicitação para compra. Amanhã vai fazer um mês que eu deveria ter recebido a injeção", contou à reportagem do Bahia Notícias. Em nota, a Sesab assumiu a ausência da substancia nos estoques do centro e comunicou que os pregões realizados para a aquisição do medicamento não tem contado com a participação de fornecedores interessados.  “Um dos motivos alegados é o preço referencial praticado pelo estado, que tem como base, por exemplo, a média de preços das atas de outros estados.  Os distribuidores dizem que em função do aumento do dólar, os medicamentos possuem preços superiores”, diz o documento. A secretaria ignora o número de pacientes afetados pela falta de suprimentos de Octreotida e declarou ainda que faltas são “pontuais” e que os municípios também podem prover a substância. Para suprir a ausência do medicamento, a secretaria pretende adquirir um medicamento da mesma classe terapêutica, o Lanreotida, que deverá ser disponibilizado em 15 dias. O tempo é precioso para pessoas como Luís Guilherme: "Espero que seja verdade. Há mais pessoas, assim como eu, que precisam do remédio".

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Médicos de maternidade do Pau Miúdo denunciam diminuição de atendimentos

Correio24horas

 02 DE DEZEMBRO DE 2015

Representantes do corpo clínico da Maternidade de Referência Prof. José Maria de Magalhães Netto, localizada no Pau Miúdo, denunciaram a diminuição dos atendimentos da maternidade em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (1), na sede do Sindicato dos Médicos (Sindimed). 

Segundo eles, a maternidade realiza metade da quantidade de partos que fazia até maio de 2014.
"Em maio do ano passado, foram 845 partos. Já houve mês com 900. Hoje são apenas 400 a 450 partos", afirma a médica obstetra Mônica Bahia, representante do corpo clínico da maternidade. Ela diz que a diminuição dos atendimentos foi uma opção da Santa Casa de Misericórdia, gestora do hospital. "Como a Santa Casa tem defasagem no fim do contrato, optou por gastar menos. Gastar menos significa atender menos." Segundo ela, a instituição conseguiu diminuir atendimentos através de demissões, leitos parados para reforma e sugestão de encaminhamento para outros hospitais.

(Foto: Divulgação/Sesab)


De acordo com Mônica Bahia, houve dez demissões na equipe de saúde, apenas em novembro. "Passamos de sete para cinco obstetras; de três para dois neonatologistas; de três para dois anestesistas; e seis auxiliares (de enfermagem) foram demitidos", enumera. A reforma dos leitos também preocupa os médicos. "Cabe à sociedade garantir que sejam realmente reformas e voltem a funcionar", diz Mônica.
Feito por enfermeiras, sob controle da gestão da maternidade, a triagem que avalia o risco da paciente é uma maneira de sugerir que a gestante procure outra maternidade, segundo a denúncia. "A paciente chega e é triada de acordo com a gravidade do quadro clínico", afirma Mônica Bahia, explicando que as gestações mais graves são classificadas com a cor vermelha, depois amarela e por fim com a cor verde, a menos grave. "A paciente vermelha vai ser atendida, a amarela também. As outras, vai ser sugerido que elas procurem outra unidade ou então vão ter que ficar esperando", conta.
Os médicos da maternidade denunciam ainda que o ambulatório de pré-natal está fechado para novas pacientes desde o dia 1º de dezembro de 2014, completando um ano. Segundo eles, a unidade era a única, além do Hospital Geral Roberto Santos, que realizava pré-natal de alto risco.
O representante do Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), Otávio Marambaia, acredita que a diminuição dos atendimentos da maternidade José Maria de Magalhães vai repercutir em outras maternidades. "A unidade atende pacientes em condições de parto complexas. Quando você reduz os leitos daquela maternidade que pega os casos mais complexos, isso obviamente vai sobrecarregar as outras unidades que não têm a estrutura para atender esse tipo de paciente. Vai implicar em complicações, em perdas de vida", afirma. Salvador tem outras cinco maternidades públicas.
Santa Casa
Em seu site, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) informou nesta segunda-feira (30) que a maternidade está atuando com "plena capacidade assistencial", com uma taxa de ocupação superior a 90%. A nota também afirma que 185 leitos estão sendo reformados, seguindo um cronograma em sistema de rodízio, retirando 10 a 15% de cada enfermaria até que atinja esse número. A maternidade possui 257 leitos, além de 58 leitos em unidades especiais.
Em entrevista ao CORREIO, o superintendente de saúde da Santa Casa da Bahia, Eduardo Queiroz, disse que 70% dos atendimentos realizados hoje são de alto risco e que isso requer maior atenção e maior tempo de internação, o que, segundo ele, explica a queda no número de partos. De acordo com ele, são realizados entre 500 e 600 procedimentos na unidade.
"Estamos fazendo ainda uma adequação na carga horária dos funcionários, com base em estudos que apontam em quais áreas são necessárias essas adequações, de modo que não afete a qualidade do atendimento já oferecido", afirmou o superintendente.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Coquetel "do dia seguinte" pode evitar infecção pelo HIV em até 72 horas; entenda

Hoje, duas unidades de pronto-atendimento (UPAs) oferecem o tratamento em Salvador: Itapuã e Marback
Carmen Vasconcelos (carmen.vasconcelos@redebahia.com.br)
Atualizado em 25/11/2015 07:48:52
  
Vítimas de acidente ocupacional, violência sexual ou mesmo pessoas que tenham tido casos de relação sexual consentida com suspeita de contaminação pelo HIV podem tomar o coquetel de modo preventivo, mesmo sem a confirmação de Aids. Hoje, duas  unidades de pronto-atendimento (UPAs)  oferecem o tratamento em Salvador: Itapuã e Marback.

A coordenadora do Programa de DSTs, Aids e Hepatites da prefeitura, Flávia Guimarães,  ressalta que, no posto de Itapuã, ainda há preparação para assistir crianças que necessitem tomar o coquetel preventivo.
Unidade de Itapuã e a do Marback são especializadas no PEP
(Foto: Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)
Com o nome de Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Profilaxia Antirretroviral Pós-Exposição de Risco para Infecção pelo HIV (PEP), o coquetel preventivo vem sendo oferecido na capital baiana e São Paulo de modo pioneiro desde o período da Copa do Mundo.

“Com o novo protocolo, ampliamos a assistência, reduzindo as chances de novas contaminações e mortes”,  explica Flávia Guimarães.
Segundo ela, a expectativa inicial era que, no início de setembro, o coquetel preventivo estivesse implantado em dez UPAS  da cidade. Mas uma série de fatores concorreram para o atraso do esquema de profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV. 

“Estamos quebrando paradigmas e isso desperta algumas polêmicas profissionais, além disso, o momento econômico também dificultou o processo, em virtude da alta do dólar”, observou a coordenadora. 

Resistência
Além das questões econômicas que impactam na compra da medicação, nas dificuldades de capacitação dos recursos humanos, há muita resistência por parte da própria comunidade, acrescentou ela. Para Flávia, no entanto, até janeiro, as unidades na capital baiana já estarão atendendo a esses pacientes em regime de emergência.

Para a implantação do serviço, todos os profissionais das unidades passaram por treinamento. Do segurança ao corpo clínico. “Adotamos o padrão ouro para atendimento desses pacientes, o que significa dizer que quem chega com suspeita precisa ser atendido num prazo máximo de duas horas”, esclarece a enfermeira responsável pelo atendimento desses pacientes na UPA de Itapuã, Flávia Carneiro. 

O protocolo do Ministério da Saúde  recomenda que os medicamentos utilizados para o tratamento sejam ministrados até 72 horas após a exposição ao vírus. O ideal é que seu uso seja feito nas primeiras duas horas após a exposição ao risco. 

Ao todo, são 28 dias consecutivos de uso dos quatro medicamentos antirretrovirais previstos no novo protocolo (tenofovir +  lamivudina + atazanavir + ritonavir). 

“A grande vantagem desse protocolo é a simplificação e unificação da PEP em um esquema único de medicamentos. Com isso, não será preciso um especialista em Aids para dispensar a PEP. Isso não só  vaiampliar o acesso à população de forma geral, mas também facilitar os procedimentos para os profissionais de saúde como um todo”, explicou o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita.

Números
Na Bahia, embora alguns Serviços de Atenção Especiais (SAEs) já tenham sido treinados para aplicação do protocolo, ainda não existe uma previsão de implantação da conduta. 
“Independentemente da implantação do PEP, a Bahia continua trabalhando nas ações de conscientização e prevenção, pautando o trabalho na prática combinada da sensibilização para o sexo seguro, a testagem regular da presença do HIV e a adesão ao tratamento”, esclarece a coordenadora estadual do Programa de DSTs, Aids e Hepatites Virais, Nilda Nunes Ivo.
Os municípios baianos que mais preocupam em relação ao índice de contaminação é Salvador e Porto Seguro. Enquanto o número de casos é de 12,9 por 100 mil habitantes, em Salvador, a média no estado é de 24,2 por 100 mil habitantes. Já Porto Seguro tem21,2 por 100 mil habitantes. A Bahia tem uma taxa de mortalidade de 3,1 por 100 mil por ano.

Neuropediatra diz que casos de microcefalia indicam uma nova doença

http://www.correio24horas.com.br/

Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de casos de microcefalia saltou de 147 para 739 neste ano
Agência Brasil
Atualizado em 25/11/2015 07:58:50
  
Sem estudos em toda a literatura médica que relacionem a infecção de gestantes pelo vírus Zika com o nascimento de crianças com microcefalia, a neuropediatra Vanessa Van der Linden defende que os novos casos dessa deformidade no cérebro revelam uma nova doença, já que fogem do padrão conhecido. 
Oito estados do Nordeste e Goiás têm 739 casos suspeitos de microcefalia
(Foto: EBC)
“Se é provocada pelo Zika ou por outro vírus, ou outro agente, não sabemos. O que posso dizer é que os casos não seguem o padrão que a gente vê nas outras pacientes que têm infecção congênita e filhos com microcefalia”, explicou Vanessa, do Hospital Barão de Lucena, presidente da Associação de Assistência à Criança Deficiente do Recife.
Ela foi a primeira médica a buscar a Secretaria de Saúde de Pernambuco para alertar sobre o aumento do número de casos de crianças com o crânio menor que o normal. “Um dia, cheguei à UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e tinha três casos de crianças com a cabecinha assim, isso me deixou intrigada, normalmente a gente via uma a cada mês ou a cada dois meses”, relatou.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de casos de microcefalia saltou de 147, em 2014, para 739 neste ano, a maioria (487) em Pernambuco. A microcefalia é uma má-formação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. 
A neuropediatra esclarece que essa condição pode ter diversas causas, como agentes químicos e infecções por toxoplasmose ou pelo citomegalovírus. Cada causador provoca um quadro típico, como alteração na visão, na audição ou em outros órgãos.
Segundo a médica, em muitos desses novos casos os recém-nascidos têm comprometimento do coração, “mas a amostra ainda é muito pequena para dizer que está relacionado à nova doença”.
À medida que os casos foram chegando, a neuropediatra pedia exames para toxoplasmose e para citomegalovírus, e todos deram negativo. A especialista diz que recebeu informações de casos parecidos fora do Nordeste e que tudo deve ser bem investigado.
Vanessa participou nessa terça-feira (24) de um seminário para profissionais de saúde do Distrito Federal, em Brasília. Segundo ela, há casos de crianças com microcefalia que se desenvolvem, têm filhos, mas que em outros casos o bebê tem muitas convulsões e por isso pode não ter o desenvolvimento adequado. 

Caso de Charlie Sheen 'mostra que preconceito é maior obstáculo para combate à Aids', diz especialista

BBC
A revelação do ator Charlie Sheen, que admitiu ser HIV positivo, reanimou o debate a respeito do vírus, que ataca o sistema imunológico do corpo e pode levar ao desenvolvimento da Aids – doença que ainda carrega forte carga de preconceito, três décadas depois do início da epidemia.
Para o vice-coordenador do Programa de Aids das Nações Unidas (Unaids), o brasileiro Luiz Loures, o maior obstáculo hoje ao fim da epidemia é justamente a discriminação. Segundo ele, embora os testes e o tratamento estejam disponíveis, muita gente continua sem acesso a eles por causa do estigma e do preconceito.
Um novo relatório divulgado nesta terça-feira pelo Unaids revela que os grupos mais duramente atingidos pela doença são justamente os que sofrem mais discriminação: as mulheres e meninas da África, as trabalhadoras do sexo da Ásia, os usuários de drogas injetáveis do leste da Europa e os gays do mundo todo.
"Não vamos conseguir vencer a Aids apenas com comprimidos", afirmou Loures. "Precisamos voltar a falar sobre a doença."
BBC Brasil - O que o novo relatório da Unaids apresenta?
Luiz Loures - Este relatório é diferente, traz uma narrativa nova para a epidemia, chama a atenção para as epidemias locais para tentarmos entender melhor os contextos específicos.
É o caso, por exemplo, da epidemia no Sul do Brasil, ligada aos usuários de drogas injetáveis. Se essas realidades não são conhecidas, é nesses locais que a epidemia pode voltar a crescer. Temos que ser capazes de captar essas diferentes dinâmicas.
A Aids hoje vive uma situação única: temos a ciência e os instrumentos para acabar com a epidemia, mas nem todos se beneficiam da mesma forma deles. Por isso, apesar de termos todos os instrumentos, a epidemia cresce em alguns lugares e vemos o risco de intensificação da epidemia, a despeito de todos os avanços.
GettyImage copyrightGetty
Image captionBrasileiro diz que existem ferramentas para enfrentar a Aids, mas nem todos se beneficiam delas
BBC Brasil - O preconceito às populações mais vulneráveis ainda é um problema?
Loures - Sim, exatamente. Progredimos muito do ponto de vista biomédico, do acesso ao tratamento. Hoje, temos 16 milhões de pessoas em tratamento, quando o nosso objetivo até o fim deste ano era ter 15 milhões de pessoas em tratamento. Mas não conseguimos avançar em questões fundamentais, como a discriminação em serviços de saúde.
BBC Brasil - Ainda há muita discriminação nos hospitais? Isso acontece no mundo todo ou apenas nos países mais pobres?
Loures - No mundo todo. É como se estivéssemos na época pré-tratamento. Quando perguntamos para pessoas das populações consideradas mais vulneráveis (homens gays, usuários de drogas, trabalhadoras do sexo) é quase unânime reclamarem da discriminação nos serviços de saúde. E isso em qualquer lugar do mundo, mesmo nos países desenvolvidos.
É um absurdo que depois de três décadas de epidemia, a discriminação persista inalterada nos serviços de saúde. Parece a época em que eu atendia soropositivos e não conseguia sair do hospital porque os meus colegas se recusavam a por a mão nos meus pacientes. Essa atitude negativa em relação ao HIV persiste na sociedade.
BBC Brasil - A discriminação impede, por exemplo, que mais pessoas sejam testadas?
Loures - Sim, claro. Hoje, temos 16 milhões de soropositivos em tratamento. Mas temos 22 milhões de pessoas que não recebem os remédios, embora eles estejam disponíveis. Mais de 50% dessas pessoas não sabem que têm o vírus. O teste é um ponto fundamental. Precisamos fazer com que essas pessoas tenham acesso ao teste.
E um dos maiores entraves a esse acesso é o serviço de saúde discriminatório. Temos que desenvolver estratégias para levar esse teste para onde as pessoas estão: no trabalho, nas escolas.
BBC Brasil - O senhor acha que houve uma resposta negativa, por exemplo, ao ator Charlie Sheen que, na semana passada, revelou ser soropositivo?
ReutersImage copyrightReuters
Image captionPara Loures, reação após Charlie Sheen revelar que é soropositivo lembra década de 1980
Loures - Sim, parece que estamos vivendo de novo nos anos 1980. Na verdade, a reação da imprensa americana foi pior do que o que víamos nos anos 1980. A resposta de muitos colegas dele foi preconceituosa. Esse episódio mostra de uma forma muito clara que a discriminação está mais viva do que nunca, que não avançamos muito nesse campo.
BBC Brasil - Houve muitos avanços nos últimos anos em relação aos direitos dos homossexuais, por exemplo. Vários países aprovaram o casamento gay. A sensação que se tem é de que avançamos, sim, nessa questão do preconceito. Por que é diferente com a Aids?
Loures - Bem, é um vírus, não vamos diminuir a importância disso. Sei que avançamos muito em algumas áreas de discriminação, mas em relação ao HIV isso não ocorreu. Vejo de forma positiva a questão do casamento igualitário. Mas não falamos mais sobre o HIV como falávamos no passado. Então, há um avanço contra a discriminação, mas é um avanço seletivo. Precisamos voltar a falar sobre a epidemia.
BBC Brasil - Com todos os avanços, ainda é uma epidemia muito grave...
Loures - Sim, a Aids é a principal causa de morte entre mulheres em idade reprodutiva no mundo. É a primeira causa de morte entre adolescentes na África Subsaariana – a segunda no mundo. E a discriminação é um grande problema. Por exemplo, na África, o número de meninas infectadas é muito maior que o de meninos. Isso não é uma questão biológica. É uma questão de gênero. São 5 mil meninas infectadas por semana na África Subsaariana. Se não discutirmos o papel de predador dos homens em relação às mulheres, por exemplo, não vamos resolver o problema. Não é só com comprimido que eu vou resolver a questão. Não somente.
BBC Brasil - Mas por que a questão da discriminação chama mais atenção agora?
Loures - Fica mais evidente justamente porque determina os grupos que ficaram para trás: as mulheres jovens na África, as trabalhadoras sexuais na Ásia, os usuários de drogas na Europa do leste. Os homens gays no mundo todo.